ditado popular

agosto 4, 2011

– Por que estão subindo de preço os títulos americanos?

– Como diz o ditado popular, se estiver chovendo pica pega uma pequena e enfia rápido antes que sobre uma grande…

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Rumo à estação das barcas (portulanos 1,4142)

agosto 3, 2011

Digamos que este é o retorno de saturno de uma conversa casual. Naqueles tempos andávamos de ônibus (eu ainda ando) e conversávamos despreocupadamente, todo o tempo do mundo pela frente. No caso, a companhia era o Furley (AKA Johanes Barbosinha), que posteriormente fez fama como grande contador da história. Atribuíam os enxadristas do fundo do Bloco F ao Furley o conceito de “marxismo exibição” (em oposição ao “marxismo-força”). Furley estava longe do reformismo de outros citados em seu verbete, contemporâneos apenas, mas nunca seus pares. Estes eram os enxadristas, na maioria niteroienses, todos marxistas não alinhados a nenhuma tendência.

Mas o que de notável houve nessa conversa de menos de hora num 998? Sacando de suas notas sobre os Grundrisse, Furley argumentou que uma cantora de ópera cantando no banheiro não gerava valor, mas que havia mais-valia quando a mesma cantora o fazia num teatro pertencente a um burguês.

Tipo da coisa que a ficha não cai na hora, mas que quase três décadas depois é bastante clara para mim (e provavelmente para o Furley, que não encontro faz um par de décadas: curiosamente me contou sobre seus planos quanto ao mercado de livros didáticos): valor é uma relação social (a conversa com Luciano nos comentários deste post por si só é uma paragem – e possivelmente a primeira vez em que me formulei a questão do valor trabalho nesses termos. Aliás, uma discussão entre Furley e Luciano em que eu conseguisse desligar o clown poseur de ambos seria certamente genial)

Poderia aqui entrar com Smith, Dumont etc e tal, mas vou jogar só este trecho de obra-prima roliudiana com descrição clássica de valor-trabalho:

Howard: Gold in Mexico? Why sure there is. Not ten days from here by rail and pack train, there’s a mountain waiting for the right guy to come along, discover a treasure, and then tickle her until she lets him have it. The question is, are you the right guy?…Aw, real bonanzas are few and far between that take a lot of finding. Say, answer me this one, will ya? Why’s gold worth some twenty bucks an ounce?
Man: I don’t know. ‘Cause it’s scarce.
Howard: A thousand men, say, go searching for gold. After six months, one of ‘em is lucky – one out of the thousand. His find represents not only his own labor but that of nine hundred and ninety-nine others to boot. That’s uh, six thousand months or five hundred years scrabbling over mountains, going hungry and thirsty. An ounce of gold, mister, is worth what it is because of the human labor that went into the finding and the getting of it.
(O tesouro de Sierra Madre)

Ambos estão certos e errados. Certo porque é isso mesmo, ambos mecanismos estão presentes. Errados porque descrevem como material, palpável, como da ordem natural, algo que no fundo são alguns dentre vários mecanismos que operam por trás da realidade da regra que é realmente visível, palpável (e nem por isso mais real): dinheiro. Há, portanto, duas relíquias bárbaras ao mesmo tempo nesta cena.

Por que essa conversa fiada, você perguntará? Calma, eu chego lá. Tenho uma reputação envyasada a zelar. Se encontrar Marx, mate-o. Na próxima passagem vamos ao passado para entender o futuro. E depois, quem sabe, perceber que nem sempre a repetição é a mesma, e que a máxima de Tancredi continua válida.

Exumando a copa América (1): A simplicidade de um churrasco

agosto 2, 2011

Esta Copa América foi marcada pelo fracasso de duas tentativas de reproduzir o 4-3-3 do Barcelona. Mas disso falarei depois.

