Archive for the ‘Portulanos’ Category

Há o mesmo tempo o mesmo tem (portulanos 4)

agosto 30, 2011

Buffy: Just tell me what kind of demon I’m fighting.
Travers: Well, that’s the thing, you see. Glory isn’t a demon.
Buffy: What is she?
Travers: She’s a god.
(checkpoint)

 
Indo direto ao ponto para que a ausência de surpresa torne mais surpreendente a trama: o que se tem hoje são crises do capitalismo enquanto ancien régime, que se descobrirá outra coisa em algum momento. Só que após este não vem o mundo maravilhoso em que o proletariado caminha para a restauração do comunismo perdido lá atrás (no advento da agricultura/estado?), nem a continuidade do capitalismo sob outra forma, mas por uma nova contradição de classes entre criadores e agentes. Se lá atrás guildas eram o futuro conflito de classes ainda sem uma especiação clara, podemos dizer hoje o mesmo de venture capital?

Comecemos, pois, nossa história.

Naquele tempo, “Japan, with its purely feudal organization of landed property and its developed petite culture, gives a much truer picture of the European middle ages than all our history books, dictated as these are, for the most part, by bourgeois prejudices. It is very convenient to be “liberal” at the expense of the middle ages.” (K 1, 27)

Sigamos, pois, o ensinamento. No Livro dos Cinco Elementos (ou dos Cinco Anéis, conforme a tradução que preferir), Musashi descreve quatro caminhos: o agricultor, o comerciante, o guerreiro e o carpinteiro. Do comerciante ele fala:

Second is the Way of the merchant. The Sake brewer obtains his ingredients and puts them to use, making his living from the profit he gains according to the quality of the product. Whatever the business, the merchant exists only by taking profit.

Deliciosa descrição de D-M-D’, não acha?

Falta alguém nessa sociedade de Musashi? Quem? Quem não é camponês, burguês, profissional liberal ou operário? Estão nessa Galápagos medieval todos os personagens contemporâneos?

Faltam na pintura os monges. O trabalho dos que escrevem, dos que oram. Sintomático Musashi não ver isso como um caminho. Talvez porque esse seja um caminho no qual coisas concretas – objetos definíveis, trocáveis – não são produzidas. Pois a língua, a continuidade intergeneracional da cultura escrita, o equilíbrio cósmico produzido pela existência do mosteiro, tudo isso é bem non-rival, quase non-excludable. Tudo isso é tão trivial.

O momento de triunfo do capitalismo, em que ele virou o discurso hegemônico, o claro princípio do mercado como organizador do mundo (da mercadoria ao invés da hierarquia como definição das relações humanas como mostra Dumont), foi exatamente o momento em que sua superação começou a se fazer presente, nítida. A revolução industrial pôs a questão do conhecimento/inovação na proa, carranca a simbolizar o barco. No entanto, esse novo é coisa a ser produzida, coisa que requer trabalho, que requer crescentemente mais trabalho, que requer um trabalho diferente, diferenciado, tempo não mais contido no trabalhador da fábrica, mas na máquina, no produto enquanto conceito, um trabalho que não vira produto em si, mas potencial de produto. Um trabalho que ao final resulta em puro capital: o trabalho contido num fonograma, numa prova matemática, num conceito. Infinitos podem usá-lo sem que seja necessário fazer virtualmente nada para recompor o produto/capital novo que passou a existir. E puro, indesgastável capital que se reproduz sem custo-trabalho não gera valor. Esse trabalho está além do princípio do valor-trabalho na sua possibilidade de realização no mercado.
Atente a isso, amigo. No próximo episódio desse continente voltaremos a Buffy.

Caçando ursos, ou hedge enquanto sexo (portulanos 5)

agosto 10, 2011

“- Fala sério: você não vem aqui para caçar urso?”

Essa é uma piada clássica. Cá nos servirá para refletir sobre a justificativa clássica dos mercados. Hedge existe para reduzir riscos dos produtores. Os mercados servem para financiar as empresas. Sexo existe para a reprodução.

