Archive for the ‘náite’ Category

tudo isso e mais

março 24, 2009

Não há palavras capazes de descrever o que foi o show do Radiohead. E não pensem que dá para se entender o que é vendo numa TV. É como ver Caçadores da Arca Perdida ou Imensidão Azul numa TV, ou escutar o Master of Puppets baixinho numa biblioteca.

O show do Kraftwerk foi superior ao de anos atrás. A mesma coisa, mas um pouco melhor. Algumas músicas tiveram versões daftpunkizadas, o original copiando a cópia, o que por vezes funciona. Por outro lado, digamos que eles poderiam ter algum trabalhinho para customizar o show para o Brasil. Por exemplo: “Radioactivity” foi feita de uma forma muito interessante, com a inclusão de alguns eventos nucleares. O problema é que Sellafield tem sentido na luta inglesa mas nenhum significado no imaginário brasileiro. No entanto, tivemos aqui Goiânia. Um pouco de pesquisa, um substituição de palavra, uma menção a césio-137 na tela, e pronto! Uma versão originalíssima da música, coisa para dezenas de milhares de hits de youtube em um mês. Mas é aquela coisa: você olha prá eles é fica se perguntado qual deles é o infiltrado pela Stasi. E o tempo verbal é exatamente este: “é”.

Sinceramente, meu sonho de show do Kraftwerk seria vê-los andando de bicicleta junto com a cyclofônica do genial professor Leonardo Fuks executando “Tour de France” em meio à platéia.

Os Loser Manos, que dizer, Los Hermanos, provam a tese de que mais vale um Hermano (Vianna) falando do que Los Hermanos tocando. “House of cards”, do Radiohead, é tudo que aqueles iê-iê-iês deveriam ser. A grande maioria da platéia gostou: aquelas pobre crianças sabiam cantar todas as músicas. Mas havia outros sacanas como eu debochando daquela profundidade de piscina inflável.

No mais, Hermê fez falta. No cercadinho da torre da mesa de som estava Diogo Mainardi.

E foi isso.

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Ná ontem; Radiohead hoje

março 20, 2009

Ontem um show fabuloso de Ná Ozzeti. Meses atrás vi um show de Vânia Bastos, outra ícone da vanguarda paulista dos 80. Aquele um show medíocre, karaoquê de repertório mal escolhido e obviamente executado. Vânia querendo ser Tetê. Ontem, no entanto, um show magnífico, com uma versão de “fé cega faca amolada” tão surpreendente quanto a de “hey joe” do Robert Plant. Repertório fofo, com classe, bem executado, sem cair no excesso de curadoria dos shows da igualmente fabulosa Monica Salmaso. Mesmo o vestido era espetacular.

Situação fantástica: havia um cara na platéia cantando junto com ela, como se fosse um delay desafinado. Em “estopim”, isso ficou muito engraçado, já que a música tem uma melodia, por assim dizer, estranha. Lá pelo meio da música, ela, que estava rindo vez por outra, caiu na gargalhada, interrompeu a execução, e aí cantou de novo sem “delay”.

 

Hoje, Los Hermanos, Kraftwerk, Radiohead.

Los Hermanos é uma banda interessante, mas como diz um amigo meu, tudo ali é iê-iê-iê. É como se a jovem guarda tivesse ouvido Weezer.

Fui uma das raras pessoas que não gostou do show do Kraftwerk lá no MAM. Não que não tenha sido bom. Mas não surpreendeu. Não correu riscos. Banda cover deles mesmos, o Kraftwerk nem se dá ao trabalho de criar obras medíocres para se justificar como banda em atividade, como os Stones. Repete-se. O problema é que o que foi futuro até meados dos 80 tornou-se ainda mais kitsch.