Visualizemos um time com a seguinte formação: dois sujeitos (elementos, indivíduos, escolha o termo policial a gosto) sólidos, sem sutileza, no centro do meio campo; um par de incansáveis, um de cada lado; preeminência dos caras que estão na frente. A seleção do gaúcho Felipão jogou assim para ganhar o mundial. Claro que a receita era outra (um 5-2-3 ao invés do ortodoxo 4-4-2 uruguaio), mas no fundo o mesmo churrasco. Churrasco é coisa simples, sem invenções, sem necessidade de grandes equipamentos, sofisticação técnica, etc e tal. Claro que sem carnes adequadas, sem uma habilidade não propriamente trivial, o churrasco não sai no ponto. Mas a culinária molecular de la Masia é por demais complexa para quem não maneja o catalão desde a mais tenra juventude.

IMVHO, tudo correndo bem o notável nesta edição deliciosa da seleção uruguaia dificilmente se repetirá nas eliminatórias e na próxima copa: a contusão de Cavani. Cavani ainda é usado pelos uruguaios no seu papel original de ponta direita. No Napoli, no entanto, Cavani é O Centro-avante. Assim, maiúsculo. Se antes ele seria um sub-Recoba, hoje é ele é um über-Abreu.

Saiu um atacante, entrou um outro homem de contenção. Sobraram dois atacantes. E ai vai a beleza toda da coisa. Em 1997 Antônio Lopes fez uma interessante inversão no Vasco: pegou o atacante habilidoso, driblador, móvel, com passe criativo e colocou lá na frente, como puro centro-avante. Pegou o centro-avante experiente, matador, lutador, e tacou o pobre coitado para fazer o papel de armandinho, carregando bola pelo meio. Vasco campeão, Edmundo artilheiro recorde. Suárez e Forlán foram uma reedição de Edmundo e Edmar. É bem verdade que Forlán já vinha fazendo esse papel na seleção desde a copa do mundo. O genial Suárez como peça final do ataque, esta é uma sacação muito boa.

Dificilmente Tabárez vai manter um de seus três melhores jogadores fora do time. Deveria. A (boa, mas longe de excepcional) qualidade do restante do time exige as duas linhas de quatro.

Fora isso, Loco Abreu fez o melhor comentário futebolístico do ano.

De como aprendi a amar os juros altos (portulanos 3)

julho 18, 2011

Amigo Hermê, até essa crise começar em 2007 eu era um franco acusador da incompetência vendida do BACEN em se recusar a baixar os juros. Em 2008 me tornei, como você bem sabe, um defensor entusiasta da política de juros altos do BACEN. O que eu chamo de Modelo MaMei, em homenagem aos seus involuntários criadores Mantega e Meireles. Não pelas razões pelas quais ela é discursada, mas pelos seus reais impactos.

Pensemos com a nossa burrice pragmática de quem sonha coisas claras. Juros atendem a três papéis:

  • para quem poupa vs consome, a relação da criança com o marshmellow, se o come ou se espera por mais um brinde.
  • para quem os paga, um custo no processo de produção/investimento;
  • para quem os recebe, uma renda.

Ao manter a SELIC alta, duas coisas são atendidas. A primeira, principal delas imvho, razão pela qual o Brasil escapou da crise, é que a SELIC alta cria um patamar razoável de remuneração para quem recebe rendas. Não só pessoas físicas que fazem tesouro direto, como fundos de pensão e assemelhados tem uma renda risk free alta o bastante para não se preocupar com ginásticas e inovações que permitam extrair alguns pontinhos de rendimento adicional numa mesma faixa de “risco”. Qual seja, aqui ninguém precisa ficar chamando urubeta de meu alfa, investindo em produtos inovadores com sólidos modelos matemáticos por trás para conseguir manter seu fluxo de renda. A SELIC é o bolsa-família das elites e do mercado.

Os juros altos têm uma segunda conseqüência, perversa, porém com algumas consequências positivas. Eles eliminam idiotas que não conseguem gerar grande rentabilidade. As empresas no Brasil têm margens de lucro absurdas, o que as torna resistentes a eventuais choques. Dirá você que isso é uma sacanagem com o consumidor, e eu direi que sim. Uma sacanagem como o preço de um cafezinho na Suécia. É o welfare do empresariado. Mas é a garantia de que, bem ou mal, os incompetentes não entram e os negócios não são destruídos com tanta facilidade.