Façam a conta: quantas trepadas são executadas para cada filho que é produzido? Se originalmente, nalgum macaco distante, sexo visava a reprodução, cá entre nós é artifício remoto. Aliás, o sexo como identidade, como discurso de afirmação na polis, é justamente aquele que prescinde totalmente de sua vinculação à reprodução: parada gay.

Sexo, portanto preenche outro papel. E hedge também. Esqueçamos a história da carochinha do agricultor querendo garantir seu preço e do especulador querendo correr o risco. Quase todo mundo que está no mercado está para ganhar dinheiro e não se defender de um risco para seu negócio físico. Para ter prazer imediato e não se perpetuar enquanto carne no tempo bíblico-darwiniano, portanto.

A imagem que eu usava há uns três anos para explicar derivativos e seu papel na crise era esta: o episódio the muffin tops de Seinfeld. No caso, todo mundo quer o top of the muffin, ninguém quer o corpo denso e sem graça do bolinho. Qual seja: todo mundo quer a parte de “rentabilidade” dos papéis e não o custo de carregar o papel. Isto vale tanto para mendigos quanto para fundos de pensão. Portanto, o mercado fornece isso, um mundo sem papéis físicos, um mundo em que ninguém precisa arcar com o custo de carregar as ações ou os grãos para que se tenha a “rentabilidade”.

Voltando às imagens sexuais, o mercado hoje é uma casa de swing na qual não há restrições na entrada de homens desacompanhados. Raros se dão bem e por vezes degenera em gang bang (tipo o caso da AIG). Sabendo as pessoas de que na verdade se trata de um quarto escuro, beleza. Mas a versão oficial ainda é de que se trata de uma caçada.

Rumo à estação das barcas (portulanos 1,4142)

agosto 3, 2011

Digamos que este é o retorno de saturno de uma conversa casual. Naqueles tempos andávamos de ônibus (eu ainda ando) e conversávamos despreocupadamente, todo o tempo do mundo pela frente. No caso, a companhia era o Furley (AKA Johanes Barbosinha), que posteriormente fez fama como grande contador da história. Atribuíam os enxadristas do fundo do Bloco F ao Furley o conceito de “marxismo exibição” (em oposição ao “marxismo-força”). Furley estava longe do reformismo de outros citados em seu verbete, contemporâneos apenas, mas nunca seus pares. Estes eram os enxadristas, na maioria niteroienses, todos marxistas não alinhados a nenhuma tendência.

Mas o que de notável houve nessa conversa de menos de hora num 998? Sacando de suas notas sobre os Grundrisse, Furley argumentou que uma cantora de ópera cantando no banheiro não gerava valor, mas que havia mais-valia quando a mesma cantora o fazia num teatro pertencente a um burguês.

Tipo da coisa que a ficha não cai na hora, mas que quase três décadas depois é bastante clara para mim (e provavelmente para o Furley, que não encontro faz um par de décadas: curiosamente me contou sobre seus planos quanto ao mercado de livros didáticos): valor é uma relação social (a conversa com Luciano nos comentários deste post por si só é uma paragem – e possivelmente a primeira vez em que me formulei a questão do valor trabalho nesses termos. Aliás, uma discussão entre Furley e Luciano em que eu conseguisse desligar o clown poseur de ambos seria certamente genial)

Poderia aqui entrar com Smith, Dumont etc e tal, mas vou jogar só este trecho de obra-prima roliudiana com descrição clássica de valor-trabalho:

Howard: Gold in Mexico? Why sure there is. Not ten days from here by rail and pack train, there’s a mountain waiting for the right guy to come along, discover a treasure, and then tickle her until she lets him have it. The question is, are you the right guy?…Aw, real bonanzas are few and far between that take a lot of finding. Say, answer me this one, will ya? Why’s gold worth some twenty bucks an ounce?
Man: I don’t know. ‘Cause it’s scarce.
Howard: A thousand men, say, go searching for gold. After six months, one of ‘em is lucky – one out of the thousand. His find represents not only his own labor but that of nine hundred and ninety-nine others to boot. That’s uh, six thousand months or five hundred years scrabbling over mountains, going hungry and thirsty. An ounce of gold, mister, is worth what it is because of the human labor that went into the finding and the getting of it.
(O tesouro de Sierra Madre)

