Segundo. Por enquanto

E eis que o Brasil está em segundo, sendo que enfrentamos o primeiro, o Paraguai, em casa.

Antes do jogo, sportv (vi o jogo na ESPN, com os comentários na grande maioria das vezes lúcidos do PVC). Imbecis do calibre de R. M. Pink reclamando que Nilmar e não Jô deveria estar no banco. Lá estava, no entanto, Evaristo. Um espécie de Renato Gaúcho mais velho. Jogador lendário, bom técnico, cara que entende de futebol. Ele explica para lobistas e moças que um técnico pode optar por ter um “artista” ou um homem em campo (e aqui não vai nenhuma discriminação: um dos centroavantes mais machos que vi jogar… não vou out ninguém aqui, but trust me, orientação nada tem a haver com a história). Alguém que possa enfrentar os beques, segurar a bola para os outros jogadores, ao invés de ficar passeando em campo em busca de fazer jogadas perfeitas.

Mas vamos ao que importa: tática. Os jogadores certos no lugar certo. O jogo de domingo foi o primeiro jogo em que o Brasil usou Diego conforme a bula. Diego é Pablo Aimar, que, em forma, é o mais criativamente desconcertante jogador argentino em atividade. Diz a bula que este medicamento é para ser usado num 4-4-2 em formação diamante ou num 4-2-3-1. No segundo uso, o Valencia de: Albelda e Baraja; Angulo, Aimar e Vicente; (preencha aqui o centro-avante). Qual seja: um centro-avante com capacidade de fixar e intimidar os beques, que fique lá o tempo todo. Dois pontas abertos, que partem prá frente, pro lado, mas não embolam o meio. Dois capangas. No centro de tudo, o artista, fominha. A bola é dele, ele decide o que faz. Ele manda. Manda bem.

Qualquer uso alternativo de Diego é inútil, desperdício, risco. É como Henry: absolutamente genial no 4-4-2 do Wenger, inoperante fora daquele soft spot. O mesmo eu diria de Ronaldinho: deixem-no esquecido no canto, lento, como se fosse um jogador d’antanho. Sabendo aproveitar, dali sairão duas ou três jogadas que ganharão a partida. Robinho, Pelé sem viagra, incapaz de finalizar decentemente (fez um gol, perdeu perdi a conta), pela primeira vez sem ficar zanzando, atrapalhando, querendo provar que ele e não Kaká é o melhor do mundo. Robinho, finalmente, como um ponta direita (quase) funcional. No dia em que ele perceber que se aprender a cruzar depois de driblar ele pode ser Garrinha (Pelé ele nunca vai ser), quem se torne um craque.

Domingo o Brasil se apresentou como deve jogar. Sem kaká, o esquema tático é aquele. Com Kaká… bem, com Kaká, creio, Robinho e Diego tem que sair para entrar Anderson ou Elano. Kaká é home para 4-3-2-1 e contra-ataque. Mas domingo, espero, a era dos atacantes “habilidosos” – Nilmar, Pato, Sóbis – acabou. Luis Fabiano, Jô e Adriano são os atacantes com que o Brasil deve contar. Pato só volta com pressão publicitária. Nilmar, Sóbis – esses também devem ter seus dias contados. Quanto aos capangas, há que se testar Josué – que jogou bastante bem – ao lado do Lucas.

Já a Argentina está precisando cortar seu excesso de craques. E perceber que seu Romário, seu jogador realmente decisivo, está no banco: Aguero. Riquelme, Messi, eles fiquem com o espetáculo que nós ficamos com os títulos. Aguero não. Aguero e Tevez são jogadores que misturam raça, habilidade e foco como raros que eu tenha visto. Avatares de Romário e Bebeto, a melhor dupla de ataque que a seleção brasileira já vu (não confundir com linha, que era uma contagem que começava em Garrincha e terminava em Zagalo). Messi pode entrar no lugar de um dos dois, mas vai depender de Guardiola sair do 4-3-3 e adotar o 4-4-2 da recente seleção espanhola, com Messi no papel de Torres.

Mas o importante é isso: Jack’n’Bauer continua no commando da seleção. Resultados virão.

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3 Respostas to “Segundo. Por enquanto”

  1. Marcos Nowosad Says:

    Pelo jeito este texto foi escrito antes do 0x0 contra a Bolivia em casa…

    Mas podemos comemorar o fato que o Brasil ainda ficou com o segundo lugar nas eliminatorias (eeba!).

    > Riquelme, Messi, eles fiquem com o espetáculo que nós ficamos com os títulos

    De fato, foi exatamente o que aconteceu nos Jogos Olimpicos. Eles ficaram com o espetaculo e a medalha de ouro, enquanto nós ficamos com, hmmm.., o que mesmo??

    E quando vamos parar de confundir “jogar feio, mas eficiente”, com simplesmente “jogar mal”?

  2. samurai Says:

    Marcos, acho que nós ficamos com a Copa América. A seleção principal da Argentina não sabe o que é um troféu desde 1993, quando ganharam a Copa América. A última, deixa eu ver… eles perderam a final por 3×0, Messia e Riquelme em campo:

    http://globoesporte.globo.com/ESP/Noticia/0,,MUL70497-3556,00.html

    E Robinho não jogou porra nenhuma naquela partida. Foi ganha taticamente.

    Mas se você quiser iniciar uma campanha para por o Bielsa no lugar do Dunga eu topo. Bielsa, Sven, Lippi, qualquer um desses certamente seria melhor para o futebol brasileiro do que Dunga. Quem sabe aí Mancini seria convocado.

  3. Marcos Nowosad Says:

    Pergunte a qualquer jogador brasileiro o que ele prefereria: ter ganho uma Copa America ou medalha de ouro nos Jogos Olimpicos. Nao e’ a toa que a CBF tenta ha’ decadas com tanto custo (e sem sucesso) conquistar o torneio dos Jogos Olimpicos. Nesse sentido, faz sentido termos dor-de-cotovelo dos ultimos triunfos olimpicos de nossos hermanos.

    Acho que o Riquelme, o Messi e o Tevez (em 2004) com certeza serao muito mais lembrados na Argentina pelo triunfo em Olimpiadas do que por eventual derrota em Copa America. Copa America tem toda hora e somente tem times de segunda categoria. Ate’ o Luxemburgo ganhou em 99 (invictamente!).

    Em relacao aos tecnicos, se o Sven for o Sven-Göran Eriksson, eu estou fora. Treinou a Inglaterra em 2 Copas do Mundo e 1 Eurocopa e nao conseguiu armar boas equipes, mesmo contando com bons jogadores . O Bielsa e’ estranho (e azarado, vide Argentina em 2002), mas gosto dos seus times. Quanto ao Lippi, treinador italiano nao daria certo com jogador brasileiro.

    O negocio e’ jogar a camisa de tecnico para o alto…

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