Por outro lado, parte significativa do investimento está em outra taxa, a TJLP. E a TJLP tem uma peculiaridade que nenhuma outra taxa tem: ela vem com due diligence. Pois se noutras partes do mundo o capital flui sem complicações e burocracias custosas e demoradas, aqui no Brasil os empresários são obrigados a viver no Templo da Diligência que é o BNDES. A beleza disso é que se investimento (isto é, aquisição de máquinas, modernização de instalações, greenfields) então o capital existe a custo baixo, livre dos ditames de curto prazo a da percepção limitada de risco do mercado.

O problema que se tem hoje é que as barreiras à entrada de dinheiro de fora, que não é necessário para o país hoje, são muito baixas. E isso faz com que o câmbio seja afetado, achatando as margens das empresas que cá estão (mas tendo um belo efeito anti-inflação).

Noutras paragens voltarei a essa questão das peculiaridades do modelo brasileiro

Koan Marx (paragem 2)

junho 27, 2011

Se encontrares Marx, critica-o(s).

Terras Raras (Paragem 1)

junho 24, 2011

Provocou-me um antigo daimiô para que eu, usando de minha capacidade de navegar pelos mais variados assuntos (e de meu google-fu, que não se compara ao seu, auto-exilado amigo), considerasse a questão das terras raras. Fiz algumas buscas, mas concretamente, a conclusão que cheguei foi de que o ponto relevante na questão das terras raras não são as ditas cujas, sua distribuição, seus potenciais.

Explica o The Disappearing Spoon que as terras raras de propriamente raro não têm nada (mais detalhes sobre terras raras na wikipedia, que referencia parte do argumento que se segue). Há uma certa complicação em sua separação, não costumam ter uma distribuição tão concentrada como alguns outros metais, costumam estar na companhia de elementos desagradáveis e radioativos, mas, fora isso, não há grandes mistérios. Nem vou puxar aqui a divertida história do mais raro e nobre metal que já existiu: o alumínio.

O problema das terras raras é outro, problema de políticas, problema que retrata de forma exemplar o que é cerne da economia globalizada desta virada de século. No tempo em que terras raras eram basicamente uns elementos engraçadinhos da tabela periódica, os tempos de Tio Tungstênio quando pobres mortais podiam comprar sais radioativos pelo correio, e mesmo tomá-los como tônicos, nós cá no Brasil éramos dos maiores produtores mundiais. As areias monazíticas, que aprendemos na escola ricas no radioativo tório (ao qual voltarei noutra paragem), eram as fontes desses elementos.

Quando eles passaram a ter alguma utilidade, a ser mais que um curioso resíduo, os americanos passaram a ser o grande produtor. E aí, ao final da primeira década da Nova Ordem Mundial, os chineses tomaram o posto onde até o momento estão. E esse é o ponto interessante: como tomaram e por que, mantidas as atuais condições, lá ficarão por um bom tempo.

Once upon a time havia uma fábrica de imãs de alta tecnologia, Magnequench. Uma grande corporação, o que era bom para ela era bom para os EUA, negociou essa fábrica, que não era o seu core business. Os chineses, dizem as más línguas, ficaram tão felizes com esse negócio que inclusive deram a essa corporação possibilidades de entrada em seus mercados que não havia antes. Sábia essa corporação, que hoje vende mais na China que na própria América.

Os chineses, no entanto, percebendo que se ao contrário deles não havia interesse da grande corporação em manter o negócio, já que o que é bom para a grande corporação é bom para os EUA (tanto que depois ela mesma – grande heresia – incorporou-se provisoriamente aos EUA), não havia porque eles chineses mantê-lo lá. E logo fechou-se a mina americana. E logo eles fecharam a fábrica. E mudaram tudo para a China. E lá começaram a extrair, de seus minérios, esses elementos. E a dominar seu comércio para aqueles que se davam ao trabalho de não comprar seus imãs.