Ambos estão certos e errados. Certo porque é isso mesmo, ambos mecanismos estão presentes. Errados porque descrevem como material, palpável, como da ordem natural, algo que no fundo são alguns dentre vários mecanismos que operam por trás da realidade da regra que é realmente visível, palpável (e nem por isso mais real): dinheiro. Há, portanto, duas relíquias bárbaras ao mesmo tempo nesta cena.

Por que essa conversa fiada, você perguntará? Calma, eu chego lá. Tenho uma reputação envyasada a zelar. Se encontrar Marx, mate-o. Na próxima passagem vamos ao passado para entender o futuro. E depois, quem sabe, perceber que nem sempre a repetição é a mesma, e que a máxima de Tancredi continua válida.

De como aprendi a amar os juros altos (portulanos 3)

julho 18, 2011

Amigo Hermê, até essa crise começar em 2007 eu era um franco acusador da incompetência vendida do BACEN em se recusar a baixar os juros. Em 2008 me tornei, como você bem sabe, um defensor entusiasta da política de juros altos do BACEN. O que eu chamo de Modelo MaMei, em homenagem aos seus involuntários criadores Mantega e Meireles. Não pelas razões pelas quais ela é discursada, mas pelos seus reais impactos.

Pensemos com a nossa burrice pragmática de quem sonha coisas claras. Juros atendem a três papéis:

  • para quem poupa vs consome, a relação da criança com o marshmellow, se o come ou se espera por mais um brinde.
  • para quem os paga, um custo no processo de produção/investimento;
  • para quem os recebe, uma renda.

Ao manter a SELIC alta, duas coisas são atendidas. A primeira, principal delas imvho, razão pela qual o Brasil escapou da crise, é que a SELIC alta cria um patamar razoável de remuneração para quem recebe rendas. Não só pessoas físicas que fazem tesouro direto, como fundos de pensão e assemelhados tem uma renda risk free alta o bastante para não se preocupar com ginásticas e inovações que permitam extrair alguns pontinhos de rendimento adicional numa mesma faixa de “risco”. Qual seja, aqui ninguém precisa ficar chamando urubeta de meu alfa, investindo em produtos inovadores com sólidos modelos matemáticos por trás para conseguir manter seu fluxo de renda. A SELIC é o bolsa-família das elites e do mercado.

Os juros altos têm uma segunda conseqüência, perversa, porém com algumas consequências positivas. Eles eliminam idiotas que não conseguem gerar grande rentabilidade. As empresas no Brasil têm margens de lucro absurdas, o que as torna resistentes a eventuais choques. Dirá você que isso é uma sacanagem com o consumidor, e eu direi que sim. Uma sacanagem como o preço de um cafezinho na Suécia. É o welfare do empresariado. Mas é a garantia de que, bem ou mal, os incompetentes não entram e os negócios não são destruídos com tanta facilidade.

Por outro lado, parte significativa do investimento está em outra taxa, a TJLP. E a TJLP tem uma peculiaridade que nenhuma outra taxa tem: ela vem com due diligence. Pois se noutras partes do mundo o capital flui sem complicações e burocracias custosas e demoradas, aqui no Brasil os empresários são obrigados a viver no Templo da Diligência que é o BNDES. A beleza disso é que se investimento (isto é, aquisição de máquinas, modernização de instalações, greenfields) então o capital existe a custo baixo, livre dos ditames de curto prazo a da percepção limitada de risco do mercado.

O problema que se tem hoje é que as barreiras à entrada de dinheiro de fora, que não é necessário para o país hoje, são muito baixas. E isso faz com que o câmbio seja afetado, achatando as margens das empresas que cá estão (mas tendo um belo efeito anti-inflação).

