Rebuilding the Simonal (dita)brand: Ninguém sabe à ditadura o que dei?

Da série Lies, damn lies, statistics and’ocumentários biográficos.
Tenho uns 5 CDs do Simonal: uma coletânea de meados dos 90, comprada na época; 4 outros os álbuns originais, relançados uns anos depois. Bons discos, longe de serem excepcionais. Mas bons discos. Adoraria ter a caixa, mas não esbarrei com ela a preço camarada. Muito longe da beleza e da relevância de um “Samba Esquema Novo” ou de um “Afro-sambas” , para citar duas obras primas dos 60 que correm em linhas não muito distintas das cantadas por Simonal. Inferiores aos discos de Gil, de Milton e de Roberto da época, só para citar nomes bem pops cuja carreira sobrevive até hoje (e não se chamam Caetano nem tem olhos verdes). Era um bom cantor, muito bom cantor, muito adequado à época. Mas como falou Maquiavel sobre Júlio II , a morte por vezes nos preserva dos erros que cometeríamos.
Está estreando, com toda a babação da Globo que tem direito, um panfleto ficcional sob forma de documentário que visa, entre outras coisas, transformar Simonal numa espécie de mártir político. Uma espécie muito rara (e dialética): um oprimido pelos oprimidos sendo membro do establishment. Um dos autores dessa peça publicitária faz parte de um simpático grupo artístico, o Casseta, cuja origem é a ala mais reformista da Reforma. No Fantástico, apareceu o próprio filho, parte de um talentoso consórcio de nepotes da MPB. E não tomem por ironia esses dois comentários anteriores: ri muito com os primeiros, tenho muitos bons CDs graças aos segundos. Mas para entender o filme é necessário, em parte, se ter esse background em conta. Guardemos essa informação para o fim.

a) O Rat Pack Tupiniquim dos 60:
Antes de mais nada, há um Tenzing Norgay da história sobre o qual o filme toca muito en passant: Carlos Imperial, Ao contrário de Simonal, cujo desaparecimento súbito da mídia (o que não quer dizer que a carreira dele tenha realmente acabado – essa é uma das ficções) permite uma visão edulcorada da história, Carlos Imperial manteve até o fim de sua existência uma trajetória de decadência, de esbórnia, de esculhambação, de escárnio em relação a moralidade e ao bom gosto. Carlos Imperial virou vereador, virou Jabba, Foi ele que descobriu e lançou Simonal, foi ele o formalizador da pilantragem, Imperial é quem montou o discurso do personagem. São dele os versos de “carango” que dão título ao filme. É dele (também) a história na música.
Os anos sessenta foram uma época de transição. Se por um lado você tinha os movimentos (ideológicos?) jovens e o rock se consolidando, por outro havia persistências dos mundos pops anteriores, com o cenário da música pop ainda contendo músicas basicamente instrumentais com apropriações bastante diluídas do jazz (vide Elevator Music para quem quiser aprofundar um pouco). Uma dessas, a nossa Bossa Nova, fez tabula rasa em relação à música brasileira anterior, reapropriando o samba e matando com o paradigma de cantores de vozeirão anteriores. A bossa nova era nova internacionalização do Brasil, o som de um Brasil novo, revolucionário…
… e já obsoleto. Pois durante os 60, lá fora, dois sons que se gestavam enquanto a bossa nova salvava provisoriamente o jazz como música pop construíram uma trajetória de hegemonia até o final dos 60: o rock, reapropriado pelos brancos (ingleses) e o soul/funk dos negros americanos. Assim na terra como no céu, no início dos 70 essas forças estavam aqui presentes.
Do ponto de vista social, se havia desde os 50 sinais de uma liberação sexual, ela não está plenamente consolidada nos 60. Os hippies são um experimento moral, a liberdade no sentido da experimentação moral Stuart Mill. Entre uma coisa e outra, tem-se o mundo do Rat Pack e do bachelor pad. O Rat Pack é Frank Sinatra e turma posando de playboys, Guinle e Rubirosa para as massas. Simonal é parte do equivalente nacional disso, incorporando, ao final dos 60, elementos do mundo jovem experimental de uma forma tão autêntica quanto o Tin Machine querendo ser o Pixies.
E como bom fanfarrão, lá está ele ao lado de ídolos do esporte, andando em carrão, fazendo a pose de comi deus e o mundo. Nice, mas naquela época o hip-hop ainda não havia sido inventado, e aquela atitude não causava mais a fascinação de algo semi-proibido, ousado.
Na segunda metade dos 60, entre várias outras coisas, acontecem quatro escolas que representam a morte desse blairismo que foi a bossa nova: a jovem guarda, a resistência do samba carioca, a Tropicália e os mineiros. As quatro foram movimentos jovens, sinceros e autênticos. Roberto Carlos, Paulinho da Viola, Caetano e Milton Nascimento: todos portadores de um discurso novo, criadores do seu próprio repertório. Todos associados a outros jovens, a estilos de vestir, a uma identidade. Até a metade dos 70, duas coisas vieram a se somar nesse quadro: os nordestinos e os Secos e Molhados. (deixo o MAU de fora porque as carreiras indiviuais que se seguem não fazem parte do mesmo conjunto, digamos assim)
A pergunta que fica é: qual o cantor que não tinha repertório próprio que sobreviveu? E não falo só daqui. Lá fora, que nome significativo do cenário pop do estilo de Simonal –cantor, sexo masculino, que não compõe seu próprio repertório, que canta “sucessos”, sobreviveu no mainstream no início dos setenta?
Na música-tema do Globo Cor Especial, de um mundo em que Emerson Fittipaldi (e não mais Pelé) era o novo grande herói nacional, a letra dizia “morcego velho, bangue-bangue de mentira, vocês já eram…”. Chico Anísio, quando foi fazer humor com música, pegou os baianos. O estilo de ser e cantar de Simonal não era mais relevante (como bem mostra essa análise do Tarik). Lâmina de Ocam, não preciso de “perseguição” para justificar seu desaparecimento. As forças do mercado e da moda cuidaram disso. Quando você faz um disco com o sintomático título de “olhaí balândro… é bufo no birrolho grinza!”, tentando voltar às raízes das quais você não faz mais parte (no caso, Os Originais do Samba), um samba que tinha pessoas autênticas, militantes, conectadas com a comunidade dos sambistas, como Paulinho e Martinho, pessoas realmente engraçadas como Mussum, you’re dead. Quando você tenta imitar um Jorge Bem passado, quando o próprio Jorge Ben começa a mudar para um nicho cada vez mais sofisticado e Bebeto assume o papel de genérico para as massas da fusão do samba com o soul do Ben, you’re dead. “… o nosso papo é alegria”, assim termina a música.
(Há dois caminhos quando você fica obsoleto: você fica no nicho (como nomes muito dignos e competentes de blues, jazz ou dance) ou migra para um caminho “popular”, onde a sua onda está chegando com atraso. Simonal não fez isso: sabia curtir, sabia cantar. Imperial fez, migrando da música para o cinema.)
Last but not least no argumento histórico, Simonal e turma faziam parte das cliques televisivas da Record e da Tupi. No início dos 70 a Globo (e seu padrão de qualidade) começa a se tornar hegemônica. É outra panela, sem nenhum compromisso afetivo com ele, muito pelo contrário. Mas obre isso eu não vou discorrer aqui. Leiam Na barriga da Baleia a tese de doutorado de Eduardo Henrique de Scoville, deliciosa em sua descrição do ambiente musical da época e da relação do padrão globo de qualidade com a música. Dela pode-se depreender de quanto a carreira de Simonal dependeu da televisão. Talvez por ali dê para se entender porque tanta gente responsável pela criação do Padrão Globo esteja dando depoimentos no filme. Complementando essa tese, uma olhada nesse paper de Eduardo Vicente permite uma boa compreensão de nosso mercado musical, e o entendimento claro do ponto do Tarik de Souza.
“O pop não poupa ninguém”. A evaporação de carreiras bem sucedidas por mudanças súbitas de mercado (Bee Gees na virada dos 70 e o Skid Row com o advento do grunge são belos exemplos disso) é o normal num mercado que está vivo e dinâmico.

b) A cena continua:
A narrativa: Simonal, num deslize, usa de seus contatos com pessoas da polícia que levarão um pobre contador a ser temporariamente “hospedado” pelos serviços de segurança da época. Isso serve de pretexto para uma perseguição racista conduzida por umas elites liberais de um blog, quer dizer, jornal alternativo, o Pasquim. E aí um complô silencioso das esquerdas destrói com aquele que era o maior ídolo popular que já existiu.
Bem, antes de mais nada tenho a dizer que tenho curiosidade o bastante para me lembrar de Chico Alves, e olha que nasci muito depois do acidente (uma década depois, um dos meus maiores amigos do segundo grau tinha o nome de Francisco em homenagem a Chico Alves. Seu pai chorara por três dias a morte do ídolo). Portanto, não vejo nada de tão extraordinário assim na cena do Maracanãzinho, onde eu vi rolideionaice, e muitos anos depois, vários shows.
Mas respondendo à pergunta do Chico Anísio, para ser informante você precisa estar dentro das paradas. E sinceramente, não me consta de Simonal ser Bruce Wayne ou Don Diego de la Veja. Ou Elia Kazan. Ali a personalidade era uma só. Portanto, como ele poderia entregar o que não sabia? Isso é óbvio. Não é a questão de ser “dedo-duro” no sentido estrito a conexão de Simonal com a ditadura. É o fato de que ele se beneficiava dela, que se beneficiou dela, em seu momento mais negro, mais do que qualquer outro nome de nossa música. “Simonal que estava certo, na razão do patropi”, diz a primeira estrofe de “take me back to Piauí”, a genial crítica de Juca Chavez a exaltação nacionalista daqueles anos. Juca Chavez que também gostava de carrões, mas não apenas de posar dentro deles. Nesse sentido, o filme não mente. Aliás, o filme não mente: ele interpreta, recorta. O que ele faz você inferir dali é que é equivocado.
Mas por que não, por exemplo, se entrar na questão da ida dele para a RCA? Peguemos essa entrevista com o André Midani feita pelo Pedro Alexandre Sanches:

PAS – No livro você passa muito de raspão pela história com Wilson Simonal, não? O que você fala no livro e acho que eu não sabia é que foi Marcos Lázaro (empresário, nos anos 60 e 70, de artistas como Roberto Carlos, Elis Regina e Simonal) a pessoa que intermediou a contratação dele pela Philips, a “pedido” da ditadura.
AM – Foi.
PAS – E aí foi do jeito que você relata, você levou o assunto Simonal para discussão no grupo de trabalho?
AM – Foi uma barra. Foi a primeira reunião. Hoje acho que faria de outra maneira. Na primeira reunião disse “olha, tenho um puta pepino aqui, achei que tinha que contratar o Simonal”. Zuenir Ventura me olhou de um jeito que me lembro até hoje.
PAS – Ninguém queria ele na gravadora mesmo? Você tinha me falado isso uma vez, eu tinha entendido que era o elenco da Philips que resistia. Eram então os membros do grupo de trabalho?
AM – Não, eu temia que pessoas como Chico, que são, ou eram, no sentido convencionalmente político, não no sentido pejorativo, mas no sentido da posição, me dissessem “olha, se um filho da puta vai entrar eu não fico”. Eu temia isso. Então cheguei ao grupo de trabalho e dizia: “Estou temendo isso, como é que eu faço?, o que faço?”. Foi assim.
PAS – Mas não aconteceu? Ninguém disse “ou ele ou eu”?
AM – Que eu me lembre não. Eu lembro que o Chico não ficou lá muito contente (ri).
PAS – Mas você explicou para a companhia, que era uma imposição da ditadura?
AM – É, eu tinha que ser um pouco discreto também, fazia entender que era adequado tomar essa decisão.

Vamos à discografia de Simonal: em 73, “Balândro” (Phillips); em 75, “Ninguém proíbe o amor” , RCA, sendo que a última faixa é de Chico Buarque (regravação de uma faixa do “Construção”! Em 77, “A vida é só prá cantar”,  um disco de tentativa de retornar ao passado, receita sempre infalível de fracasso comercial (o que não quer dizer que o disco seja ruim – na maioria das vezes as vaias tem maior qualidade que dezenas de milhares de pessoas num coro, sendo o QOTSA no rock in rio talvez o melhor exemplo recente disso). Fato é que entre 73 e 85, ele lançou um disco em cada ano impar. Boicotado, ao que me consta, sequer grava. Cabe lembrar que em 74 Chico gravou um álbum como cantor, “Sinal Fechado”. A censura não permitia mais a ele cantar suas próprias músicas…
Isso escapa ao filme. Ao invés de Chico Buarque, Chico Anísio é entrevistado. Procura-se a chave onde a luz é boa, não aonde caiu.
Em meados dos anos 70, quando Simonal tentava manter sua carreira de artista pop, Milton Nascimento, negro como ele, foi forçado a fazer um disco virtualmente instrumental. Gil passou uns anos sem lançar um LP, e quem tiver ouvido o CD “Cidade do Salvador” saberá a imensa qualidade do Gil fez naquela época. Taiguara gravou um disco sublime, disco que ouvi tem mais de uma década, tomando umas super bocks numa madrugada de verão em Portugal, disco devidamente recolhido no Brasil. E o Pasquim foi alvo de uma guerra. Enquanto isso, algumas pessoas, Wilson Simonal NÃO ERA UMA DELAS, se davam bem.
c) Brands:
Um personagem público muito querido tem sua vida de fanfarrão exposta. Ele usa de seus poderes para tentar descobrir coisas contra aquele que o revelou, um pobre coitado. O personagem público tem sua perspectiva de carreira destruída. Pallocci, o homem que seria presidente da república, e o caseiro que teve seu sigilo bancário violado.
Um personagem público muito querido nota estranhezas financeiros em meio à sua vida de fanfarrão. Cisma que seu contador o enganou e pede ajuda a uns amigos da polícia, que aplicam enhanced interrogation techniques no coitado. O personagem público tem sua carreira (em declínio) destruída.
O ano é 71. Imperial passara uma temporada preso uns anos antes. Erlon Chaves foi posto em seu lugar no ano anterior, por escandalizar a mulher de um general e o grande público. Tony Tornado teve usa carreira musical abortada, pois cá não havia espaço para Isaac Hayes em Watts. E Simonal pede ajuda a uns amigos para usar de seus poderes discricionários. Isso é o que, roteiro de filme passado na Europa nos anos 30? Se ele ficava neutro em relação ao que acontecia no país, será que ele não conseguia ver o que se passava justo ao seu lado?
Qual a confiança que você tem num político que move a máquina do mais poderoso dos ministérios para tentar desmoralizar um simples caseiro? Qual a confiança num artista que usa de seus contatos para “resolver” seus problemas com subordinados num momento em que pessoas próximas da classe artística estão sofrendo toda uma série de coerções e violências? Isso não é um lapso, um deslize. Isso é um risco. As pessoas são avessas a riscos.
Para que serve o filme, então? A agenda é simples. A Reforma quer vender o mito de uma esquerda má que perseguia pessoas. Uma esquerda que lutava contra a ditadura, coisa que ela fazia ao seu modo, levando o barco bem devagar no nevoeiro. E granjeando uma coisinha aqui e outra ali, um dia alguém ainda vai explorar essa relação deles com elementos do primeiro e do segundo escalão do governo Geisel. Os nepotes da bossa nova têm contas psicológicas a acertarem com o fato de terem seus talentosíssimos pais sumirem (ou caírem para funções menores) com as mudanças do fim dos sessenta. “O pop não poupa ninguém”, como disse um contemporâneo meu, menos sofisticado musicalmente que eles, mas com um belíssimo manejo da palavra cantada. E o povo da TV hegemônica tenta construir uma visão do mundo em que a sua responsabilidade no que se passou na época fosse bem menor do que realmente foi, e nisso não falo só dos benefícios que auferiram, mas nas carreiras que eles destruíram. Nesse sentido, cria-se ali uma útil ditabranda Simonal.
Antes de concluir, porém, a pilantragem. Pega-se um monte de pessoas sérias, sóbrias, bem maquiadas, fazendo o estilo culpa moral. As pessoas adoram gente culpada, confessante. Ponha-se Jaguar, com seu riso cínico e bêbado, meio afastado da câmera. Jaguar, um chargista genial, um herói do jornalismo desse país. O cara que apoiou Brizola enquanto Ziraldo apoiava mais um compromisso histórico da Reforma, Pasquim, 1982, a guerra da esquerda carioca nas páginas de um jornal alternativo. Ponha-se Jaguar, com seu riso cínico e bêbado, tentando criar um contexto em que o espectador saliva “olha que filho da puta, que não sente culpa~pelo coitado”. Manipulação. Alimento para reacionários como o RA, que, ao contrário do Hermê, eu me recuso a linkar. Isso é imperdoável no documentário.
Pode-se fazer bons documentários com personagens polêmicos, ambíguos em sua relação com o Mal. “The Wonderful, Horrible Life of Leni Riefenstahl”, por exemplo. “Simonal: ninguém sabe o duro que eu dei” não é um deles.

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64 Respostas to “Rebuilding the Simonal (dita)brand: Ninguém sabe à ditadura o que dei?”

  1. André Says:

    Samurai, em primeiro lugar parabéns por este post. Eu escrevi também sobre o documentário, mas sequer cheguei perto de tudo que você falou. Até porque não possuo erudição / conhecimento de MPB pra me aprofundar o tanto que você se aprofundou.
    Realmente temos de ver o documentário de modo crítico. Até escrevi lá no meu blog que faltou colocar o depoimentos dos artistas “engajados”. Uma coisa em especial me chamou a atenção: nos créditos, os diretores agradecem a vários “engajados” como Chico, Caetano, Gil… pô, por que estes caras não foram entrevistados? Ou será que se recusaram a falar sobre o tema Simonal? Pra mim, isso não ficou claro. Se eu tivesse dirigido aquilo ali, eu teria dito se o pessoal não quis falar mesmo e talvez o porquê disto.
    O próprio pessoal do Pasquim faz uma espécie de mea-culpa (se não me engano, Ziraldo até fala no poder da “circunstância” vivida). Mas este é o único contraponto mesmo. De resto, os depoimentos são favoráveis à Simonal (nem entremos no mérito se são verdadeiros ou não).
    Mas eu não achei o documentário de todo ruim não. Em primeiro lugar, a maioria das pessoas mais novas, como eu, desconhece Simonal. Nunca vi um CD dele em loja, por exemplo. Apresentá-lo a tal público é algo bem interessante. Segundo, ele traz o depoimento do contador, pra mim o ponto alto do filme. Eu mesmo disse, Simonal não é inocente: você não pode sair por aí mandando uma galera do DOPS dar uma surra em alguém, principalmente no auge da ditadura (e não vale dizer que o Simonal era um desentendido, que era ignorante, etc, etc). O próprio contador diz: “Eu não tive dó dele não. Ele me viu sendo torturado e nada fez”. Ou seja, Simonal fez um gesto inaceitável, merecia ter pago por ESTE gesto e não por supostamente ser informante da ditadura. Se alguém acha que foi bem feito ele ter se ferrado, mesmo que pelo crime errado, aí eu já discordo. Talvez refutar essa tese de que Simonal era informante dos milicos seja outro mérito do documentário.
    Enfim, como disse nos comentários do meu post, talvez o documentário tenha sido o pontapé inicial no assunto, que outros documentários venham na esteira. E pra minha geração, que nasceu mas não viveu sob a ditadura, colocar tal contexto em foco é mais do que importante. Até porque não podemos achar que aquilo ali foi pura e simplesmente uma ditabranda.
    Desculpa aí pelo grande comentário.

  2. samurainoutono Says:

    André, belo comentário.

    Mas sinceramente, acho que é moralmente mais grave você usar de seus contatos para “resolver” problemas privados do que usar de informação que você tenha para “defender” uma causa com a qual você publicamente coopera. E, no caso, tanto a seleção de 70 como a MPB foram campos da propaganda do regime militar, campos explícitos. Um informante é um problema quando ele está infiltrado no movimento (a atriz em “A vida dos outros”). Contato com a política de Simonal é tecer loas a MLK, coisa que eu não chamaria de tão radical assim, mesmo no final dos anos 60 e no regime militar. Eu me pergunto se a menção errada do Simonal como informante do DOPS não tenha sido uma forma de tentar livrar a cara dele no processo.

    Mas meu ponto é: não foi isso que acabou com a carreira dele. Isso pode ter feito muita gente da Zona Sul boicotá-lo, mas muita gente fez carreira a margem desse povo (por exemplo, Agnaldo Timóteo, um grande cantor, que um dia foi dos mais subversivos da história desse país, mas isso é outra história). Dê uma olhada no “Na barriga da baleia” que o ambiente no qual Simonal surge e desaparece está bem explicado ali.

    Quanto a conhecer a música dele, muitos caminhos levam você a conhecer coisas diferentes e interessantes. A questão, como diz o Taleb, é estar aberto à exposição aos bons cisnes negros. Por exemplo, se você sair no encalço dos discos listados na página do Luiz Américo, de onde vem alguns links lá em cima, você vai esbarrar em coisas espetaculares. Vá lá.

    • Paulo Says:

      “Para que serve o filme, então?
      A agenda é simples. A Reforma quer vender o mito de uma esquerda má que perseguia pessoas.”

      Meu caro, só quem tem peso na consiência é que enxerga essa serventia para esse belo documentário.

      O Simonal foi perseguido por uma patrulha ideológia de esquerda SIM. O Pasquim deu uma enorme “contribuição” para o linxamento desse grande artista SIM. Porém, além disso, o que o documentário mostra, mas vcs não enxergam (ou não querem enxergar) é que ele “conseguiu” ser ao mesmo tempo perseguido pela esquerda e pela direita.

      Pela direita reacionária e feudal, que via nele um “negro” atrevido, que “não sabia qual era o seu lugar”. A perseguição da esquerda foi, portanto, um prato cheio para tirar de cena e dos lares bem comportados esse ‘atrevido’, afinal, eles já tinham o Roberto Carlos…

      Já a esquerda, que queria derrubar uma ditadura para implementar outra, descarregou no infeliz todo seu ódio e repulsa a todo o horror imposto aos brasileiros que se opunham ao regime militar. Ele foi o bode expiatório perfeito.

      E outra, só um idiota para cair na conversa da Veja e do RA e ver no documentário uma propaganda anti-comunista.

      Como disse o Mário Prata em um belíssimo texto, “esquecemos de anistiar o Wilson Simonal”.

      Bem, a anistia parece que finalmente chegou. Falta agora a esquerda brasileira descer do pedestal e admitir que também cometeu injustiças.

  3. André Says:

    Samurai, você por um acaso é diretor ou estudante de cinema? Porque você poderia muito bem fazer um documentário apresentando este contraponto ao “Simonal – ninguém sabe o duro que dei”. Ou seja, expressando que a carreira dele acabou por outros motivos que não o de ser o suposto informante da ditadura. Eu gostaria de ver este contraponto nas telinhas e você pode ser o autor dele. Que tal?
    Brincadeiras à parte, temos dois pontos-de-vista. Creio que o seu mais bem fundamentado que o meu. O importante é que, ao vir aqui, aprendi um pouquinho mais sobre a MPB. Vou no encalço dos discos listados lá no Luiz Américo pra ver se tem alguma coisa da qual eu goste. Valeu pela dica.

    • samurainoutono Says:

      André, eu adoraria ter sido diretor/produtor de cinema (o que certamente me teria feito outra pessoa sem capacidade de articular o discurso acima), mas determinantes de classe me fizeram optar por uma área mais convencional, como economia e engenharia.

      Na exibição de um (apenas decente, mas decente) documentário dirigido pelo meu amigo Peter, “A grande partida: os anos de chumbo“, sugeri a ele um filme que evoluisse aquele material sob uma outra perspectiva: “This is my youth, tell me yours” (frase derivada do nome de um disco dos Manic Street Preachers), um filme que contasse a luta política com experiência de juventude, e que juntasse outras experiências de juventude da época. “Liberdade é uma calça velha, azul e desbotada, que você pode usar do jeito que quiser”, dizia um comercial de jeans da US Top na época. Vendo os velhinhos que foram torturados e perseguidos num debate que se seguiu à exibição do filme, me dei conta que havia ali mais do que a luta política em si, mas um drive de realização juvenil não muito diferente de bandas de rock, por exemplo.

      Outro documentário que eu gostaria de fazer, no melhor estilo Michael Moore, seria “Con(v)ivências”, em que se abordaria a história de pessoas de esquerda que se deram bem com a ditadura. Entre a ascenção de Geisel e a queda de Collor muita gente de “esquerda” se beneficiou de empregos, contratos etc. Contar essa história, é claro, não interessa nem a parte da esquerda, nem à direita de hoje. Mas explicaria o PPS, por exemplo.

      Meu pet project de cinema – fosse eu produtor – seria, a partir de Verdade Tropical, fazer um filme como “O Melhor da Juventude“. Há também duas histórias filmáveis que tenho em mente, que quem sabe um dia virarão conto/roteiro: uma adaptação perversa de Machado que saiu de uma conversa com uma brilhante amiga jornalista (sem cujo estímulo este blog não existiria), e outra uma história delicada de ruptura amorosa e busca espiritual, concebida em discussões com minha “afilhada”.

      PS: quando for ouvir o “Afro-sambas”, pegue também a versão da Monica Salmaso com o Paulo Bellinati. É uma bela recriação.

      • Felipe Says:

        Perfeito o comentário do que explica o PPS. Na sua (e minha também) área de atuação temos muitos exemplos disso.

  4. Simonal « Says:

    […] Às recém-nascidas víuvas de Simonal, recomendo vivamente este post do Samurai. […]

  5. ohermenauta Says:

    Samura,

    Sabemos que você é legendariamente criptico em suas citações e alusões, as quais em geral requerem uma ou duas vidas inteiras para serem compreendidas em toda sua completude. Mas realmente eu não alcancei o que têm a ver Carlos Imperial, Terzig Norgay e Intolerable Cruelty _ com o devido alerta de que não vi o filme, só li a sinopse.

  6. Diego Viana Says:

    Na verdade, o documentário deixa bem claro que, tendo ou não dedurado outras pessoas, Simonal declarou sim, em algo e bom som, que era amigo do pessoal do DOPS e que dedurava mesmo. O que o documentário tenta apresentar como contra-argumento (e provavelmente é verdade) é que Simonal não tinha muita noção do que isso implicava… Ou seja, pelo que diz o documentário, Simonal era “de direita” sem ser politizado… seria tudo resultado de uma bravata, em resumo. Cá entre nós, é uma hipótese plausível, mas que não vale uma absolvição, como quereriam os reinaldinhos da vida…

  7. Tiago Mesquita Says:

    Sobre o filme, só três coisas.
    1 O Nélson Motta fala horrores de quem boicotou o Simonaol, mas não explica porque ele não o contratava.
    2 Será que o Simonal, por mostrar o uso privado das forças de repressão não se tornou um incômodo para a ditadura?
    3 Quero ver alguém falar disso e me provar ao mencionar alguma coisa de alcance da lavra do cantor (para falar que intérpretes não tiveram importância, lembro de dois gigantes: João Gilberto e Maria Bethânia)
    http://guaciara.wordpress.com/2009/05/21/simonal-nao-era-assunto-pra-ninguem/

  8. André Monnerat Says:

    Samurai, pergunta de alguém que não viveu nada da época, conhece pouco a história… Entendi o que você diz, de que a carreira do Simonal já estava em decadência, ele provavelmente sumiria de qualquer jeito sem aquele caso com o contador, enfim. Mas você diz então que não houve um boicote ao Simonal, mesmo?

    Porque acabei de ler o livro do Midani, e a passagenzinha sobre o Simonal me chamou a atenção – justamente porque tinha acabado de ver o filme. E, nessa passagem, o Midani diz que ele estava “sofrendo um boicote implacável e sendo perseguido sem trégua pela imprensa como o dedo-duro mais hediondo do país”…

  9. Cássia Says:

    Samurai, quem é você?

  10. samurainoutono Says:

    André,

    não é questão de boicote ou não boicote. Se há uma regularidade no mundo pop é que carreiras – salvo muito raras exceções – são curtas. Vide a banda de maior sucesso dos anos 80 no Brasil, o RPM. Pelos idos de 86-87, Paulo Ricardo era o futuro Roberto Carlos. Foi? Por acaso você viu “Letra e Música”, um filme muito fofo com Hugh Grant e Drew Barrymore?

    Em segundo lugar: você trabalharia com um cara que poderia mandar você para o pau-de-arara se não fosse com sua cara? E com um cara que tivesse assumidamente praticado o sequestro e tortura de um funcionário?

    Nelson Motta por vezes é chegado num revisionismo, numa reinvenção, numa revisitação. Como diz o Tiago, por que Nelson Motta, Boni etc e tal que lá aparecem não contratavam Simonal? Talvez porque as cliques do padrão globo de qualidade não fossem as mesmas nas quais Simonal fora gestado. Talvez porque para alguém que fez o imperdível Mocidade Independente no raiar dos 80 não havia espaço para algo que era o passado do passado.

    E o Midani… bem, não o conheço tanto assim. Mas a primeira vez que me dei conta de sua existência foi quando meu supracitado amigo Chico me mostrou e explicou, 80/81, “conversa para boi dormir”, de Raul Seixas, na qual ele é “imortalizado”. É uma faixa do mesmo disco que tem “rock das aranhas”, do mais puro Raul. Fato é que ele contratou “voluntariamente” Simonal. E gravou e lançou discos dele. Outros não tiveram a mesma sorte. Midani é um cara de crucial importância no business musical brasileiro. mas as ambiguidades do que isso enventualmente significa ainda estão para ser exploradas. E certamente não em autobiografia.

  11. SOFIA Says:

    Samurai,
    Creio que vc escreveu o texto definitivo sobre o tema “Simonal”. A rigor, interessa muito pouco se ele compreendia ou não o que significava ter dois brutamontes do Dops trabalhando para ele. O que importa verdadeiramente é que em anos de chumbo, não era possível tê-lo ao lado e o que a esquerda fez foi avisar os companheiros do perigo que ele representava. Mas não destruiu a carreira dele. Não teria força para tanto. Se a tivesse, Sarney não estaria perpetuado seu domínio político sobre nós.
    Acho muito estranho que em tempos de mudança na Lei Rounet, entende-se, avaliação sobre as peças, filmes e eventos culturais que a Ancine aprovará investimentos e em tempos de sair por aí dizendo que no Brasil houve uma “ditabranda”, seja lançado um filme que muito mais do que contar a história de um cantor, iguala as ações de esquerda e de direita. Como se ambas fossem a mesma coisa.

  12. José Carlos dos Santos Says:

    Acho que na verdade o que ocorreu com o Simonal é que ele, assim como muitos artistas dos 60’s, não estavam preparados para o novo mundo Pop, em que as coisas são cíclicas e velozes, e o sistema de produção musical, gravadoras, rádios, etc. num dia endeusam um grupo de artistas, para mais a frente trocá-los por outros deuses, que serão trocados mais a frente, num modismo frenético de sempre estar “renovando” a cena musical, de modo a tocar ad nauseam um tipo de música, um grupo de artistas, para logo em seguida não tocá-los de maneira alguma. E muitos artistas não entenderam esse fato de num momento encher estádios e no outro não encher nem um bar.

    Hoje com a internet, e a facilidade de cada pessoa compor seu cartel de consumo de música, talvez ele não ficasse tão isolado, pois teria com certeza seu nicho, mas naqueles anos isso não existia.

    Abraços

    • samurainoutono Says:

      José Carlos,

      esse é um dos problemas do filme: o estádio não estava ali por causa dele. Estava ali porque havia um festival (promovido pela TV) e ele era a atração da hora do recreio. Garanto que Luciano Huck ou Angélica num festival da Globo poriam 30 mil pessoas para cantar um equivalente contemporâneo de “meu limão, meu limoeiro” (que eu amava cantada pelo Topo Gigio) mole.

      Ivete Sangalo cantando “Festa” é o exemplo que me vem a cabeça agora. Ponha 200 mil pessoas aonde você quiser no Brasil e elas farão coro para a Ivete em “festa”. O que não quer dizer que você porá 200 mil pessoas apenas para ver Ivete cantar “festa” (umas 60 mil, vá lá, especialmente se você juntar mais um monte de gente).

      No mais, é muito dificil para pessoas que estiveram no topo se convencer que seu lugar agora é a long tail.

  13. Hugo Carvalho Says:

    Meu Deus, um chato? Maravilhosa chatisse essa sua, Samurai.
    Belo texto. Com licença de um meu mestre: você estripou o texto, digo, filme.
    Parabéns.

  14. Mídia e Mídia « Blog Pra falar de coisas Says:

    […] Samurai no outono, que descobri via Idelber Avelar, post muito […]

  15. Hugo Albuquerque Says:

    Cheguei aqui via Idelber. Curiosamente, eu havia postado algo sobre o mesmo ontem – longe de ser tão preciso – e, sem dúvida, você matou a pau.

  16. Daniel Brazil Says:

    Bela análise, Samurai! Também escrevi sobre o cara, de forma mais sucinta.
    O mais ridículo do filme (que não é ruim), foi colocar o Chico Anysio perguntando “cadê os artistas denunciados por ele?”. Como se a polícia da ditadura entregasse para os artistas quem os tinha caguetado…
    Quem foi dedo-duro da “redentora”? Ninguém, claro! Os arquivos foram queimados, as provas não existem. Jamais saberemos se Simonal foi ou era um simples fanfarrão.
    Ou melhor: Tem gente que sabe. Quando Abelardo Figueiredo, rei da noite paulistana, armou um show de retorno do grande cantor, no final dos anos 70, teve o desgosto de ver Carlito Maia e Magaldi se levantarem, no meio da platéia, e gritarem “Dedo-duro! Cagueta!”. Constrangimento geral e fim de carreira para WS.
    Carlito Maia sabia. Magaldi também. Não estão mais aqui. Que tal perguntarem pros amigos deles, pra mulher, pros filhos? isso é investigação que se preze. Alguém se habilita?

    Abraço!

  17. Paulo Z Says:

    Cheguei aqui após você ter sido citado por Idelber.

    O assunto por você comentado é realmente interessante e as fontes são boas. Mas por tudo que já foi dito (neste revival de Simonal) dois raios parecem ter caído no mesmo lugar. Aparentemente Simonal foi atingido pelo humor do “mercado fonográfico” e pela sua própria fanfarronice. A quem interessou esse ocaso de Simonal, porém, ninguém, nem mesmo o filme esclarece!

    E começando pelo fim lembro que todos os artistas citados por você foram dependentes da televisão, para o bem ou para o mal.

    É curioso que a música nordestina nunca deixou de ser tocada na TV P&B. Presença ostensiva, secundária, embora muito maior do que referências diretas ao ‘Rat Pack’ (citado no texto). E foi neste segmento que Carlos Imperial, uma figura talvez mais controversa que Simonal, foi buscar a inspiração para afirmar que os Beatles iriam gravar “Asa Branca”. E o curioso é que a juventude que na mesma época embarcava no Rock, embarcou também na ‘dica’ de Imperial.

    Creio que apesar do seu esforço (e de suas fontes) a história da TV P&B continuará tão mal explicada como a ‘geladeira’ sofrida por Simonal. Alguns personagens poderiam talvez ser mais esclarecedores e menos preocupados em ficar “bem na foto”. E os analistas menos presos a certos mitos. No meu entender assuntos ainda estão em aberto. Saudações.

  18. Fábio Says:

    O Brasil jamais será Cuba!

    • samurainoutono Says:

      Não tenho tanta certeza, Fábio. Por exemplo, diz um expert amigo meu que as folhas de tabaco que há hoje na Bahia já tem qualidade bastante próxima das cubanas, muito embora o pessoal ainda não saiba enrolá-las direito. Nosso vólei feminino já não teme as cubanas. Nossos percussionistas também estão no mesmo nível. Tirando rum, medicina pública e um ou outro ritual de candomblé, já passamos Cuba.

      E sem esquecer que demos ao mundo um Raul Castro muito mais bonito que o original!

    • Claudio Manoel Says:

      querido,
      os filhos ou herdeiros dos nomes mencionados foram procurados. os grandes nomes da mpb também.
      todos “peidaram”.
      só isso ! o filme tomou a cara de quem topou falar sobre o tema. não tinhamos uma motivação inicial, algo a provar, tramas a desvendar. seguimos as conversas e fizemos uma pesquisa de profundidade incomparável em termos de documentários nacionais. procuramos amigos (muitos também não quiseram) e inimigos (quase todos recusaram, só jaguar, sergio cabral e ziraldo foram machos pra aceitar. boni também não era simpático ao simonal) não fizemos um inquérito. contamos a história que conseguimos recolher. como fiz todos os cheques, a “investigação que se preze” teve o tamanho das minhas possibildades. se vc topar ser sócio numa próxima empreitada. tamos aí.
      abração: claudio manoel – principal culpado pela “obra”.

      • samurainoutono Says:

        Salve Cláudio,

        muito honrado com sua presença, e no que puder lhe ajudar no futuro é só pedir. E manda um grande abraço para o Helinho e o Roberto Adler.
        Tendo em vista o post do Idelber, o post do PAS e esse seu comentário, há um a post adicional que devo fazer por esses dias.
        Abraços.

  19. zeca Says:

    Detesto desafinar no meio do coro dos contentes, mas vou fazê-lo. Não gostei do seu texto, samurai. Não sou conservador de direita e nem fã do Simonal (tenho 3 CDs do cara em casa, mas nunca escuto). Ainda não vi o filme, mas acho que posso comentar algumas passagens discutíveis do seu looooongo texto:

    1. Você acha mesmo que o álbum “A Nova Dimensão do Samba”, um disco excelente, o primeiro e melhor do Simonal, lançado em 1964, é inferior “aos discos de Gil, de Milton e de Roberto da época”? Milton só gravou seu primeiro álbum em 1967, assim como o Gil; considerando o ano de lançamento, só dá pra comparar o do Simonal com o É Proibido Fumar, do Roberto. Eu prefiro o do Roberto, mas você forçou a barra quando generalizou e colocou os discos do Simonal, do Gil e do Milton no mesmo pacote, como se fossem todos contemporâneos entre si.

    2. “Está estreando, com toda a babação da Globo que tem direito, um panfleto ficcional sob forma de documentário que visa, entre outras coisas, transformar Simonal numa espécie de mártir político.” Não vi o filme, mas até onde eu sei o documentário não omite o fato de que o Simonal foi um criminoso e que foi em grande parte responsável pela própria derrocada. O filme, creio, tenta antes de tudo recuperar a música do Simonal para as novas gerações.

    3. “Carlos Imperial manteve até o fim de sua existência uma trajetória de decadência, de esbórnia, de esculhambação, de escárnio em relação a moralidade e ao bom gosto.” Desde quando isso é um problema? Você é um moralista e patrulheiro do bom gosto?

    4. Você fala no rat pack do Sinatra, mas na segunda metade dos 60 o rat pack era coisa do passado, o velho Frank já estava em outra, pelo menos publicamente.

    5. “Simonal é parte do equivalente nacional disso, incorporando, ao final dos 60, elementos do mundo jovem experimental de uma forma tão autêntica quanto o Tin Machine querendo ser o Pixies.” Todos os artistas populares da época fizeram isso, tanto aqui como lá fora. Basta olhar os vídeos dos artistas de pop tradicional da virada dos 60 para os 70.

    6. “… quatro escolas que representam a morte desse blairismo que foi a bossa nova: a jovem guarda, a resistência do samba carioca, a Tropicália e os mineiros… Roberto Carlos, Paulinho da Viola, Caetano e Milton Nascimento: todos portadores de um discurso novo… Todos associados a outros jovens, a estilos de vestir, a uma identidade. Até a metade dos 70, duas coisas vieram a se somar nesse quadro: os nordestinos e os Secos e Molhados.” Você tem mesmo uma visão limitada da música popular brasileira dos 60 e 70, não é? Desde quando os Secos e Molhados equivalem por um “movimento” musical? Nada contra o grupo, mas acho que houve uma “ligeira” distorça aqui. Os S&M (foi de propósito) faziam parte de uma cena roqueira dos anos 70 que tinha muito mais gente: O Terço, Raul e outros. Se você só vê um nome onde devem haver mais, o problema é seu. Outra coisa: o discurso do Paulinho da Viola era novo, mas também era “velho”, de defesa da tradição do samba. E ele se associava com gente velha também, viu?

    7. “O estilo de ser e cantar de Simonal não era mais relevante (como bem mostra essa análise do Tarik).” Você vai me desculpar, mas o Tárik não é a melhor referência para julgar a música do Simonal. Ele é um elitista, só aprecia a obra das vacas sagradas e de divinas tetas da MPB.

    8. … “não preciso de “perseguição” para justificar seu desaparecimento. As forças do mercado e da moda cuidaram disso. Quando você faz um disco com o sintomático título de “olhaí balândro… é bufo no birrolho grinza!”, tentando voltar às raízes das quais você não faz mais parte…” Esse aí é o disco da Phillips, de 1973, ou seja, é posterior ao episódio do contador. Sutilmente, você misturou a afirmação de que o mercado descartou naturalmente o Simonal com a citação de um disco lançado quando ele estava sofrendo as consequências do ato criminoso que cometeu. Tendencioso, você?

    9. Seu texto é muito longo…

    10. “O pop não poupa ninguém”. Citação de Humberto Gessinger, um dos piores compositores da história da música popular desse país? Assim não dá, meu filho. Faz parte das suas referências culturais? Mesmo?

    11. “Portanto, não vejo nada de tão extraordinário assim na cena do Maracanãzinho, onde eu vi rolideionaice, e muitos anos depois, vários shows.” Vaidade, teu nome é “blogueiro”.

    12. “Simonal que estava certo, na razão do patropi”, diz a primeira estrofe de “take me back to Piauí”, a genial crítica de Juca Chavez a exaltação nacionalista daqueles anos.” Perfeita a menção ao Juca CHAVES. Chávez, com Z, é o maluco que governa a Venezuela.

    13. “Fato é que entre 73 e 85, ele lançou um disco em cada ano impar. Boicotado, ao que me consta, sequer grava.” Isso é verdade.

    14. “Isso escapa ao filme. Ao invés de Chico Buarque, Chico Anísio é entrevistado. Procura-se a chave onde a luz é boa, não aonde caiu.” Em geral, todos os documentários são assim, infelizmente. Se bem que eu acho que o Chico Buarque não teria muito a acrescentar ao documentário. O Caetano, sim.

    15. “Se ele (Simonal) ficava neutro em relação ao que acontecia no país, será que ele não conseguia ver o que se passava justo ao seu lado?” Muita gente não vê o que se passa ao seu próprio lado. É desculpa? Não é, mas acontece.

    16. ““O pop não poupa ninguém”, como disse um contemporâneo meu, menos sofisticado musicalmente que eles, mas com um belíssimo manejo da palavra cantada.” Elogio ao Humberto Gessinger?!? Abandonei você, samurai. Perdeu o crédito no meu cassino, desculpe.

    17. Digo novamente, não sou fã do Simonal, nem sou “de direita” (sou um esquerdista utópico), sou velho o bastante para lembrar dos horrores da ditadura. Só acho que o seu texto, samurai, dá umas escorregadelas cá e lá. Sim, o documentário pode ser uma peça preparada sobretudo pelos filhos do Simonal para reescrever a história e recuperar a imagem do pai. Se for assim, o filme será julgado e condenado pela história, tenho certeza. No entanto, eu me pergunto: a música do Simonal merece pagar ainda hoje pelo crime que ele cometeu? Merece mesmo? Respondam aí, claque…

  20. zeca Says:

    Meu texto tá cheio de erros, só agora eu vi. Foi digitado meio nas coxas. Chama o copidesque! [:P]

    • samurainoutono Says:

      1) A primeira comparação é com Afrosambas e com Samba Esquema Novo, meio que contemporâneos a A Nova Dimensão. Depois, a comparação é feita entre os Alegria, Alegria e os cantores citados, cujas obras a que me refiro são do final dos 60.
      2) Se você não viu o filme, não tem como entender parte significativa do argumento do texto.
      3) Não. Eles devem ser, porque Imperial mal é mencionado no filme. Se você não consegue entender que essa passagem é um elogio ao Imperial, paciência. E me recuso a usar ponto de ironia, mesmo quando ele for convencionado.
      4) As coisas cá chegam com atraso. Veja a new wave e o drum’n’bass, que chegram aqui quando estavam meio que esgotados (como postulantes ao mainstream) lá fora.
      5) O que não os torna menos fake.
      6) Minha leitura peculiar dos fatos é que os Secos e Molhados são parte de uma cena ipanemense, por assim dizer, que vai além da música. Sem Ney Matogrosso, imvho, muito do que foi a música dos 80 não teria a forma que tomou.
      7) Gosto do Tarik, que considero um bom jornalista. E a análise dele pode ser refletida nas vendagens. Vá nos textos citados.
      8 ) Os links estão lá para serem visitados. O disco de samba supracitado é a tentativa de mudar de estilo porque o estilo dele micou. Tanto que ele mudou de novo no disco seguinte.
      9) Sim. So what?
      10) Eu tinha essa mesma opinião na época (os 80). Com o passar dos anos percebi que há bastante coisa interessante ali.
      11) Não é vaidade. É lembrança de garoto da primeira visita ao maracanãzinho. Vaidade seria citar os shows que vi, o que sempre impressiona gente mais nova. Mas se pudesse voltar no tempo para ver alguma coisa no maracanãzinho seria para Gil e Rita Lee.
      12) Erros de digitação são cânonicos em blogs.
      13) concordamos!
      14) Pelo contrário. Ambos foram da mesma gravadora, e Chico teve o “prazer” de uma música gravada pelo Simonal em 75.
      15) Sinceramente, não creio que fosse o caso. Tem a entrevista do Paulo Vanzolini, que não tinha visto antes de escrver o post, por exemplo.
      16) “O papa é pop” e “Refrão de bolero”. Ouça sem preconceito apenas essas duas canções.
      17) A música não merece pagar. Mas não é disso que se trata o filme.

  21. zeca Says:

    Mais uma intervenção boba… samurai, em nenhum momento do seu texto você fala em racismo, ponto que tem sido levantado com regularidade na discussão sobre a derrocada do Simonal. É fato que o Simonal não se enquadrava no gênero “negro triste, humilde e coitadinho” que os brasileiros apreciam tanto. O cara era arrogante, cheio de si, era metido a malandro, não levava desaforo para casa e vivia cercado de mulheres brancas (ele obviamente “ficava” com a maioria). E ainda falou abertamente na questão racial através da música, ainda que seja apenas na canção Tributo ao Martin Luther King. Você, samurai, de forma malandra sacou Gil e Milton para comparar com o Simonal (o que achei injusto, já que esses dois são cantores E compositores). Pois bem. Gil só foi abordar diretamente a sua “negritude” (como ele mesmo disse) no disco Refavela, de 1977. Note que o disco foi lançado 10 anos depois do primeiro álbum do compositor baiano (Louvação, de 1967). E o Milton? Nunca abordou diretamente a questão do racismo em sua música nos anos 60 e 70. E é bom lembrar que o Gil tinha formação universitária, era instruído, um intelectual, e o Milton era um homem elegante, discreto e tímido, que jamais sacudiria as relações raciais brasileiras com sua figura discreta e com seu comportamento retraído.

    Seu texto sobre o Simonal, que muitos aqui consideraram “definitivo”, não é definitivo. Precisa de mais vitaminas e sais minerais.

    • samurainoutono Says:

      Sorry, mas fazer tributo a Martin Luther King, imho, é o tipo da coisa que não carrega nenhum significado mais forte, aida mais em 67.

      Entre 67 e 77 temos o que no Brasil? Censura. A obra cantada por Milton não tem referências de “negritude” até porque letras foram censuradas ou temas foram escondidos de forma que pudessem escapar pela censura. Aliás, um dos seus discos gravados lá fora nos 70 (sem ser na EMI brasileira) foi o Raça, que homenageia na faixa de abertura Monsueto, Grande Otelo, Naná etc.

      Milton era um cara que podia ter tido sua carreira acabada pela ditadura, que gravou o Milagre dos Peixes, onde a apenas 3 faixas permitiu-se a letra. Gil foi exilado e esteve preso. O fato dele ter educação sofisticada a meu ver põe mais em cheque a questão racial no país do que Simonal em seu Mercury. Simonal não era Erlon Chaves é o que tenho a dizer.

  22. marcos Says:

    é… os blogs de N Motta e Reinaldo botaram alcool na fogueira do documentario (que é tendencioso sim) .

    Por causa do blog fui ver o filme e fiquei abismado com o que vi contra o que li. Ummm… Reinaldo pode ser tão desinformador quanto ohermenauta.Bastaler a tolice sobre florestas e a MP.

    Independente dos palpites do samurai sobre musica e por que simonal sumiu do mercado ( tenho um cd dele cantando Jobim e acho que não funcionou) o filme dos filhos nos mostra que:

    a) simonal usou suas amizades com torturadores em beneficio proprio;
    b) eles usaram o carro e o motorista de simonal para sequestrar o contador na sua casa;
    c) Salvo engano, o cara foi torturado dentro do DOPS e assinou confissão formal, oficial, recebida por oficial;
    d) simonal esteve lá no dia seguinte e viu o contador torturado;
    e) quando fedeu, simonal reforçou o absurdo se dizendo amigo dos ôme;
    f) o contador foi acusado de terrorista e ontem ( aqui ) como hoje ( em qualquer lugar, menos aqui) isso é terrivel para o acusado;
    g) quando fedeu pra ditadura, investigador confirmou ser ele um informante, pois ficaria ruim um DOPS privado;
    h) o bem reagiu contra o mal;
    i) o mal pelo visto tentou mante-lo atuando, mas não livrou a cara dele.