Radiohead é uma das bandas de minha devoção. Não vou citar nomes aqui, mas estava eu no aniversário de um amigo jornalista, notável jornalista de cultura, dezembro de 96. Churrasco, pessoas conversando, fiz um elogio a escolha de “creep” para o bis do show do Tears for Fears recém-acontecido. Um amigo desse cara, outro jornalista musical de um jornal grande circulação carioca, cacete pela terceira geração, tacou o pau dizendo que er aum absurdo uma banda como o Tears for Fears tocar uma música de uma banda medíocre como o Radiohead. Eu argumentei que “The Bends era o mais interessante album daquela horda do britpop. Uns 3 meses depois, Ok Computer conquistava o mundo. Bem, nem todos os jornalistas de rock tem o cérebro de um Luis Carlos Mansur, de um Dapieve, de um Essinger…

Mas, voltando, o Radiohead se apresenta hoje. Se não são mais o novo novo como foram quando trouxeram elementos do som da Warp e da Mo Wax para o grande público (particularmente, acho o Kid A tão inovador quanto o Achtung Baby! – novos para o rock, óbvios para quem estava imerso em outras pequenas cenas de cada época, e absolutamente belos), são uma banda que consegue criar e executar peças de profunda beleza. Há atividade tectônica ainda.

Até lá.

Tomates Transgênicos

março 21, 2008

Sábado. 34 anos de uma amiga. Festa num troço (boate? bar? centro – cadê minha luger – cultural?) em Santa Teresa. Subo de carona com meu compadre CGA. Os amigos da aniversariante: majoritariamente moças no entorno dos 30, desacompanhadas. Abro a pista de dança, acho que era Foo Fighters. Depois, “shinny happy people” e mais pessoas vão se juntando. Mas fica aí o som, concentrando em 1993 e adjacências: Snap! com o hino dos “leopardos”, a mesma de sempre do primeiro disco do US3 , “space cowboy”, até “pandora’s box” do OMD. E “thriller”, OMG, que me recusei a dançar para não coonestar com o crime. Nada não óbvio, nada que não tivesse ouvido em algum Cozumel ou casamento. Bem, tocaram “a little respect” (que para minha surpresa, outras pessoas na pista conheciam a letra) e “crazy”, ao menos isso.

Lá pelas tantas, na pista, quatro clássicos babacas. Quatro clichês sarados, no meio da pista parados, copos de cerveja à mão, manjando as moças. Nitidamente incapazes de dançar, pedras na browniana pista, atrapalhando. Esta é uma das razões porque sempre preferi lugares esquisitos: não há babacas na pista. Como sempre, ouve-se algum comentário: “é isso aí Pauleta” (minha camisa, a 9 da selecção).

Lá pelas tantas, uma das meninas começa a dar mole para um dos clichês, já então fora da pista (eles não resistem muito tempo). Alerto a irmã caçula da aniversariante: “Avisa a sua amiga que isso são tomates transgênicos. Vistosos, robustos, mas sem gosto.” Belinha caiu na gargalhada.

Não sei o desfecho. Partimos, eu e CGA, cada um para sua casa, acompanhar a vitória de Hamilton.

Homem que dançava com a parede do Cubatão, que escuta house tem 22 anos, sempre fugi de lugares de playboys. Não me lembro de ter saído alguma vez para azarar em lugares de dança. A pista, para mim, é sagrada, celebração. Só algum aniversário ou obrigação social para me levar a um lugar desses.

OBS: além dos babacas de praxe, dos CDs teenagers (isto é, com entre 13 e 19 anos de idade) e das faixas óbvias, o tal Casarão Herme (não, não é uma sacanagem com o Hermenauta tem a mais absurda batata frita que já vi: R$ 14 e quebrados, metade da consumação mínima de R$ 29. Dois dos copos plásticos que recebi estavam com pequenos furos que faziam eles pingar embaixo. A pizza, para consumo individual, estava razoável. A paisagem muito interessante: aquele misto de Rio e São Paulo que é Santa Tereza, em que você vê por baixo prédios e ao longe mar.