Noutras paragens voltarei a essa questão das peculiaridades do modelo brasileiro

Koan Marx (paragem 2)

junho 27, 2011

Se encontrares Marx, critica-o(s).

Terras Raras (Paragem 1)

junho 24, 2011

Provocou-me um antigo daimiô para que eu, usando de minha capacidade de navegar pelos mais variados assuntos (e de meu google-fu, que não se compara ao seu, auto-exilado amigo), considerasse a questão das terras raras. Fiz algumas buscas, mas concretamente, a conclusão que cheguei foi de que o ponto relevante na questão das terras raras não são as ditas cujas, sua distribuição, seus potenciais.

Explica o The Disappearing Spoon que as terras raras de propriamente raro não têm nada (mais detalhes sobre terras raras na wikipedia, que referencia parte do argumento que se segue). Há uma certa complicação em sua separação, não costumam ter uma distribuição tão concentrada como alguns outros metais, costumam estar na companhia de elementos desagradáveis e radioativos, mas, fora isso, não há grandes mistérios. Nem vou puxar aqui a divertida história do mais raro e nobre metal que já existiu: o alumínio.

O problema das terras raras é outro, problema de políticas, problema que retrata de forma exemplar o que é cerne da economia globalizada desta virada de século. No tempo em que terras raras eram basicamente uns elementos engraçadinhos da tabela periódica, os tempos de Tio Tungstênio quando pobres mortais podiam comprar sais radioativos pelo correio, e mesmo tomá-los como tônicos, nós cá no Brasil éramos dos maiores produtores mundiais. As areias monazíticas, que aprendemos na escola ricas no radioativo tório (ao qual voltarei noutra paragem), eram as fontes desses elementos.

Quando eles passaram a ter alguma utilidade, a ser mais que um curioso resíduo, os americanos passaram a ser o grande produtor. E aí, ao final da primeira década da Nova Ordem Mundial, os chineses tomaram o posto onde até o momento estão. E esse é o ponto interessante: como tomaram e por que, mantidas as atuais condições, lá ficarão por um bom tempo.

Once upon a time havia uma fábrica de imãs de alta tecnologia, Magnequench. Uma grande corporação, o que era bom para ela era bom para os EUA, negociou essa fábrica, que não era o seu core business. Os chineses, dizem as más línguas, ficaram tão felizes com esse negócio que inclusive deram a essa corporação possibilidades de entrada em seus mercados que não havia antes. Sábia essa corporação, que hoje vende mais na China que na própria América.

Os chineses, no entanto, percebendo que se ao contrário deles não havia interesse da grande corporação em manter o negócio, já que o que é bom para a grande corporação é bom para os EUA (tanto que depois ela mesma – grande heresia – incorporou-se provisoriamente aos EUA), não havia porque eles chineses mantê-lo lá. E logo fechou-se a mina americana. E logo eles fecharam a fábrica. E mudaram tudo para a China. E lá começaram a extrair, de seus minérios, esses elementos. E a dominar seu comércio para aqueles que se davam ao trabalho de não comprar seus imãs.

O problema dessa história é que, no cálculo frio de seu dever para com os acionistas, a grande corporação não estava errada em fazê-lo. E nisso não vai uma crítica ao capitalismo contemporâneo (coisa à qual voltarei também noutra paragem). Provavelmente a grande corporação seria de fato um obstáculo ao desenvolvimento desse negócio, maior do que seu uso para seu core business. Se a economia americana é disfuncional ao ponto de permitir a destruição de sua base industrial e/ou estratégica em prol de seu dever para com os acionistas (discurso e lenda sobre o qual creio que o buraco é outro – mas coisa que veremos noutras paragens), isso já é outra questão. A desnacionalização/dissolução do negócio não se deve apenas à grande corporação. E aqui tomo um caminho diferente dos que vejo tomados por aí.

