Os Currais de Cristo

Jabuti não sobe árvore. Movimentos como este, não captado pelas pesquisas, não decorrem de nenhuma onda. Ondas são antevistas e precisam de energia e tempo. Movimentos destes podem ser reflexos de alguma catástrofe (o atentado em Madrid, por exemplo). Ou de algo mais sombrio.

Celso e Azenha podem ficar na confortável ilusão de que a Marina verde tenha alguma relevância nesse resultado. Engano. A Marina verde era os 10% de até semana passada. O restante é essa outra Marina, a conivente com o criacionismo, para ser gentil. O restante é uma demonstração de força de igrejas evangélicas, do culto no sábado e no domingo. César Maia, com a brilhante lucidez que se permite quando não está rodando bolsinha e promovendo antas, cantou esta pedra. Não há como ser ingênuo quanto a isso. Esses votos não são de Marina, mas do Senhor.

Nesta hora eu me pergunto como Sirkis e Gabeira estão se sentindo. Talvez venham em breve a se sentir como Adam Michnik e Jacek Kuron vendo a agenda fundamentalista católica oprimindo no campo da vida biológica após a derrubada da ditadura polonesa. Porque é disto que se tratou o voto, a submissão dos corpos. Esqueçam a clivagem direita-esquerda, que esta é uma dinâmica cujo poder explicativo é cada vez mais reduzido no mundo contemporâneo. A tragédia de agora é outra.

O kudzu do pentecostalismo americano plantou raízes aqui, e não só no futebol. Não há que se ter ilusões românticas. Rebanhos são rebanhos, inocentes sob a ilusão do cuidado de seus pastores, que neles só vêem couro e carne.

3 Respostas to “Os Currais de Cristo”

  1. A miopia verde « Relances Says:

    […] no Outono, de longe o mais pessimista dos comentadores, acha que 10 milhões de evangélicos evaporaram de Dilma e passaram para Marina. Eu queria mais […]

  2. Frank Says:

    é um fenômeno interessante mesmo essa expansão dessas denominações protestantes e sua teologia da prosperidade – bem alinhadas ao zeitgeist positivo do país.

    talvez causa e efeito se confundam aí.

    cortando as prevenções do catolicismo ibérico à riqueza e prosperidade, forma-se uma geração mais gananciosa e “progressista” no plano econômico, mas nem por isso menos conservadora no plano dos valores (talvez até mais…)

  3. Fábio Peres Says:

    Cara, vergonhoso mas verdadeiro; e o evangélico mais esclarecido ainda tem que ir à Igreja, ouvir oração tendenciosa do pastor, voltar para casa e concluir que o “povo de Deus” podia passar sem mais essa.

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