Archive for novembro \25\UTC 2008

demanda reprimida

novembro 25, 2008

Uma metáfora: se seu pau não levanta mais, a demanda reprimida cessa.

Economistas (e) autoridades deveriam prestar atenção a essa realidade. As demandas mudam, evoluem, morrem. A consumação por vezes não chega, não chegará.

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Vândalos!

novembro 24, 2008

Fosse uma ação do MST, faço idéia como seria a chamada. Mas a chamada “Vândalos destroem sede do Ibama no Pará” puxa para uma matéria na qual se descreve que “manifestantes” e populares atacaram instalações do órgão público e tentaram invadir o hotel no qual os fiscais estavam hospedados, utilizando de tratores.

Há claro, uma diferença. No caso do MST, são pessoas que querem uma vidinha de merda sob uma ótica de uma ética católica de matriz franciscana. No caso dos depredadores, são pessoas que querem ficar ricas. Há certamente, maior empatia da imprensa com a âmbição destes.

Imitando os pais

novembro 12, 2008

Vejam vocês o caso da indústria automobilística americana. Em breve, a GM incorporará a Chrysler, e, posteriormente, serão incorporadas à Ford, criando a American Leyland Motors Corporation. Daqui a uma dezena de anos, a marca Jeep será vendida a uma empresa indiana, e as outras marcas deixarão todas de existir e passarão a ser todos Dodge.

Um belo alerta, porém, é não cair no engodo que são os custos de mão de obra que estão quebrando as empresas. Esse post do Clusterstock dá uma boa dimensão disso. Quando o seu modelo de negócio está equivocado, o seu canal é obsoleto, o seu produto não bate com a demanda…

A culpa é do Congresso (cpt. Louis Renault, 1941)

novembro 12, 2008

Um dos problemas do comentarismo que vive de vender palestra e da prestidigitação personalizada das nuvens é que eles acabam virando banda de bar-mitzva, taxistas das idéias que vão para onde o dinheiro lhes paga.

Veja-se por exemplo esse artigo que está lá no Noblat, Um Congresso Autista. Pois no meio de uma crise dessas o Congresso não toma nenhuma medida decisiva como a reforma tributária (cuja proposta em curso foi feita antes da crise, crise a qual está mudando os paradigmas de ação pública lá fora, coisa que não chegou no comentarismo daqui pelo visto) e ainda por cima, vejam vocês, ainda por cima propõe gastar R$ 1,6 bilhões a mais em emendas de parlamentares, um aumento da ordem de 25%.

Enquanto isso, no mundo real, cada vez menos Hollywood e mais Brecht, as massas de otários que acreditaram em governança auto-regulada se insurgem, aqui e lá fora. Só as perdas individuais da Aracruz e da Votorantim foram maiores do que o Congresso fará o governo gastar com essas despesas descricionárias -se e quando elas vierem a ser liberadas pelo executivo – que em geral atendem a pleitos cotidianos de pessoas que não podem contratar alguém que tem “compromisso de atender o cliente em suas necessidades 24 horas por dia”.

De fato, o Congresso tem culpa: era para ter chamado às falas o Bacen e a CVM e pedir explicações de como essas bandalheiras aconteceram e quem ganhou com essa história (como derivativos são soma zero, alguém levou a mesa. Isso ninguém diz – se alguém tiver visto algo me mande um link – o que é muito curioso).

O cara tem uma empresa, que tem clientes. Seria decente colocar uma estimativa de qual será o ganho financeiro de seus clientes com as propostas em curso. Não falo do impacto sobre crescimento que essas medidas mágicas gerariam, ou na redução de transaction costs; simplesmente gostaria de saber o quanto elas vão pagar a menos de impostos ceteris paribus.

autodefinição

novembro 12, 2008

Sou pago apenas para ser economista. Outros recebem mais e, portanto, tem por obrigação profissional ser otimistas.

Habemus Chávez

novembro 10, 2008

Não vou entrar aqui numa discussão mais longa de história ou sociologia. Meu argumento, de forma simples e desossada, é o seguinte:

1) O serviço público concursado é a forma possível de ascenção à classe média (ou a um determinado tipo de posição de elite) num país que é patrimonialista até a alma. O mercado, ha ha ha, o mercado…

2) Conquistando seu acesso por mérito, essas pessoas tendem a ter uma certa hostilidade em relação à aqueles que usam e abusam do mundo patrimonialista.

3) Por vezes, esses setores – cujo acesso é, em teoria, universal; cujo contato com a população é maior que o das elites patrimonialistas (já que parte vem da própria população sem patrimônio) – se insurgem.

4) Outrora, quando esse tipo de instituição tinha alguma relevância para o mundo público, época de ouro do standing army ou do warfare state como esqueleto da nação “protegida”, o exército era o local onde esses insurretos se localizavam. Tenentismo, estudamos no colégio. Hugo Chávez, para trazer um exemplo mais contemporâneo.

5) No mundo complexo de hoje, no entanto, o estado se funda em outras coisas que não a ação do poder público em avenidas largas e e bem desenhadas. A condução dos assuntos do mundo privado passou a exigir cada vez mais qualificações técnicas complexas. Portanto, forças armadas não são mais o foco principal de atração dessas pessoas tecnicamente qualificadas.

Isso prá dizer a seguinte coisa: há em curso hoje um processo de rebelião latente do mundo técnico-concursado contra o patrimonialismo que persiste na sociedade brasileira. Há uma revolta não estruturada das classes médias quanto à corrupção e à desordem. Quando essas duas coisas se encontrarem..

Leio que num ato de inominável estupidez, ao invés de criar uma situação em que Dantas fugiria um tempo, cumpriria um tempo e se aposentaria, ou simplesmente faria um disrespect the Bing tal como Palocci e o caseiro, partiu-se para tentar desmontar de vez a Satiagraha. É um equívoco de grandes proporções. O que poderia ser resolvido com uma dúzia de cabeças, num belo processo catártico como foi a da Comissão de Orçamento, -quando um punhado de parlamentares foi sacrificado mas a máxima de Tancredi se manteve na república fundada por Tancredo – vai se transformar numa afronta.

Assim com Juscelino e seus opositores, que só tinham olhos para 1965, o presidente Lula e seus opositores fariam bem em perceber que 2014 e 2010 não estão com lotação esgotada. A votação de Gabeira no Rio foi um sintoma disso. Num mundo em que as avenidas largas ganharam outros usos, o presidente Protógenes pode vir a ser a surpresa política da próxima década.