Exumando a copa América (1): A simplicidade de um churrasco

Esta Copa América foi marcada pelo fracasso de duas tentativas de reproduzir o 4-3-3 do Barcelona. Mas disso falarei depois.

Visualizemos um time com a seguinte formação: dois sujeitos (elementos, indivíduos, escolha o termo policial a gosto) sólidos, sem sutileza, no centro do meio campo; um par de incansáveis, um de cada lado; preeminência dos caras que estão na frente. A seleção do gaúcho Felipão jogou assim para ganhar o mundial. Claro que a receita era outra (um 5-2-3 ao invés do ortodoxo 4-4-2 uruguaio), mas no fundo o mesmo churrasco. Churrasco é coisa simples, sem invenções, sem necessidade de grandes equipamentos, sofisticação técnica, etc e tal. Claro que sem carnes adequadas, sem uma habilidade não propriamente trivial, o churrasco não sai no ponto. Mas a culinária molecular de la Masia é por demais complexa para quem não maneja o catalão desde a mais tenra juventude.

IMVHO, tudo correndo bem o notável nesta edição deliciosa da seleção uruguaia dificilmente se repetirá nas eliminatórias e na próxima copa: a contusão de Cavani. Cavani ainda é usado pelos uruguaios no seu papel original de ponta direita. No Napoli, no entanto, Cavani é O Centro-avante. Assim, maiúsculo. Se antes ele seria um sub-Recoba, hoje é ele é um über-Abreu.

Saiu um atacante, entrou um outro homem de contenção. Sobraram dois atacantes. E ai vai a beleza toda da coisa. Em 1997 Antônio Lopes fez uma interessante inversão no Vasco: pegou o atacante habilidoso, driblador, móvel, com passe criativo e colocou lá na frente, como puro centro-avante. Pegou o centro-avante experiente, matador, lutador, e tacou o pobre coitado para fazer o papel de armandinho, carregando bola pelo meio. Vasco campeão, Edmundo artilheiro recorde. Suárez e Forlán foram uma reedição de Edmundo e Edmar. É bem verdade que Forlán já vinha fazendo esse papel na seleção desde a copa do mundo. O genial Suárez como peça final do ataque, esta é uma sacação muito boa.

Dificilmente Tabárez vai manter um de seus três melhores jogadores fora do time. Deveria. A (boa, mas longe de excepcional) qualidade do restante do time exige as duas linhas de quatro.

Fora isso, Loco Abreu fez o melhor comentário futebolístico do ano.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: