Archive for março \27\UTC 2009

O pré-açucar

março 27, 2009

imvho, não será o pré-sal a redenção energética brasileira, mas a eventual introdução de fuel-cells a base de etanol. O etanol é muito mais seguro que o hidrogênio, muito mais fácil de produzir e estocar, e é nosso.

Esta notícia mostra um passo importante nessa direção. Talvez daqui a 20 anos os motores otto sejam só peças de coleção.

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O problema não é o consumidor

março 26, 2009

Hillary vem nos dizer que o consumidor americano é o culpado pelos problemas que o tráfico está provocando no México. Sorry, but that’s wrong. O problema não está no consumidor, está nos 8 anos em que um governo da NRA permitiu o livre comércio de armas leves. O problema não está no consumidor, mas está na inovação/desregulação financeira em larga escala. Culpar o consumidor é não reconhecer que o que dá essa dimensão ao tráfico é a possibilidade de obter um alfa que só o olhar “impreciso” do estado permite. Lembrem-se que o vizinho de Senado de Hillary, grande lutador pelos interesses de Wall Street, foi dos que perdeu grana com o Maddof.

tudo isso e mais

março 24, 2009

Não há palavras capazes de descrever o que foi o show do Radiohead. E não pensem que dá para se entender o que é vendo numa TV. É como ver Caçadores da Arca Perdida ou Imensidão Azul numa TV, ou escutar o Master of Puppets baixinho numa biblioteca.

O show do Kraftwerk foi superior ao de anos atrás. A mesma coisa, mas um pouco melhor. Algumas músicas tiveram versões daftpunkizadas, o original copiando a cópia, o que por vezes funciona. Por outro lado, digamos que eles poderiam ter algum trabalhinho para customizar o show para o Brasil. Por exemplo: “Radioactivity” foi feita de uma forma muito interessante, com a inclusão de alguns eventos nucleares. O problema é que Sellafield tem sentido na luta inglesa mas nenhum significado no imaginário brasileiro. No entanto, tivemos aqui Goiânia. Um pouco de pesquisa, um substituição de palavra, uma menção a césio-137 na tela, e pronto! Uma versão originalíssima da música, coisa para dezenas de milhares de hits de youtube em um mês. Mas é aquela coisa: você olha prá eles é fica se perguntado qual deles é o infiltrado pela Stasi. E o tempo verbal é exatamente este: “é”.

Sinceramente, meu sonho de show do Kraftwerk seria vê-los andando de bicicleta junto com a cyclofônica do genial professor Leonardo Fuks executando “Tour de France” em meio à platéia.

Os Loser Manos, que dizer, Los Hermanos, provam a tese de que mais vale um Hermano (Vianna) falando do que Los Hermanos tocando. “House of cards”, do Radiohead, é tudo que aqueles iê-iê-iês deveriam ser. A grande maioria da platéia gostou: aquelas pobre crianças sabiam cantar todas as músicas. Mas havia outros sacanas como eu debochando daquela profundidade de piscina inflável.

No mais, Hermê fez falta. No cercadinho da torre da mesa de som estava Diogo Mainardi.

E foi isso.

Ná ontem; Radiohead hoje

março 20, 2009

Ontem um show fabuloso de Ná Ozzeti. Meses atrás vi um show de Vânia Bastos, outra ícone da vanguarda paulista dos 80. Aquele um show medíocre, karaoquê de repertório mal escolhido e obviamente executado. Vânia querendo ser Tetê. Ontem, no entanto, um show magnífico, com uma versão de “fé cega faca amolada” tão surpreendente quanto a de “hey joe” do Robert Plant. Repertório fofo, com classe, bem executado, sem cair no excesso de curadoria dos shows da igualmente fabulosa Monica Salmaso. Mesmo o vestido era espetacular.

Situação fantástica: havia um cara na platéia cantando junto com ela, como se fosse um delay desafinado. Em “estopim”, isso ficou muito engraçado, já que a música tem uma melodia, por assim dizer, estranha. Lá pelo meio da música, ela, que estava rindo vez por outra, caiu na gargalhada, interrompeu a execução, e aí cantou de novo sem “delay”.

 

Hoje, Los Hermanos, Kraftwerk, Radiohead.

Los Hermanos é uma banda interessante, mas como diz um amigo meu, tudo ali é iê-iê-iê. É como se a jovem guarda tivesse ouvido Weezer.

Fui uma das raras pessoas que não gostou do show do Kraftwerk lá no MAM. Não que não tenha sido bom. Mas não surpreendeu. Não correu riscos. Banda cover deles mesmos, o Kraftwerk nem se dá ao trabalho de criar obras medíocres para se justificar como banda em atividade, como os Stones. Repete-se. O problema é que o que foi futuro até meados dos 80 tornou-se ainda mais kitsch.

Radiohead é uma das bandas de minha devoção. Não vou citar nomes aqui, mas estava eu no aniversário de um amigo jornalista, notável jornalista de cultura, dezembro de 96. Churrasco, pessoas conversando, fiz um elogio a escolha de “creep” para o bis do show do Tears for Fears recém-acontecido. Um amigo desse cara, outro jornalista musical de um jornal grande circulação carioca, cacete pela terceira geração, tacou o pau dizendo que er aum absurdo uma banda como o Tears for Fears tocar uma música de uma banda medíocre como o Radiohead. Eu argumentei que “The Bends era o mais interessante album daquela horda do britpop. Uns 3 meses depois, Ok Computer conquistava o mundo. Bem, nem todos os jornalistas de rock tem o cérebro de um Luis Carlos Mansur, de um Dapieve, de um Essinger…

Mas, voltando, o Radiohead se apresenta hoje. Se não são mais o novo novo como foram quando trouxeram elementos do som da Warp e da Mo Wax para o grande público (particularmente, acho o Kid A tão inovador quanto o Achtung Baby! – novos para o rock, óbvios para quem estava imerso em outras pequenas cenas de cada época, e absolutamente belos), são uma banda que consegue criar e executar peças de profunda beleza. Há atividade tectônica ainda.

Até lá.

Deep Thought

março 10, 2009

Finalmente a Veja revelou que Protógenes é Keyser Soze.