    Por tudo isso, penso que Ziraldo disse a verdade, mesmo hoje ele sendo o bocó que é. Jaguar fez piada tola, mesmo tendo sido o “heroi” que foi por apoiar Brizola, que foi um merda.

    Enfim os dias eram assim; tinham que ser assim.

    Simonal confundiu o teatro que fazia com a malandragem e resolveu ser mau carater na hora, em local e com gente errada. Se sabia ou não pouco importa. O que importa é que ele sequestrou , torturou, ofendeu e humilhou uma pessoa.

    E convenhamos, a pergunta do Motta é indecente sobre isso!

    Quanto à questão da Reforma, etc e tal. Vc não é só burocrata, né? Existe uma Reforma, é? Legal, ela está certa.

    Penso que Reinaldo quebrou a cara, assim como Nelson Motta. Mas pelo menos eles tem nome.

    MAM

    • samurainoutono Says:

      Marcos, eu não disse que Jaguar foi herói por apoiar Brizola. Tanto ele quanto Ziraldo são heróis de nosso jornalismo. E em 1982, o Pasquim foi palco da guerra da esquerda “madura” carioca, em que parte estava com Miro, parte com Brizola. Apenas isso, de forma condensada, está dito ali.

      O termo “Reforma” (assim como “A Direita”), para os leitores que eventualmente não conhecem, era um apelido pejorativo dado pela esquerda ao Partidão. Em 1982 a turma do Casseta estava com Miro, o que exigia uma capacidade de duplipensar notável.

      Quanto ao anonimato meu e de Hermê, se é a isso que você se refere no final de seu comentário, eu diria que (da minha parte) é apenas uma opção não narcísica. E pelo fato que nós não termos nenhuma remuneração por nossas opiniões, não acho que o anonimato seja tão problemático assim.

  23. Roberto Says:

    Esse comentário do Zeca me lembra do cara que dizia que não tinha lido O Capital, mas sabia que o que dizia lá não funcionava.
    Pelo menos o dito sujeito de esquerda utópica poderia ver o filme para ver se as lacunas que ele cita não estão preenchidas lá no filme, talvez ele até entenda que um comentário sobre um filme não vive isolado sem o filme.
    Mesmo que se confirme que as lacunas não estão no filme, fica a dica: omita que não viu o filme quando for comentar, assim fica menos óbvia a sua vontade redentora.

  24. zeca Says:

    Roberto,

    em primeiro lugar, eu fui honesto ao dizer que não vi o filme. Se você gosta de mentir quando se manifesta, o problema é seu. Eu não vou omitir nada. Todos, ou melhor, quase todos os comentários que fiz sobre o texto do samurai, creio, dispensam o fato de eu ter assistido ao filme ou não. Não estou aqui para defender o Simonal, deixei isso bem claro, mas para discutir o texto do samurai. Ele apresentou respostas interessantes às questões que coloquei (não concordei com todas, claro). Note que nos pontos em que o samurai acha que a resposta a minha crítica reside no filme, ele sugere que eu vá ao cinema; nas outras, ele responde às minhas questões. Por seu turno, você, Roberto, foi preguiçoso: em vez de analisar o que escrevi e apresentar contra-argumentos, decidiu negar tudo em bloco de me chamar de “redentor de Simonal”. E sugeriu que eu seja mentiroso. Quer saber? Vou acatar sua sugestão e mentir agora: você tem moral para criticar o que escrevi. Talvez tenha moral até para criticar o tema que estamos analisando aqui.

    Gostou da mentirinha? [:P]

  25. zeca Says:

    “Marcos, eu não disse que Jaguar foi herói por apoiar Brizola. Tanto ele quanto Ziraldo são heróis de nosso jornalismo.”

    Heróis não existem.

  26. zeca Says:

    A idéia de que heróis existem provoca (ou é resultado de) uma leitura maniqueísta da história. No caso da história do Simonal, com o Pasquim, é óbvio que os caras do Pasquim estavam do lado certo da história, lutando contra a ditadura, em defesa das liberdades civis e da liberdadade de expressão. Ainda assim, eu acho que heróis não existem. Existem pessoas que fazem escolhas certas ou escolhas erradas. O Simonal, é claro, fez MUITAS escolhas erradas. E pagou por todas elas. Aliás, não pagou totalmente, visto que foi condenado a cinco anos de prisão pela agressão ao contador, mas cumpriu a pena em liberdade (talvez porque fosse uma figura pública, decadente, mas pública).

  27. zeca Says:

    Vamos lá:

    1) “A primeira comparação é com Afrosambas e com Samba Esquema Novo, meio que contemporâneos a A Nova Dimensão. Depois, a comparação é feita entre os Alegria, Alegria e os cantores citados, cujas obras a que me refiro são do final dos 60.”

    Você está fazendo essa distinção agora, a posteriori. Não está lá no seu texto. Meu comentário permanece.

    2) “Se você não viu o filme, não tem como entender parte significativa do argumento do texto.”

    Vou ver o filme e respondo essa. Aguarde.

    3) “Não. Eles devem ser, porque Imperial mal é mencionado no filme. Se você não consegue entender que essa passagem é um elogio ao Imperial, paciência. E me recuso a usar ponto de ironia, mesmo quando ele for convencionado.” Ok. Ficou zangado com a provocação? [:P]

    4) “As coisas cá chegam com atraso. Veja a new wave e o drum’n’bass, que chegram aqui quando estavam meio que esgotados (como postulantes ao mainstream) lá fora.” Não custava nada dizer isso no texto, não é mesmo? Quem lê o seu texto acha que o rat pack estava a pleno vapor na segunda metade dos 60, o que não é verdade. Um pouco de precisão histórica ajuda o leitor a compreender melhor o texto.

    5) “O que não os torna menos fake.”
    É, mas o seu texto faz o leitor pensar que só o Simonal incorporava “ao final dos 60, elementos do mundo jovem experimental de uma forma tão autêntica quanto o Tin Machine querendo ser o Pixies”. Na verdade, quase todos os artistas populares da época fizeram isso. Essa informação faltou no seu texto. O Simonal seguiu uma tendência.

    6) “Minha leitura peculiar dos fatos é que os Secos e Molhados são parte de uma cena ipanemense, por assim dizer, que vai além da música. Sem Ney Matogrosso, imvho, muito do que foi a música dos 80 não teria a forma que tomou.”

    A sua leitura é muito peculiar, com certeza. E é excludente. A música brasileira dos anos 60 e 70 foi muito além do recorte que você fez. Mas é sua leitura peculiar, portanto…

    7) “Gosto do Tarik, que considero um bom jornalista. E a análise dele pode ser refletida nas vendagens. Vá nos textos citados.”

    Você gosta do Tárik e isso diz muito sobre a sua leitura “peculiar” da música brasileira daquela época. Eu prefiro críticos de música com a mente mais arejada e menos comprometidos com o status quo da MPB. Um deles até foi mencionado no seu texto, o Pedro Alexandre Sanches.

    Quanto a ir aos textos citados… irei, PROFESSOR. [:P]

    8 ) “Os links estão lá para serem visitados. O disco de samba supracitado é a tentativa de mudar de estilo porque o estilo dele micou. Tanto que ele mudou de novo no disco seguinte.”

    Isso não explica a sutil manipulação que você fez nessa passagem do texto. Nem precisava lançar mão do expediente de citar um disco da fase decadente, “pós-escândalo” do Simonal para dizer que ele estava sendo descartado pelo mercado. Outra coisa: por mais que um artista “perca a mão” e deixe de fazer sucesso, é raro um artista que faz MUITO sucesso cair no ostracismo total de um ano para o outro. Falar só de injunções de mercado não basta. O crime que o Simonal cometeu contra o contador afetou a carreira dele de forma brutal. E tinha que afetar, já que se tratou de um crime bárbaro. Nesse ponto você superestima a análise frouxa e elitista do Tárik sobre a música do Simonal.

    9) “Sim. So what?” Foi uma piadinha, pô. Não posso brincar? [:P]

    10) “Eu tinha essa mesma opinião na época (os 80). Com o passar dos anos percebi que há bastante coisa interessante ali.” Você sofreu lobotomia recentemente? [:P]

    11) “Não é vaidade. É lembrança de garoto da primeira visita ao maracanãzinho. Vaidade seria citar os shows que vi, o que sempre impressiona gente mais nova. Mas se pudesse voltar no tempo para ver alguma coisa no maracanãzinho seria para Gil e Rita Lee.”

    É vaidade, sim. Assuma, faz bem pra pele. E eu vi Gil e Rita Lee em 1981 em um lugar parecido com o Maracanãzinho. E foi sensacional, claro.

    12) “Erros de digitação são cânonicos em blogs.”

    Hã… ok. Errar em texto de computador é a coisa mais fácil que há. Eu escrevo aos borbotões e sempre às pressas.

    13) “concordamos!” Tem coisa errada aqui! [:P]

    14) “Pelo contrário. Ambos foram da mesma gravadora, e Chico teve o “prazer” de uma música gravada pelo Simonal em 75.” Eu não disse que não seria legal a participação do Chico no filme, disse que o Caetano poderia dar um depoimento melhor. Por esses dias, o Caê disse que, em uma sessão de interrogatório, o agente do exército (ou do DOPS, não estou bem certo) que o “entrevistava” disse que o Simonal trabalhava para a ditadura militar. Esse depoimento do Caê é muito mais interessante do que qualquer coisa que o Chico possa dizer sobre o Simonal, creio.

    15) “Sinceramente, não creio que fosse o caso. Tem a entrevista do Paulo Vanzolini, que não tinha visto antes de escrver o post, por exemplo.”

    Aí é questão de interpretação. Quanto ao Vanzolini, bem, o cara tem opinião formada sobre o Simonal, não é mesmo?

    16) ““O papa é pop” e “Refrão de bolero”. Ouça sem preconceito apenas essas duas canções.” VADE RETRO! Mantenho meu preconceito neste caso em nome da sanidade mental. Eu retruco: ouça essas “coisas” com mais cuidado e retroceda ao juízo correto que você tinha delas nos anos 80.

    17) “A música não merece pagar. Mas não é disso que se trata o filme.”

    A música não merece pagar mesmo. Quanto ao filme, vou ter que assistir, não é?

    Agradeço a gentileza de responder item por item, samurai. Foi bacana. Mesmo com as opiniões divergentes.

    Um último recadinho para o tal Roberto (não vou deixar o cara em paz): siga o elegante exemplo do samurai na hora de responder a uma mensagem com a qual você não concorda, ok? É a opção saudável.

  28. zeca Says:

    “Sorry, mas fazer tributo a Martin Luther King, imho, é o tipo da coisa que não carrega nenhum significado mais forte, aida mais em 67.”

    Tem certeza? Mesmo? Muita gente discorda de você neste ponto. E a letra da canção faz mais do que falar no MLK, fala na luta racial de um jeito que pode ser muito bem estendido ao Brasil. Você lembra da letra da canção ou não?

    “Entre 67 e 77 temos o que no Brasil? Censura.” É mesmo, professor? Eu não sabia. [:P]

    “A obra cantada por Milton não tem referências de “negritude” até porque letras foram censuradas ou temas foram escondidos de forma que pudessem escapar pela censura.” Ah, não sei se esse argumento cabe, já que o Martinho da Vila (só para citar um exemplo) sempre falou na questão racial, mesmo na época da ditadura. O caso é que o Milton tinha ou parecia ter outras prioridades existenciais, estéticas, políticas e líricas. Veja bem, não estou detonando o Milton, de quem sou grande admirador, estou apenas apontando um fato.

    “Aliás, um dos seus discos gravados lá fora nos 70 (sem ser na EMI brasileira) foi o Raça, que homenageia na faixa de abertura Monsueto, Grande Otelo, Naná etc.”

    É uma canção muito bonita, mas fala em raça de maneira MUITO, MAS MUITO MAIS branda (olha a palavra maldita aí) do que a canção do canalha do Simonal (não estou sendo irônico, estou chamando o Simonal de canalha mesmo, por causa do crime que ele cometeu contra o contador).

    “Milton era um cara que podia ter tido sua carreira acabada pela ditadura, que gravou o Milagre dos Peixes, onde a apenas 3 faixas permitiu-se a letra.”

    Não precisa me dizer isso, professor, eu provavelmente ouvi o disco Milagre dos Peixes antes de você ser alfabetizado.

    “Gil foi exilado e esteve preso. O fato dele ter educação sofisticada a meu ver põe mais em cheque a questão racial no país do que Simonal em seu Mercury.”

    Você foi oblíquo aqui. Quando digo que o Gil teve educação, falo principalmente da origem social do Gil, que era diferente da do Simonal. Gil é produto da classe média, Simonal era pobre. Além do preconceito racial, há a questão do preconceito de classe. NÃO ESTOU DIZENDO QUE O SIMONAL FOI “DERRUBADO” PRINCIPALMENTE OU EXCLUSIVAMENTE POR CAUSA DE RACISMO (vou botar em maiúsculas pra ver se vocês entendem direitinho), MAS É POSSÍVEL PENSAR QUE HOUVE UMA PITADA DE PRECONCEITO, SOMADA AO JULGAMENTO PELO CRIME HEDIONDO CONTRA O CONTADOR E AO CENÁRIO POLÍTICO DA ÉPOCA, QUE ATUOU NA DERROCADA DO CANTOR. Se o Simonal fosse branco, teria caído como caiu?

    “Simonal não era Erlon Chaves é o que tenho a dizer.” Claro que não era. É por isso que tinham nomes diferentes. E o Erlon era mais cool. [:P]

    Dá pra desconsiderar totalmente a questão do preconceito racial do episódio Simonal como você fez em seu texto, samurai? É o que eu quero saber. E mais, digo DE NOVO, a comparação que você fez entre o Simonal, o Gil e o Milton é injusta, já que os dois últimos, além de excepcionais cantores, são (eram?) compositores de primeira linha. Talvez fosse mais interessante e mais adequado comparar a trajetória do Simonal com a de intérpretes como a Elis Regina (de quem sou fã). Há muitos pontos de contato na história dos dois.

  29. zeca Says:

    Terminei de ler agora uma entrevista do número 2 do Gil (pun intended) no Ministério da Cultura sobre o vergonhoso pedido de patrocínio da turnê do Caetano pela Lei Rouanet. Vai fazer algum texto sobre o assunto, samurai? Seria interessante. Vamos ver se você critica com desenvoltura um antigo “herói” da contracultura (epa, virei Humberto Gessinger agora?) que hoje é um burguês que, dentre outras “virtudes”, cultiva a de exercer o poder de demitir jornalistas que criticam o trabalho e a posição dele no status quo do Brasil. O Caetano foi responsável pela demissão de um jornalista da Folha de São Paulo, fato pra lá de conhecido por todo mundo que trabalha no meio. O que o jornalista fez? Falou mal de um disco e da influência artística do Caê sobre outros músicos brasileiros. Seria legal se você fizesse um texto sobre esse pedido de patrocínio da Lei Rouanet à turnê do Caê, samurai.

  30. Roberto Says:

    Zeca, o dito sujeito de esquerda utópica, ao se denominar ideologicamente e depois escrevendo já não se desmentiu em texto próprio? custa mentir mais um pouco?
    Quando eu lhe digo para mentir é pelo sentimento de vergonha alheia de ver alguém comentando sobre um filme que não viu num post sobre o filme. É o tipo de sinceridade que você deveria ter consigo antes de escrever algo.
    Não sei onde você é acostumado a escrever, mas nos lugares que costumo ler e frequentar só essas duas pérolas já são suficientes para jogar sua falsa erudição na latrina.
    Mas o pior é que tem lugares aonde por educação as pessoas não comentam o quanto acham ridículo este tipo de intervenção, aí o silêncio parece concordância quando na verdade é constrangimento.

  31. zeca Says:

    Roberto, falta de educação é insistir nesse blá-blá-blá xarope que você inventou por conveniência própria. Digo de novo, se você não tem elegância suficiente (e a escolha de palavras da sua manifestação deixa isso bem claro) para conduzir uma discussão, vá procurar o que fazer em outro lugar. O samurai respondeu de forma paciente e elegante as questões (algumas tolas, algumas razoáveis, algumas consequentes) que introduzi aqui. Se ele fez isso, é porque não achou que deveria jogar o que escrevi “na latrina”.

    Repito, não fui inconsistente do ponto de vista ideológico ao tentar discutir o texto do samurai. Será que só um antípoda ideológico pode fazer algum tipo de comentário negativo ou crítica ao que o samurai escreveu? Ah, mas tem que ter um propósito obscuro por trás da coisa toda, não é mesmo? No meu caso, posso dizer que meus comentários não foram motivados por algum programa ideológico nefasto ou pela vontade de recuperar a barbárie da ditadura. Se fiz críticas ao texto do samurai, foi para colaborar com a discussão e para tornar mais claros alguns pontos do texto que precisavam de mais atenção. Acho que a blindagem em torno de assuntos polêmicos pode ser perigosa e pode acabar em censura. Que é produto típico da ditadura. Discutir é sempre bom. Aprendi com as observações do samurai e espero que um ou outro ponto que levantei aqui possam ter contribuído para a discussão geral. Sei que um texto de blog não é rigoroso como um texto acadêmico. O que eu quis fazer foi acrescentar rigor e qualidade de informação a um texto que já tinha esses atributos.

    Quer colaborar em vez de ficar agredindo os outros à toa? Aponte a suposta inconsistência ideológica do que escrevi em vez de simplesmente ficar polarizando feito um neurastênico, Roberto.

    Você diz que sente vergonha por mim. Não sinta. Não há motivo para isso. Eu, no entanto, sinto vergonha por você, sobretudo por seu destempero verbal. Esse tipo de covardia próprio da internet, em que o ataque pessoal substitui a discussão saudável, é que é uma vergonha. Foi você que fez isso por aqui, Roberto, vista a carapuça. E vá passear pela rua com ela.

    E mais, custa mentir, sim. Se não custa pra você, bem, a afirmação parece ser um índice do seu caráter. Perceba que lhe concedo o benefício da dúvida quando digo “parece ser”. Eu sou um cara bem bonzinho, não é? [:P]

    Não vou estender esse bate-boca aqui, samurai. Só estou exercendo o meu direito de resposta. Não pretendo postar novamente neste tópico. Acho que já disse tudo o que tinha para dizer. De novo, agradeço a você, samurai, pela elegância com que respondeu aos meus comentários. Seria bom se os seus leitores seguissem o seu exemplo.

  32. Roberto Says:

    Eu não estou batendo boca, até pq já coloquei tudo que penso sobre chatos no comentário anterior.
    Não custa explicar que o Samurai é destas pessoas educadas que falei anteriormente, que latrina é até elegante quando se fala de um comentário sobre um filme que não se viu.
    Não existe agressão e sim constatação, ademais você deve considerar elegante entrar num blog e chamar os comentários de quem viu o filme e de quem concorda com o Samurai de ‘coro dos contentes’ já para se colocar como a opinião pertinente, então nos livre da vergonha alheia e vá ver o filme.
    Eu imagino que você possa realmente ser capaz de julgar tudo que eu sou por dois comentários, todo seu desfile de virtudes em relação a minha pessoa me deixa preocupado, afinal vem de alguém que comenta um filme sem ter visto.
    Mas me diga se não é de sentir vergonha de alguém que faz comentários extensos de um filme que não viu e entre eles nos coroa com esta pérola:
    ‘9. Seu texto é muito longo…’
    Sério mesmo? além de não ver o filme, e de usar uma retórica que precisa de explicação(sou de esquerda utópica), ainda no brinda com reclamações do tamanho do texto de um blog que ninguém o obrigou a acessar, mas é lógico que foi longo o texto, sem ver o filme e sem ter lido o post você já sabia o que ia escrever, deve ser ruim ter que ler um texto longo.
    Mas já que vc gosta tanto de comentar, lhe sugiro os testes de cerveja que o http://www.futepoca.com.br realiza, vai ser bem interessante ler seus comentários a respeito de cervejas que você não bebeu.