O fato de que a China permite às empresas do Ocidente acesso a produtos e insumos por um preço que é um negócio da China mais do que um sucesso é um sintoma. A China é uma ditadura, ponto. Guarda isso na cabeça, amigo, repete várias vezes: a China é uma ditadura. Ditadura. Ao fim e ao cabo, mercado é um jogo no qual as pessoas consentidas pela ditadura participam, jogo no qual as pessoas privilegiadas pela ditadura participam. E pessoas são o crítico disso. Creio que a observação de Fukuyama em Trust (e que bate com o retrato em Os Excluídos, de Yiyun Li), da cultura chinesa como sendo eminentemente familiar, pouco afeita à civic culture e à impessoalidade objetivista (dupla de características que, diga-se de passagem, é meio uma contradição, mas esta é outra paragem) que se demanda no mundo corporativo, continua válida.

A grande corporação e suas irmãs – bem como os gnomos que sonham um dia ser como elas, ou que compartilham de seu Credo e de seu Salve Rainha – amam a China pelos trinkets que ela lhes dá. E invejam seu sucesso, que no fundo vêm de uma liberdade que eles perderam ou vêm perdendo há décadas.

A China hoje é a mãe de todas as externalidades. Se cá como no mundo desenvolvido as empresas estão sujeitas a restrições ambientais, a práticas de governança, a responsabilidades com seus consumidores, ao peso de um aparato legal que torna proibitivamente caros certos processos e atividades, na China isso não é obstáculo para que o desenvolvimento aconteça. Accounting, em ambas as versões que a palavra têm quando traduzida em nossa língua, lá não se aplica. Os custos, portanto, são muito baixos. As responsabilidades, também: do leite das crianças à mãe de todas as Balbinas, às empresas é permitido lucrar, ao estado é permitido criar como se não houvesse amanhã. Se nós país do futuro, a China agora.

Portanto, não dá para competir com a China pelas regras estabelecidas de livre comércio internacional. Não que ela não participe honestamente do livre comércio, ou que ela pratique um câmbio desleal. Essa é uma desculpa ou uma interpretação que não leva em conta o que é o processo social que acontece ali. Uma mudança no câmbio ou nas condições certamente desmantelaria uma operação manufatureira chinesa que, suponho, está em boa parte na fronteira do vermelho. Mas a China triunfa porque ela difere, transfere um custo que as grandes corporações e os gnomos têm que arcar no mundo fora delas. A China triunfa porque, ao fim e ao cabo as suas perdas internacionais são hoje imensas (por perdas internacionais, termo que aproprio e reinvento do falecido Brizola, entenda-se um país produzir e transferir seu meio ambiente, trabalho e sangue para fora do país em termos de troca não favoráveis – a troco de nada, por exemplo – em detrimento da sua população e em benefício do estado ou de algumas elites – no caso chinês – ou de um exterior que impõe as condições desfavoráveis – no caso do endividado Brasil dos 80).

Mas voltando às terras raras: não dá para competir hoje com os chineses, a menos que você esteja disposto ao risco de ter prejuízo se eles resolverem ter prejuizo (ditaduras não respondem a acionistas). E por que, mantidas as atuais condições de “mercado perfeito” de temperatura e pressão, alguém gostaria de fazê-lo?

As elites chinesas estão dispostas a oferecer em holocausto o trabalho de seu povo, sua saúde presente e futura, auferindo em troca as benesses no porvir do grande deus-mercado, materializadas nessa indulgência chamada reservas monetárias (e não só das oficiais). Não há porque não se usufruir disso, dessa tentativa das elites chinesas de abreviar o Purgatório. Claro que uma esmola para um homem que é são tem suas conseqüências. Poeticamente, eu diria que o ópio comes to roost na economia ocidental.

Portulanos de uma viagem inconclusa

junho 21, 2011

Amigo Hermenauta

Escrevo-te cá este hipertexto, espalhado em vários posts que ainda serão escritos, sintetizando várias coisas que conversamos nestes últimos anos. Para ti, para o jovem príncipe disperso, para um antigo daimiô a quem servi, para a amiga blogueira que não estudou economia, para o colega ao lado, para os irmãos e outros náufragos. Enquanto a toalha jaz na gaveta e teu terceiro Argo do ciberespaço não zarpa pensa nestas paisagens.