Javier wasn’t there …

Não porei links aqui, pois eles são legião neste tópico. Há quem acredite que o melhor jogador do mundo é hoje um argentino. E de fato, as atuações de Messi tem sido maravilhosas, como o desmantelamente do Bayern no primeiro tempo do jogo de ontem (ao qual voltarei depois). Mas das 4 partidas dessas quartas de final da Champions League, a mais notável foi a vitória do Chelsea em Anfield, vitória que se deveu ao fato de que o melhor jogador da temporada não estava em campo. Em 2003 Menotti deu uma polêmica declaração que Makelele era um jogador melhor que Ronaldo (por si só esse link vale uma bela análise, que farei em adendo abaixo). Mascherano, outro argentino, é hoje o melhor jogador do mundo. Mas só a jogada do craque aparece: a evidência silenciosa das jogadas geniais do craque que não aconteceram não dá no show da rodada.

Mascherano não estava lá. Gerrard, que a mídia inglesa acredita(va) que poderia ganhar o título de melhor jogador da temporada, estava. Gerrard teve uma atuação medíocre e apagada. Culpa de Essien, certamente, muito embora na final do ano passado ele não tenha sido o suficiente para neutralizar Cristiano Ronaldo: Joe Cole e Ballack tiveram que vir no segundo tempo a cerrar a marcação sobre o avatar de Cruyff. Mas Essien, voltando de uma longa contusão e portanto sem estar ainda 100%, conseguiu dar cabo de Gerrard e ainda ser o foco central do meio campo do Chelsea. Foi o melhor jogador em campo pelo impressionante conjunto da obra, e não por momentos específicos. E se Gerrard estava reduzido ao seu brilho técnico de nulidade tática, não foi só Essien que se fez presente no Chelsea: Ballack mostrou porque é um dos melhores jogadores do mundo, numa partida séria tanto do ponto de vista da criação quanto de marcação. Malouda finalmente estreou pelo Chelsea depois de quase 2 anos. Kalou mostrou porque a sua não convocação por conta de uma ministra reacionária foi uma das causas da perdição da Holanda em 2006. E Ivanovic foi um capítulo à parte.

No primeiro gol, enquanto todos estavam parados, ele correu até o ponto ensaiado para cabecear, ziguezagueando entre os jogadores do Liverpool. No segundo, Gerrard estava dormindo, como acontece numa frequência acima do aceitável. O comentarista da ESPN falava o tempo todo de Ivanovic como improvisado na posição de lateral direito. Não sei onde esses idiotas buscam suas informações, mas tenho a dizer que no FM-2008 Ivanovic aparece como verde-claro para fullback direito e verde-escuro para beque central, e wing-back direito (se você for com o editor no banco de dados, ele tem 19 para ambas essas posições, e 20 para lateral direito).

E sobre comentaristas, tenho a dizer que dessa vez a pergunta sobre se “Lucas teria vaga no time titular do Liverpool” não foi feita por nenhum animal auto-entitulado telespectador. Pois qualquer um que vir o jogo entenderá que Lucas não tem vaga de titular em nenhum time que esteja disputando as quartas da Champions. Definitivamente, meu centro de seleção hoje é Josué e Denilson, que tem provado nas partidas do Arsenal ter maturidade, passe e disposição tática que uma década de jogadores brasileiros mais velhos que ele não tem.

Mas voltando aos jogos, o São Paulo do chauvinismo alemão foi trucidado no Nou Camp. Apesar da cegueira do juiz e de sua baixa disposição de dar cartões para o faltoso time do Bayern. Apesar do Barça ter aliviado no segundo tempo. Apesar de Zé Roberto e Ribery terem tentado alguma coisa. Ali pode se ver que Breno tem tudo para ser um jogador campeão pelo Brasil como o foram Roque Junior e Márcio Santos. Que Demichelis possivelmente quebrou o record intenacional de goleadas sortidas consecutivas (eliminatórias, bundesliga e champions em uma semana, antes da Páscoa, um feito que nem a Garoto, a Lacta ou a Nestlé – ou mesmo meu Botafogo – seriam capazes de repetir). O Bayern, que conseguiu o resultado que conseguiu contra o Sporting com um pequeno auxílio de falhas de interpretação da arbitragem, tomou consciência da realidade de seu time. Sem Lúcio e/ou Van Buyten na zaga não vão a lugar nenhum.

O Porto jogou uma partida brilhante contra o Manchester. O raio dos tripeiros tem uma versão sem pontaria – mas com mais velocidade e habilidade – do Júlio Baptista na pessoa do Hulk. Tiveram uma atuação impecável do Fernando e do Lucho Gonzales, jogador que seria meu Zinho fosse eu o técnico da Argentina. Não vai ser impossível (até porque vai ser difícil uma atuação tão nula como foi a do Scholes) o Manchester obter uma vitória contra o Porto, mas que vai ser dificil, vai. And by the way, lembrete: nada de zagueiros com nome começando com “Br”. Dá azar.

Last but not least, Villareal e Arsenal fizeram um belo joguinho, um tempo e um tento para cada um. E que tentos! Tanto Marcos Senna quanto Adebayor puxaram um gol ex machina da cartola . Ambos os times são redondos, equilibrados, e com um futebol leve e jovial. Tudo pode acontecer na quarta no Emirates.

Até lá.

 

Adendo:

nessa mesma época de 2003, o Real foi visitar o Manchester em Old Trattford. Aquela foi, de fato, a última vez que Ronaldo foi o Fenômeno. Talvez sua maior partida: três gols fora, no estádio onde a final da Champions League viria a ser disputada, eliminando o time da casa e sendo ovacionado no maior estádio da Inglaterra. Mas um mês depois, era a Juventus de Pavel Nedved que se dirigia à final. E como Nedved não estava lá, deu Milan. Nedved: e não Ronaldo, Zidane, Makelele – foi o grande jogador daquela temporada. Dele foi a Bola de Ouro de 2003.

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2 Respostas to “Javier wasn’t there …”

  1. NPTO Says:

    Esse jogo de 2003 talvez tenha sido o melhor jogo que eu vi na vida. Eu assisti na BBC, e cada vez que o United fazia um, o Ronaldo fazia outro, até que o locutor disse “ele não vai parar de fazer isso, não é?”. E ainda teve outro detalhe: era a despedida do Beckham, que só entrou no final e fez dois gols. Jogaço.

  2. ohermenauta Says:

    Eu, que não estou nem aí para futebol, fico me perguntando porque você não escreve mais sobre a sua verdadeira paixão, a música.

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