O problema dessa história é que, no cálculo frio de seu dever para com os acionistas, a grande corporação não estava errada em fazê-lo. E nisso não vai uma crítica ao capitalismo contemporâneo (coisa à qual voltarei também noutra paragem). Provavelmente a grande corporação seria de fato um obstáculo ao desenvolvimento desse negócio, maior do que seu uso para seu core business. Se a economia americana é disfuncional ao ponto de permitir a destruição de sua base industrial e/ou estratégica em prol de seu dever para com os acionistas (discurso e lenda sobre o qual creio que o buraco é outro – mas coisa que veremos noutras paragens), isso já é outra questão. A desnacionalização/dissolução do negócio não se deve apenas à grande corporação. E aqui tomo um caminho diferente dos que vejo tomados por aí.

O fato de que a China permite às empresas do Ocidente acesso a produtos e insumos por um preço que é um negócio da China mais do que um sucesso é um sintoma. A China é uma ditadura, ponto. Guarda isso na cabeça, amigo, repete várias vezes: a China é uma ditadura. Ditadura. Ao fim e ao cabo, mercado é um jogo no qual as pessoas consentidas pela ditadura participam, jogo no qual as pessoas privilegiadas pela ditadura participam. E pessoas são o crítico disso. Creio que a observação de Fukuyama em Trust (e que bate com o retrato em Os Excluídos, de Yiyun Li), da cultura chinesa como sendo eminentemente familiar, pouco afeita à civic culture e à impessoalidade objetivista (dupla de características que, diga-se de passagem, é meio uma contradição, mas esta é outra paragem) que se demanda no mundo corporativo, continua válida.

A grande corporação e suas irmãs – bem como os gnomos que sonham um dia ser como elas, ou que compartilham de seu Credo e de seu Salve Rainha – amam a China pelos trinkets que ela lhes dá. E invejam seu sucesso, que no fundo vêm de uma liberdade que eles perderam ou vêm perdendo há décadas.

A China hoje é a mãe de todas as externalidades. Se cá como no mundo desenvolvido as empresas estão sujeitas a restrições ambientais, a práticas de governança, a responsabilidades com seus consumidores, ao peso de um aparato legal que torna proibitivamente caros certos processos e atividades, na China isso não é obstáculo para que o desenvolvimento aconteça. Accounting, em ambas as versões que a palavra têm quando traduzida em nossa língua, lá não se aplica. Os custos, portanto, são muito baixos. As responsabilidades, também: do leite das crianças à mãe de todas as Balbinas, às empresas é permitido lucrar, ao estado é permitido criar como se não houvesse amanhã. Se nós país do futuro, a China agora.

Portanto, não dá para competir com a China pelas regras estabelecidas de livre comércio internacional. Não que ela não participe honestamente do livre comércio, ou que ela pratique um câmbio desleal. Essa é uma desculpa ou uma interpretação que não leva em conta o que é o processo social que acontece ali. Uma mudança no câmbio ou nas condições certamente desmantelaria uma operação manufatureira chinesa que, suponho, está em boa parte na fronteira do vermelho. Mas a China triunfa porque ela difere, transfere um custo que as grandes corporações e os gnomos têm que arcar no mundo fora delas. A China triunfa porque, ao fim e ao cabo as suas perdas internacionais são hoje imensas (por perdas internacionais, termo que aproprio e reinvento do falecido Brizola, entenda-se um país produzir e transferir seu meio ambiente, trabalho e sangue para fora do país em termos de troca não favoráveis – a troco de nada, por exemplo – em detrimento da sua população e em benefício do estado ou de algumas elites – no caso chinês – ou de um exterior que impõe as condições desfavoráveis – no caso do endividado Brasil dos 80).

Mas voltando às terras raras: não dá para competir hoje com os chineses, a menos que você esteja disposto ao risco de ter prejuízo se eles resolverem ter prejuizo (ditaduras não respondem a acionistas). E por que, mantidas as atuais condições de “mercado perfeito” de temperatura e pressão, alguém gostaria de fazê-lo?

As elites chinesas estão dispostas a oferecer em holocausto o trabalho de seu povo, sua saúde presente e futura, auferindo em troca as benesses no porvir do grande deus-mercado, materializadas nessa indulgência chamada reservas monetárias (e não só das oficiais). Não há porque não se usufruir disso, dessa tentativa das elites chinesas de abreviar o Purgatório. Claro que uma esmola para um homem que é são tem suas conseqüências. Poeticamente, eu diria que o ópio comes to roost na economia ocidental.

