Archive for junho \23\UTC 2009

Uma intuição despropositada sobre o Irã etc

junho 23, 2009

Madrugada retrasada, miolo de uma breve troca de idéias com o Luciano:

Samurai:

Exércitos não gostam de paramilitares; hierarquias religiosas não gostam de parvenus.
O Mousavi sabe que não podem encostar nele: ele é da
família do profeta

Reflexões:

Pois é.
Por isso acho estranho isso tudo. Soube que Mousavi assinou a sentença de morte de sete mil dissidentes no final da guerra com o Iraque. Um cara desses é das “internas”. Nào estaria agindo assim sem algum nível de autorização.

Samurai:

Luciano, só porque um grupo está no poder e esteja à direita não quer dizer que ele é o grupo conservador…

Se tiver que apostar em algum black swan no Irã, é algum tipo de golpe militar. Não sei precisar para que lado.

Enquanto isso o Conde de Cascais manda-me a notícia de que aquelas gentis empresas escandinavas de equipamentos de telecomunicação estão cooperando num sub-Echelon do governo iraniano. Um boicote a elas poderia ser uma interessante iniciativa no futuro. Até porque medidas mais absurdas de circulação estão acontecendo, como as exigências do governo chinês para os fabricantes de computadores.

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Os ovos da serpente chocaram

junho 17, 2009

Primeiro foi o assassinato do Dr. Tiller, um raro praticante remanescente de late term abortions (aquilo que se faz quando você descobre que o bebê em sua barriga tem anencefalia, por exemplo, mas que é a forma mais telegênica de propaganda contra o aborto dos cristãos teocratas). No blog do Andrew Sullivan há um monte de histórias dessas, de casos envolvendo o dr. Tiller e/ou de abortos no periodo final de gravidez. Extremamente tocantes, tendo tempo, valem o passeio. Não que o Sullivan seja inocente nessa história, como bem mostra esse delicioso post, que me fez lembrar a caracterização dele feita num episódio da segunda temporada de Queer as Folk.

Depois houve o assassinato de um guarda no Museu do Holocausto em Washington.

Agora teve essa surreal situação do grupo neo-nazista assaltando casa de traficantes para o “movimento”.

Os órfãos de Palin começam a evoluir para a violência. É só o começo. Terá sido Carnivàle uma alegoria do futuro?

Farsa em Farsi

junho 17, 2009

Os dias tem sido muito atarefados por aqui, amigo Hermê, e esse comentário que venho escrevendo desde sexta só sai hoje. Você fez dois posts, NPTO também já tratou do assunto, mas deixa eu fazer meu registro.

A analogia é uma das formas mais arriscadas que há para se entender as coisas. Solução conservadora, burkeana, ela nos faz perder o que há de específico, a lição de Tolstoi de que cada família infeliz é infeliz ao seu modo.

Glen Greenwald (para quem não conhece, um dos mais interessantes blogueiros da esquerda americana) fez o seguinte comentário, que nos é bem familiar, no fim de semana:

(4) Speaking of Iran, I don’t have any idea what really happened with its presidential election — if, as Juan Cole argues, there was widespread fraud, that would be entirely unsurprising — but Newsweek‘s long-time Middle East reporter Christopher Dickey persuasively warns against the emerging assumption that the anti-Ahmedinejad views expressed by middle class and cosmopolitan Iranians and promoted by the Western press are representative of a majority of Iranians.  In Brazil, if you ask middle class, professional and/or educated Brazilians what they think of President Lula da Silva, you would conclude that he is an intensely despised figure, when — in reality — he is profoundly popular among a majority of Brazilians largely due to the deep support from that country’s poor and under-educated population (much the same way that you’d get vastly disparate responses if, in 2004, you went to Manhattan and then to rural Kansas and solicited opinions of George Bush).  Dickey suggests that the same dynamic exists in Iran.

E esse, creio, é um erro recorrente na análise de algumas pessoas da eleição no Irã. Um amigo cá do trabalho, por exemplo, me mandou esse texto “round up the usual suspects” de esquerda ontem. Muito embora haja um claro interesse americano em mais uma revolução colorida (será Steve Jobs o gênio secreto que controla a política externa americana?), tudo indica que há uma farsa em curso.

No Moon of Alabama, um interessante blog de esquerda alemão, há a análise óbvia de classe, há perfeitas análises conspiratórias, há a suposição de que quiet americans estariam envolvidos (e aqui uma interessante observação do Irã como um dos afetados pelas “exportações” afegãs, coisa óbvia quando se pensa no assunto mas sobre a qual eu nunca li nada a respeito). É bem capaz que parte disso tenha acontecido, e está explicito o interesse do Departamento de Estado no uso político do twitter (será que eles suspenderão o serviço quando a revolução não for do interesse americano?)

No entanto, minha experiência em analisar dados eleitorais, ainda que um pouco enferrujada, sugere que o argumento do Juan Cole é difícil de ser rebatido. Resultados eleitorais não são regulares. Resultados eleitorais, a menos de alguma catástrofe bastante visível, não mudam abruptamente de uma hora para outra. Não há ali uma ilusão causada por diferenças de classe, como nos casos da Venezuela e da Tailândia.

Minha sugestão: esqueçam o noticiário e vão direto no Juan Cole. Durante o período de pique do conflito no Iraque era minha primeira leitura diária.

No mais, o Sullivan está em frenesi com esse “levante”. Nada como uma causa confortável. Em que pese que as discussões que rolaram lá sobre o aborto foram interessantíssimas, mas isso é um assunto no qual eu estou ainda mais atrasado para postar (e do qual voc~e não tratou, caro Hermê). Quem sabe daqui a pouco.

Tears in the rain…

junho 4, 2009

David Carradine deu os cinco passos, “abandonando voluntariamente a existência física” (frase genial de um professor de yoga de um amigo meu, quase três décadas atrás). Particularmente, sou de opinião que ele foi o ponto fraco de Kill Bill: tivesse sido Warren Beatty a fazer o papel, a natureza de sedutor de Bill seria mais explícita. Também faria mais sentido Bill como o irmão de Michael Madsen.

Me lembro de Kung Fu quando era criança, uma das séries mais icônicas que a TV já produziu. Me lembro de O Ovo da Serpente, talvez o mais assistível dos filmes a cores de Bergman. Jules Winnfield não vai mais encontrar com ele…

Enquanto isso, Rudyard e Zé Rodrix dão um longo passeio, amigos, a cabeça de Dravot a guiá-los.