Archive for janeiro \30\UTC 2009

Oi!

janeiro 30, 2009

Enquanto Paris reedita seu esporte nacional, coisas mais sombrias acontecem do outro lado do Canal. Será isso a feiler faster aplicada ao processo histórico descrito nesse artigo do Evans-Pritchard?

silêncio

janeiro 28, 2009

As meninas foram

com elas

silêncio

… and a pony

janeiro 5, 2009

Esse título poderia ser um shorter para o comentário do Cristovão Buarque lá no Noblat. Cristovam Buarque, o homem que nos deu a mais perfeita peça das correntes de internet de babaquice nacionalista. Mas não vou tratar desse mundo maravilhoso do desenvolvimento e da autonomia reacionária sem povos da floresta (perceberam essa notável ausência no texto?) neste post.

Noblat, no seu esforço centrista de quem dá voz a apparatchicks e muito chiques – o que torna seu blog mais interessante que a página de op-ed do Globo (e isso não necessariamente é uma ironia) – me sai hoje com uma das mais desfocadas peças de daltonismo político recentes, “O Sexto Mandato“. Basicamente, ele confunde a persistência de meia dúzia de elementos de política econômica e condução normal da coisa pública com uma continuidade. A menos que ele esteja falando do esquema Dantas de forma cifrada, comparar as intenções de criar uma máquina política de Collor e Motta – por si só radicalmente distintas, a menos que ele esteja insinuando que o falecido Motta “mottava” para bem do tucanato – é, no mínimo, um erro quanto aos objetivos, digamos assim, privados.

Qualquer pessoa que queira prestar atenção verá que há diferenças claras entre o que Serra e Aécio fazem e propõe, de seus estilos administrativos, e do que se pode esperar de cada um deles na presidência. E isso para ficar dentro do PSDB. O que é uma diferença clara? Não é certamente a diferença entre Bush e Chavez. Isso não é uma diferença, mas uma impossibilidade. Diferenças podem dialogar, estabelecer compromissos, transigir. Mas se quiser-se uma grande diferença, basta ver a questão da privatização em cada um dos quatro governos: caótica e autoritária como tudo mais em Collor; subterrânea na mineira gestão de Itamar; “dantesca” e e com regulação excessiva e mal focada em FHC; ausente em Lula.

Mas vamos ao Cristovam, que usou da peça de pirronismo daltônico do Noblat para tentar se superar no discurso do pequeno moralismo pequeno-burguês. A seguinte passagem:

“Não basta aumentar a indústria automobilística, é preciso reorientá-la para a produção de veículos de transporte de massas e de veículos especiais como ambulâncias, transporte escolar;”

Me explica, meu caro José: por que um ser humano com a formação que o Cristovam tem falaria uma bobagem dessas? Ele está pregando que implantemos alguma república de justos, em que só coisas nobres terão vez? Ele acha que falta produção (e não disponibilidade de recursos para comprá-los) de ônibus e ambulâncias no país? Ele é incapaz de escrever dois parágrafos consecutivos sem tocar no seu monotema, escola? Qual a mudança que ele esperava em Lula? Paredões conduzidos pelos ursinhos carinhosos para mudar o coração das pessoas? Epa, já estou entrando num outro artigo.

Para um cientista político – ou alguém que simplesmente conheça história, o que não é tão comum assim, a passagem abaixo é de gargalhar:

“A Ditadura criou o instituto da sublegenda, jamais imaginando que chegaria o dia em que todos os partidos são sublegendas de um partido único.”

A Ditadura criou a sublegenda para permitir que o pluripartidarismo pudesse existir debaixo das amarras de um bipartidarismo imposto pelo ditador Castelo Branco. Coalizões forçadas, mas passíveis de conviver. Como o mundo real da política. Trocas. Concessões.

Perdoe-me José, mas citando um bardo baiano, “narciso acha feio o que não é espelho”.

E aonde eles deveriam estar?

janeiro 2, 2009

Lá no meu amigo Hermê vai um post sobre um post de um blogueiro do Estadão. Noutra peça do mesmo blogueiro lá citada, há uma frase que é uma pérola:

“… além do mais, é praxe entre os líderes do Hamas esconder-se covardemente entre a população civil, o que denota o desprezo desses dirigentes pela vida dos palestinos que eles dizem defender.”

Para começar, o Hamas não diz defender os palestinos: ele os representa. O Hamas ganhou as eleições, eleições limpas, eleições das quais os resultados eram clara e incontestavelmente conhecidos dias depois (ao contrário das eleições americanas, vide a novela Coleman-Franken). Portanto, ao que me consta, membros de um partido vitorioso nas eleições não vivem “escondidos covardemente” no meio da população civil: são parte dela.

Em segundo lugar, qual o problema deles estarem “escondidos covardemente”? É porque Israel – que é um pais que na prática não tem pena de morte – permite que suas forças armadas pratiquem execuções extrajudiciais sobre as não-pessoas dos “territórios“?  E porque essas execuções não levam em conta se não-pessoas como bebês serão também executados, vítimas involuntárias da precisão não-tão-cirúrgica das munições guiadas de aviões e helicópteros, armas de bravos e boni?

Covarde é sempre o Outro, o Outro é sempre Covarde.