BaruEire dirige-se à escada

“Every creature on this earth dies alone” (Roberta Sparrow)

Cadê os entusiastas do tigre celta? Onde foram parar os Constantinos da vida, que em plena gestação da crise ainda apontava para o sucesso irlandês? Onde estão os Giambiagi (e seus parceiros do mercado) e o extraordinário superávit fiscal irlandês? Este aqui então é um chiboquete insuperável: educação dez ao invés de fome zero!

Particularmente, acho Belíndia e Engana dois reducionismos problemáticos que não levam em conta os processos sociais e históricos de cada país, más metáforas que atendem a um entendimento pusilâmine do puzzle brasileiro. Mas vou fazer uma gracinha desse tipo. Proponho uma palavra que é uma estratégia comum, e não um contraste: BaruEire: Barueri = Eire.

Na wikipédia, neste momento em que escrevo, na parte de economia de Barueri está escrito o seguinte:

“Barueri é um dos principais centros financeiros do estado de São Paulo, e um dos pólos empresariais mais famosos do Brasil.

Sua economia baseia-se em sua arrecadação de impostos, em especial o ISS, proveniente da prestação de serviços. A cidade abriga o bairro de Alphaville, um dos centros empresariais mais renomados do país, contando com sedes e filiais de grandes empresas. Possui a alíquota de ISS mais baixa da Região Metropolitana de São Paulo, que varia entre 2% e 3%, conforme dados da prefeitura de Barueri.

A cidade é a 9ª mais rica do Brasil, com um produto interno bruto (PIB) de R$ 25.483.663, superior à 20 capitais estaduais e grandes cidades do interior do país, sendo o terceiro maior do estado de São Paulo, atrás apenas das cidades de São Paulo e Guarulhos (Região Metropolitana de São Paulo).”

A Irlanda é um país pequeno cujo sucesso dependeu significativamente de uma política predatória em relação aos seus parceiros de OCDE. Assim como Barueri, que lesou a cidade de São Paulo com uma política predatória em relação ao ISS, a Irlanda “atraiu” o “investimento” externo na área de tecnologia pelas facilidades fiscais oferecidas. Casos como a Google, por exemplo. Até Obama andou reclamando.

O sucesso da austeridade irlandesa a partir do fim dos 80 foi fruto de condições muito específicas. A tentativa recente de austeridade, celebrada pelos festivos do capitalismo, está a dar com os burros n’água. Ajudou-se de forma perversa os bancos. Para nada.

A Irlanda é a bola da vez. Parece que o fechamento da lavanderia fiscal será uma das exigências para salvá-la. O Mercado, impiedoso, não leva em conta que a Irlanda é aquele país que fez todas as libações que ele pregava.

Interessante o silêncio daqueles que outrora pregavam o sucesso de pequenos free-riders – Irlanda, Chile – como se isso fosse factível para um país com a dimensão do Brasil. Como se suas práticas fossem passíveis de generalização. O tempo é cruel com os free-riders.

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4 Respostas to “BaruEire dirige-se à escada”

  1. Radical Livre Says:

    Caraca, fui tentar ler o artigo do Constantino que você linkou. Além de ser um atestado da total falta de rigor intelectual daquela galera, me diverti muito nos comentários. Coloquei um comentário lá agora dando uma sacaneada leve, mas ficou na moderação. Duvido que ele publique.

    • samurainoutono Says:

      Radical, depois me diz se você teve sucesso e me diz em qual dos links você postou para que eu possa me divertir com as tréplicas.

  2. Nival Júnior Says:

    O quanto o Brasil hoje também não é um “free-rider”, de certa forma?

    • samurainoutono Says:

      Acho que não, Nival. O Brasil tem uma situação atípica (comparando com períodos anteriores) em que os termos de troca mudaram em nosso favor. Nossa moeda está flutuando condizentemente com essa situação. Não há atitudes predatórias do Brasil, quer no campo monetário, quer no uso de subsídios.

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