Archive for the ‘Uncategorized’ Category

Rumo à estação das barcas (portulanos 1,4142)

agosto 3, 2011

Digamos que este é o retorno de saturno de uma conversa casual. Naqueles tempos andávamos de ônibus (eu ainda ando) e conversávamos despreocupadamente, todo o tempo do mundo pela frente. No caso, a companhia era o Furley (AKA Johanes Barbosinha), que posteriormente fez fama como grande contador da história. Atribuíam os enxadristas do fundo do Bloco F ao Furley o conceito de “marxismo exibição” (em oposição ao “marxismo-força”). Furley estava longe do reformismo de outros citados em seu verbete, contemporâneos apenas, mas nunca seus pares. Estes eram os enxadristas, na maioria niteroienses, todos marxistas não alinhados a nenhuma tendência.

Mas o que de notável houve nessa conversa de menos de hora num 998? Sacando de suas notas sobre os Grundrisse, Furley argumentou que uma cantora de ópera cantando no banheiro não gerava valor, mas que havia mais-valia quando a mesma cantora o fazia num teatro pertencente a um burguês.

Tipo da coisa que a ficha não cai na hora, mas que quase três décadas depois é bastante clara para mim (e provavelmente para o Furley, que não encontro faz um par de décadas: curiosamente me contou sobre seus planos quanto ao mercado de livros didáticos): valor é uma relação social (a conversa com Luciano nos comentários deste post por si só é uma paragem – e possivelmente a primeira vez em que me formulei a questão do valor trabalho nesses termos. Aliás, uma discussão entre Furley e Luciano em que eu conseguisse desligar o clown poseur de ambos seria certamente genial)

Poderia aqui entrar com Smith, Dumont etc e tal, mas vou jogar só este trecho de obra-prima roliudiana com descrição clássica de valor-trabalho:

Howard: Gold in Mexico? Why sure there is. Not ten days from here by rail and pack train, there’s a mountain waiting for the right guy to come along, discover a treasure, and then tickle her until she lets him have it. The question is, are you the right guy?…Aw, real bonanzas are few and far between that take a lot of finding. Say, answer me this one, will ya? Why’s gold worth some twenty bucks an ounce?
Man: I don’t know. ‘Cause it’s scarce.
Howard: A thousand men, say, go searching for gold. After six months, one of ‘em is lucky – one out of the thousand. His find represents not only his own labor but that of nine hundred and ninety-nine others to boot. That’s uh, six thousand months or five hundred years scrabbling over mountains, going hungry and thirsty. An ounce of gold, mister, is worth what it is because of the human labor that went into the finding and the getting of it.
(O tesouro de Sierra Madre)

Ambos estão certos e errados. Certo porque é isso mesmo, ambos mecanismos estão presentes. Errados porque descrevem como material, palpável, como da ordem natural, algo que no fundo são alguns dentre vários mecanismos que operam por trás da realidade da regra que é realmente visível, palpável (e nem por isso mais real): dinheiro. Há, portanto, duas relíquias bárbaras ao mesmo tempo nesta cena.

Por que essa conversa fiada, você perguntará? Calma, eu chego lá. Tenho uma reputação envyasada a zelar. Se encontrar Marx, mate-o. Na próxima passagem vamos ao passado para entender o futuro. E depois, quem sabe, perceber que nem sempre a repetição é a mesma, e que a máxima de Tancredi continua válida.

senso

abril 20, 2011

Luciano, será que não há uma alma na OSB que se toque de que o quarteto nº3 de Haydn não é obra para se tocar num vinte de abril?

Uma semelhança e tanto

maio 5, 2010

Luciano, veja essa história e me diga se não é a cara de Tarcísio Meira em Beijo no Asfalto?

Oh timing perverso!

fevereiro 12, 2010

Logo no momento em que o Arruda é preso o meu amigo Hermê resolve idelbernar o blog.

Assim não dá!

Deep Thought – Menino do MEP

novembro 29, 2009

Tendo em vista o esclarecimento do Sílvio Tendler para tão pungente questão, me digam: será que nenhum dos manés presentes tinha o tirocínio para responder algo do tipo:

“Sacanagem. A polícia guardava os meninos da Libelu só para …” (da série piadas de eletricista de Ribeirão Preto)

Tears in the rain…

junho 4, 2009

David Carradine deu os cinco passos, “abandonando voluntariamente a existência física” (frase genial de um professor de yoga de um amigo meu, quase três décadas atrás). Particularmente, sou de opinião que ele foi o ponto fraco de Kill Bill: tivesse sido Warren Beatty a fazer o papel, a natureza de sedutor de Bill seria mais explícita. Também faria mais sentido Bill como o irmão de Michael Madsen.

Me lembro de Kung Fu quando era criança, uma das séries mais icônicas que a TV já produziu. Me lembro de O Ovo da Serpente, talvez o mais assistível dos filmes a cores de Bergman. Jules Winnfield não vai mais encontrar com ele…

Enquanto isso, Rudyard e Zé Rodrix dão um longo passeio, amigos, a cabeça de Dravot a guiá-los.

Deep Thought

março 10, 2009

Finalmente a Veja revelou que Protógenes é Keyser Soze.

Seis coisas que (quase) ninguém sabe sobre mim

fevereiro 5, 2009

Meu amigo hermê manda uma meme truth or dare (da qual ele só falou abobrinhas), oriunda de Sérgio Léo. Seis pessoas a vitimar… hummm… Reflexões, Dmadrid, A Unidade Móvel, Nóvoa em folha, a Hidra Dissoluta e  O brilho eterno… Seis coisas a dizer… segredos… bem, vamos a alguns que envolvem basicamente minha pessoa, não propriamente segredos, mas explicações não conhecidas.

Vamos às seis coisas:

  1. A decisão de não dirigir veio basicamente da leitura de Ivan Illich. Posteriormente, outras razões vieram a se somar. Tirando treinos em lugares desertos e umas três aulas de auto-escola, nunca dirigi.
  2. A decisão de não tomar mais coca-cola (e nenhum outro refrigerante, salvo água tônica e iced teas) não vem da história do cara que caiu na coca-cola, mas de observações de meu professor de biologia sobre os danos causados pelo açúcar e pelos conservantes. E da coca-cola ser a água negra do imperialismo. Em 33 anos, só uma Fanta num hospital português.
  3. Nunca faturei mulher em boate ou bar, salvo por uma operação de salvamento de harassment na pista do Ronca Ronca, que não partiu de minha iniciativa.
  4. As minha lendárias habilidades com crianças derivam da necessidade de ter o que fazer em festas em que os adultos eram intragáveis.
  5. Aos onze anos de idade, tendo por informação apenas propaganda eleitoral, fiz uma vizinha votar em Rubem Medina. Quatro anos depois, fiz minha madrinha votar em Modesto da Silveira. Os votos que dei, pessoal e posteriormente, foram melhores. Mas nem todos.
  6. Se incluírmos a Nóvoa que falta, apenas Anlene nunca esteve num dos meus dois apartamentos, por incrível que possa parecer.

silêncio

janeiro 28, 2009

As meninas foram

com elas

silêncio

Uma morte, uma música

outubro 18, 2008

Entro no Guardian e acabo de ver que Levi Stubbs morreu.

Como registro, uma das mais belas canções já feitas, a Eleonor Rigby dos anos 80:

 

When the wold falls apart…

 

Minhas filhas ao menos conhecerão essa performance: