Archive for julho \15\UTC 2009

14, 65?

julho 15, 2009

Conversa na madrugada com meu amigo Luciano:

Luciano:

Ora, ora, logo você com medo do apocalipse…
Samurai, uma plataforma secessionista estará na ordem do dia em 2010, de uma forma ou de outra.

Samurai:

Luciano,
algumas elites (aquelas do quarto poder, por exemplo) estão com o prazo de validade vencido.
E lembre-se que há apocalipses e apocalipses. Há os naturalmente produzidos, há os que são obra do Mal. Como conservador, temo os segundos.

Luciano:

Samurai,
nós estamos diante um sério problema político no Brasil. Lula há muito tempo deixou o centro para trás; não está mais buscando o centro: está indo para a direita, sustentado pelos mesmos instrumentos eleitorais da direita no Brasil: hand outs públicos e Estado grande. Lula, Geisel e Marco Maciel são hoje a mesma pessoa.
A pergunta é: o que fará o antigo establishment, que nem de esquerda pode ser??

Samurai:

Luciano,
na minha opinião o caso é mais grave.
Ele acha que é Juscelino e que Dilma é Lott.

E que 14 é 65, conta fácil de fazer para quem gosta de 51.
(O problema é se Serra achar que é Lacerda)

Seleção Madraçal

julho 10, 2009

Sai de casa de manhã e, como de costume, está lá o porteiro com a Bíblia aberta.

Houve um tempo em que a Bíblia não estava disponível ao acesso das massas. Havia barreiras de linguagem, de educação, de disponibilidade de livros. As folhas de Ossãe foram espalhadas por Lutero e Gutemberg, mas a capacidade de lê-las e pô-las em contexto não o foi.

Essa forma de ignorância que é o acesso literal e direto – por porteiros e por jogadores de futebol, por exemplo (dois grupos de pessoas cujo discurso por vezes invade meu cotidiano à minha revelia) – a um texto complexo, confuso e com dezenove séculos de comentários que lhe dão sentido quando traduzido, imvho, é danosa. Há coisas que no original foram rimas, há coisas que foram matemática, há coisas que são afirmação cultural, tal qual Camões. Mas para quem qualquer palavra impressa é verdade (e no caso, Verdade), e que não tenha o hábito de contrapor o que leu aqui com o que leu ali com o que sabe não leu acolá… problemas, meus caros, problemas.

Como, por exemplo, a invasão de espaços da vida pública por grupamentos evangélicos. Ela não se dá por evangélicos em geral, coisa que não existe, mas se dá por organizações específicas. E algumas dessas organizações específicas vão usar de todos os recursos possíveis,  pois porque se estão fazendo aquilo é porque deus lo volt. Por exemplo, esse caso da “tomada” da CPI da pedofilia pela Renascer. Ou a comemoração da seleção brasileira no final da Copa das Confederações, tipo da coisa que um dia há de trazer problemas para a seleção brasileira.

Respondendo a minha querida amiga (e torcedora do Madrid) Anlene, fosse eu dirigente da CBF Lúcio não seria mais capitão da Seleção Brasileira. E espero que Kaká tenha o bom senso de dedicar apenas seu dízimo à Renascer. A igreja católica de Castela não me parece (a distância) ser particularmente moderna, e dificilmente será condescendente com um Valerón galáctico.

Imprensa trocada

julho 8, 2009

Vendo esse post no Balloon Juice caiu uma ficha: aquela imprensa que não tem obrigações de um relacionamento amistoso e continuado com o objeto relatado é capaz de realizar boas reportagens investigativas. Por isso que a Vanity Fair e a Rolling Stones, citadas cripticamente no artigo, tem hoje alguns dos melhores textos da imprensa americana.

Pena que isso não aconteça por aqui.

Deep Thought – Donde es Te – Gulp! – cigalpa?

julho 8, 2009

Será que o negrito tem um big stick?

O jardim dos concursos que se bifurcam

julho 8, 2009

Lá no meu amigo Hermê vem um par de discussões envolvendo funcionalismo público, salário etc. Bem, alerto que sou um membro lato senso do funcionalismo concursado da União. E acho que o vasto público não consegue, digamos assim, ter uma visão formal do processo de escolha que leva ao caminho público ou ao privado. Façamos de conta que somos todos fgvistas defendendo um ponto do estrito interesse do mercado, qual seja, modelemos (mas sem chegarmos em equações, pois eu sou um lazy barnabé que não sabe fazer essas coisas no wordpress).

Uma vez concluídos os estudos, o futuro profissional tem duas opções:

Opção 1 –  setor público: o concursado recebe uma perpetuidade, sem grandes variações ao longo do tempo. Qualquer variação mais significativa vai depender do schmérito (categoria que será explicada posteriormente em outro post) do funcionário. A proposta é atraente porque permite construir uma vida estável e de qualidade logo de cara. Mas, salvo corrupção, não há scalability alguma, para usar o termo do Taleb. É aquilo e ponto final, até a morte. Em alguns momentos o poder aquisitivo cai um pouco, mas após alguns anos se recompõe, portanto, suponhamos a estabilidade até a morte.

Opção 2 –  setor privado: o trainee, profissional liberal ou o que quer que seja o formato com que pessoa se encaixe no mercado, recebe uma remuneração, por vezes chamada de salário. Essa remuneração tem uma variância maior que a do setor público. Essa remuneração tem uma incerteza maior que a do setor público – as chances de desemprego são maiores. Essa remuneração exige algum tipo de poupança para cobrir a aposentadoria.

A princípio, o valor presente da série no segundo caso deve ser maior do que no primeiro. Há um prêmio de risco a ser pago aos que estão no mercado. Há certamente outros fatores intervenientes (como por exemplo, os benefícios simbólicos e de satisfação que fazem com que pessoas virem professores universitários ou perversos semelhantes), mas deixemos eles de lado para não complicar o modelo. Portanto, bastaria (aparentemente) fazer-se um pequeno estudo para verificar se o modelo acima é pertinente, e qual seria o prêmio de risco pago pelo mercado (ou verificar que o setor público paga absurdamente, pois a série do funcionário público seria maior).

Admitindo que a série privada seja mais valiosa, os dois fatores que suponho explicariam a opção entre um caminho e outro poderiam ambos ser definidos como o maior conservadorismo do optante pelo setor público, que consideraria a incerteza maior que a do grupo que optou pelo mercado; e/ou que descontaria o futuro com uma taxa maior.

Bem, para começar, e aí é que está parte significativa do problema dessa discussão pelo grande público, em qualquer estudo de verificação de uma hipótese como a descrita acima a comparação não deve ser feita entre membros de uma profissão (digamos formados em direito) mas entre alunos da mesma turma (pessoas formadas em direito na UFRJ em 90, por exemplo). Por que? Porque a comparação tem que ser feita entre material humano equivalente e, creio, há uma diferença entre Oxford e a Bolívia. A questão está em comparar a escolha de life plan de um indivíduo (lembrem-se, somos fgvistas, quem sabe até Mises-em-cínicos), e não cair em generalidades de botequim.

Nunca vi um estudo construído assim, comparando escolhas de carreiras entre iguais (quem tiver visto, feito cá no Brasil, me informe). Não adianta dizer quanto ganha um promotor versus um advogado médio, mediano ou modal. IMO, o serviço público não recruta, nem deve recrutar entre os “m”s (e aqui sei que provavelmente vai aparecer o espirito santroll reclamando do meu elitismo na minha caixa de comentários). Se o objetivo for esse, façamos a abolição do concurso e institua-se a loteria para escolha dos funcionários públicos (particularmente, a loteria é meu método predileto para contrapor alguns casos de schmérito político e corporativo, mas isso é outro post).

Você quer que seu juiz seja alguém que entrou no serviço público por qual processo, concurso ou sorteio?

PS: para aqueles que acreditam que o salário de entrada poderia ser menor, eu dou dois argumentos: não costuma haver diferença significativa entre o trabalho dos razoavelmente novos e dos experientes, o que, portanto, acabaria sendo uma discriminação contra os mais novos; e, cinicamente, uma vez que o cara já está costumado a um padrão, as chances dele pular fora do setor público para ganhar mais (a menos que seja MUITO mais) torna-se cada vez menor, e, portanto, foda-se o funcionário público tem agora filhos e desejos, o salário é esse e é isso aí – você optou pela segurança e não por férias em Bali e carro bacana, como aquele seu colega de turma que trabalha num banco privado.

IMVHO, a melhor forma de prover o setor público dos melhores profissionais possíveis e fazer concurso em momentos de retração econômica. Pagando o melhor flypaper possível.

deep thought – CNN

julho 2, 2009

E eis que descubro, graças ao ilustre vice-presidente da Sociedade Interamericana de Imprensa, o significado de CNN: Chavez News Network.

Dora, a explanadora

julho 2, 2009

Lá no Nassif, o próprio se pergunta sobre a lógica de Dora Kramer. É simples, muito simples: basta olhar qual é a agenda do momento da loja do Grande Partido de Pernambuco. Qual a barbaridade que Jungmann e Roberto Freire estiverem cometendo no momento, qual duplipensar pragmático-oportunista que justifique seu alinhamento político

Olhe para Jungmann e Freire: lá estará Dora. (BTW, Noblat também tem um certo alinhamento com essa loja)

Alma sem batismo, o Virgílio não irá além do purgatório, já que o paraíso estará povoado por pessoas como Beatriz. Mas os Siths de Higienópolis e adjacências lhe arranjarão algum canto.