Portulanos de uma viagem inconclusa

junho 21, 2011

Amigo Hermenauta

Escrevo-te cá este hipertexto, espalhado em vários posts que ainda serão escritos, sintetizando várias coisas que conversamos nestes últimos anos. Para ti, para o jovem príncipe disperso, para um antigo daimiô a quem servi, para a amiga blogueira que não estudou economia, para o colega ao lado, para os irmãos e outros náufragos. Enquanto a toalha jaz na gaveta e teu terceiro Argo do ciberespaço não zarpa pensa nestas paisagens.

fex-nômeno

junho 8, 2011

Ao pobre, a imagem do fenômeno em campo dava a sensação de estar assistindo o jogo numa TV de LCD (daquelas que costuma haver em bares, restaurantes e casas de pessoas que não se dão ao trabalho de alterar a configuração) na sua TV convencional. Pois, em 4×3 Ronaldo agora é 16×9.

Ao final da partida, no entanto, sua caminhada me fez pensar em algo mais sinistro, uma conspiração …

Em 13 de junho de 2006 Ronaldo esteve em campo contra a Croácia. Esteve? A ausência de forma não explicaria aquela imobilidade. Ou ele estava com problemas neurológicos graves, ou sob medicação anti-psicótica, ou sob a ameaça de gangues de apostadores dos Balcãs, ou… ou não era bem ele que estava ali. Mas fosse alguma maravilha mecânica da Nike ou alguém sob grave perturbação física e mental, misteriosamente Ronaldo era outro na partida seguinte. Longe de ser o fenômeno de outrora, mas agora com a capacidade de ao menos ficar impedido. E fazendo jogadas como nunca se viu ele fazer antes: usando a cabeça e não os pés.

Voltando, dia 13 jogo com a Croácia, dia 18 jogo contra a Austrália. Entre elas? Dia 17 deixou o mundo Bussunda. Deixou?

Creio que o andar de Ronaldo ao se despedir deixou claro o que aconteceu. Ronaldo, se é que ainda era ele ali, teve um peripaque mais grave que o de 1998, perecendo ou ficando irremediavelmente comprometido. Talvez esteja por aí, talvez tenha sido ele mesmo que, “mentalmente desafiado”, pegou os travestis na Barra. Mas concretamente, a partir daquele momento Bussunda assumiu o papel de Ronaldo, sacrificando sua carreira, sua família, seus amigos, em nome de manter a esperança de uma nação e o IBOPE da Globo.

Vocês dirão: fantasia? Não, há precedentes.

precisa-se de um bada bing

maio 30, 2011

De novo Palocci é flagrado em posições comprometedoras. Fosse ele um escritório de advocacia os valores não seriam impossíveis. Mas não é o caso. Consultoria não é só gênio, mas trabalho: horas e horas de trabalho muito qualificado. Requer gente. Não vi até agora no jornal nenhum comentário sobre o número de pessoas envolvidas na prestação de consultoria, sua formação e qualidade. Isso seria um jornalismo básico, mas, sinceramente, parece que a última coisa que se quer no momento é isso esmiuçado.
No governo passado, sob peso de acusações graves e variadas, foi um ato que não gerou nenhum ganho financeiro, não envolveu nenhuma propina ou benefício de empresa, que derrubou o ministro: a violação do sigilo bancário de um caseiro. Até a discussão da natureza da casa em frente ao caseiro (como diria Nelson Rodrigues Friedman, “fiado só amanhã”) sumiu ante a esse ato de desrespeito à mais básica liberdade do ser humano: a inviolabilidade da informação da conta bancária.
Precisa-se urgentemente de um caseiro, um ascensorista, um rodriguiano contínuo cuja ritual violação permita, de alguma maneira, uma saída honrosa para que a farsa se repita. “Disrespect the bing” é o termo para esse truque.
José, será que Lord Voldemort não empresta a filha?

senso

abril 20, 2011

Luciano, será que não há uma alma na OSB que se toque de que o quarteto nº3 de Haydn não é obra para se tocar num vinte de abril?