  33. Antonio Pedro Says:

    Ah, então está certo. A carreira dele ia acabar mesmo, de qualquer jeito…

  34. zeca Says:

    Roberto, seu bobão (voltei…), o “seu texto é muito longo” foi uma piadinha. Se você não entendeu, problema seu.

    Houve agressão, sim. Obviamente, você, com toda a sua falta de educação, não percebeu.

    Mais uma coisa (vou escrever em caixa alta pra ver se você finalmente entende): O TEXTO DO SAMURAI NÃO FAZ COMENTÁRIOS SOMENTE SOBRE O FILME, MAS TAMBÉM SOBRE A MÚSICA DO SIMONAL, SOBRE A MPB EM GERAL E SOBRE O PERÍODO HISTÓRICO EM QUE TUDO ACONTECEU. HÁ OPINIÕES DO SAMURAI REGISTRADAS NO TEXTO QUE, SIM, PODEM SER COMENTADAS SEM QUE SE TENHA VISTO O FILME. DIGO DE NOVO, NÃO ESTOU COMENTANDO O FILME, MAS O TEXTO, OU MELHOR, CERTAS PASSAGENS DO TEXTO (QUE EU SELECIONEI). Se você, Roberto, sujeito bem educado e esperto, não percebeu isso, então você não leu direito o texto do samurai. E nem as minhas intervenções (mas isto está bem claro para mim). Sugiro que você leia o texto do samurai de novo. Você não deve isso a mim, mas a ele. E a você mesmo.

    Vou até escrever mais uma vez, pra ver se o Roberto entende (ele é meio lento, sabe como é): O TEXTO DO SAMURAI NÃO FAZ COMENTÁRIOS SOMENTE SOBRE O FILME, MAS TAMBÉM SOBRE A MÚSICA DO SIMONAL, SOBRE A MPB EM GERAL E SOBRE O PERÍODO HISTÓRICO EM QUE TUDO ACONTECEU. HÁ OPINIÕES DO SAMURAI REGISTRADAS NO TEXTO QUE, SIM, PODEM SER COMENTADAS SEM QUE SE TENHA VISTO O FILME. DIGO DE NOVO, NÃO ESTOU COMENTANDO O FILME, MAS O TEXTO, OU MELHOR, CERTAS PASSAGENS DO TEXTO (QUE EU SELECIONEI).

    Ficou claro? Claro que não. Você, Roberto, deve ser daquele tipo de chato que quer sempre ter a última palavra. Vai mandar uma respostinha “esperta”, tenho certeza. E sem ter lido direito o que escrevi aqui, como sempre. Deve ser vítima do distúrbio de déficit de atenção, o coitadinho.

    • samurainoutono Says:

      Zeca,

      não creio que o Roberto tenha sido indelicado ou agressivo. Por favor, não me faça convocar Anyanka. Tomemos nosso chopp em paz.

      BTW, votei na eleição de 82. Isto quer dizer que não sou tão novo assim.

  35. zeca Says:

    Ah, certo. Não importa o que eu diga, o problema sou eu (ou está do meu lado da cerca). Ok. Entendi.

    O Roberto foi indelicado e agressivo, sim. Mas ele faz parte da “turma”, então tem passe livre, diz o quer quer e fica tudo bem. I rest my case.

    Agradeço a você, samurai, pelo tempo que perdeu comigo. Mas acho que a sua comunidade aqui é muito defensiva, não admite “corpos estranhos”, ainda que esses corpos sejam do mesmo campo ideológico ou de campos afins. Haverá discussão verdadeira sem outros pontos de vista e sem qualquer tipo de crítica? Ou só vai haver aplauso e bajulação? A resposta está com você e com a sua “turma”. Ah, e nem precisa “convocar Anyanka” (deve ser uma ameça de expulsão, não é? O organismo se defende…), porque não pretendo postar mais nada por aqui. Prefiro frequentar ambientes em que a discussão é aberta e democrática e nos quais não tenho que encarar bullying dos Robertos da vida e “espírito de corpo”. Fui nessa. Fiquem em paz.

    • samurainoutono Says:

      Relaxa Zeca.

      Não há turmas aqui, nem comunidade.
      Apenas ande com calma sobre a seda de arroz para não rasgá-la. E NÂO USE MAIÚSCULAS!

  36. Marcos_BsB Says:

    PQP hein, cara. Excelente essa análise.

  37. docontra Says:

    Excelente análise…lúcida…

  38. Luciano Says:

    Quem é Simonal??

  39. Luciano Says:

    É da época da Tippy, a boneca que vinha com velocípede?

  40. Claudio Manoel Says:

    Prezado Samurai,

    Óbvio que discordo de quase tudo, (menos da sua historiografia da MPBrasil do “período”. Sem dúvida nenhuma, brilhante).
    Não tenho problema em surfar no teu blog nem no do Reinaldo. Não sou de igreja. Gosto da boa conversa.

    Botei seu link no meu humilde blog… afinal “falem mal… mas falem bem!”
    Abração
    Claudio Manoel

    http://tvglobo.casseta.globo.com/claudio-manoel/

  41. juca Says:

    Um mar de boas palavras e um duelo verbal, mental e vaidoso, que transcende ao que foi, quase sempre de forma inteligente e clara, colocado aqui , tanto no post quanto nas réplicas e tréplicas. Resta uma súplica , pra manter a métrica, utilizando-se – perdoem-me, nobres colegas – de palavras profanadas, digo, proferidas em letra gestada pelo atual “mago” Coelho na encarnação em que ainda andava ombreado ao Demo a.k.a. Raul Seixas: “assim dessa maneira, nêgo, Chicago não aguenta!” Tanta justificativa torna uma leitura “nutritiva” um tanto árida. Cansa, “bróder”.

    Mesmo assim, é bom ver que há inteligência efervescendo online, ainda.

    Samurai san, lerei a tese, me interessou demais. Valeu o link.

  42. juca Says:

    Ps: Não sou o Tarik mas, a cerca de Imyra Tayra Ipi citado, na minha modesta opinião, uma das mais belas obras da música brasileira contemporanea, informo, a quem interessar possa, que só há matriz disponível no Japão, é uma raridade, um biscoito fino que merece ter, um dia, seu lugar revisto no panteão dos grandes discos da m(p)b. Ali houve também, uma nítida ação repressiva sobre o artista, um grande artista, que estava dando uma guinada promissora em sua vida e carreira. Peguei bonde no estribo com Taiguara em Santa Tereza nos early 80s, várias vezes. Nunca tive a coragem de perguntar-lhe sobre aquele magnífico disco, “desaparecido” pelo sistema, pelo seu conteúdo poético, digamos, instigante. (Tenho pudor com a palavra revolucionário nestes casos). Lamento não tê-lo feito. Bem citado também o caso do Milagre dos Peixes, creio que contemporaneo do Imira… Foi por aí.

    • samurainoutono Says:

      Como disse, ouvi em Portugal, em vinil. Maravilhoso.
      Um absurdo não ter sido relançado, mas é aquela coisa, levei séculos para conseguir o Na Quadrada das Águas Perdidas em CD.
      Adoro Taiguara. Era um bom cantor, e um ótimo compositor – como pode ser percebido com ele sendo cantado por Antônio Marcos, por exemplo.

  43. Paulo Cesar Rodrigues Says:

    Eu achei muito bom este artigo. Você falou sobre coisas que me incomodaram muito.
    Agora gostaria de falar uma coisa que é muito chata, certas pessoas não envelhecem, apodrecem. Nelson Motta é uma delas. Nos anos 60 e 70 se alinhou com as pessoas de esquerda porque era a moda entre os intelectuais. Agora surfa na onda neo liberal e se alinha com o pessoal mais atrasado da direita, como se eles fossem a vanguarda dos novos tempos.
    Na verdade é o velho oprotunismo mostrando as caras

  44. De volta à vida real « A VOLTA DOS QUE NÃO FORAM Says:

    […] que tentei falar no post, elogiando o documentário por apresentar tal ponto de vista. O Samurai já tinha apresentado uma tese interessante sobre o documentário, o que, quando comentei por lá, disse que daria material para um outro documentário. Mas, enfim, […]

  45. Paulo Z Says:

    Reli seu texto e creio que no ponto em que você fala das emissoras Record, Tupi e Globo (esta última a “panela” sem compromisso com Simonal) e deixa este caminho, acaba por perder a possibilidade de um fechamento que se baseie apenas na ‘pilantragem’. É uma pena. Saudações.

    • samurainoutono Says:

      Paulo,

      foi proposital. Avancei pouco no texto ali para induzir as pessoas a irem lá ler Na Barriga da Baleia (que, diga-se de passagem, usa uma das minhas músicas favoritas do período, “Mestre Jonas” como inspiração. Experimente pôr “mestre jonas” numa festa, funciona divinamente).
      No mais, causas coexistem, cooperam.
      Grato pelo comentário.

  46. Oswaldo Says:

    Samurai, acho uma pena voce nao linkar o RA. Se eu fosse assim um tio Rei, linkava voce. Tu escreves bem pacas… Agradeça ao Claudio Manoel: só cheguei a voce graças a ele.

    Com relação a nossa “ditabranda”, permita-me parafrasear o George Orwell: “Todas as ditaduras são duras, mas algumas são mais duras do que as outras”. Precisa exemplificar?

    Abraço!
    ps: se eu começar um blog, avisarei voce.

  47. A segunda vinda de Wilson Simonal - Trabalho Sujo - OESQUEMA Says:

    […] o tom revisionista incitado pelo documentário deu origem a três bons textos sobre o caso, um do Samurai Noutono, outro do Idelber Avelar e um terceiro do Pedro Alexandre Sanches. Nem vou entrar na questão, […]

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