Em defesa de Dunga

Pois eis que a segunda era Dunga (a olímpica ou será a era como um todo?) termina com uma medalha de bronze. Eliminado por um time Argentino que é o favorito mais claro para as duas próximas copas (ou não, mas isso é razão para um post futuro), o bronze não foi um mau resultado. Ao contrário da eliminação patética de 2000, ante a um time de Camarões numericamente inferiorizado; da eliminação na fase classificatória pelo Paraguai em 2004; da reação culminado com o golden goal de Kanu da Nigéria em 1996; a atual seleção olímpica perdeu porque pegou pela frente um adversário que era, jogador a jogador, melhor. Talvez por isso a raiva das pessoas: uma coisa é perder por acidente, outra é reconhecer que os outros, peça a peça, são melhores. E que, apesar disso, quase os batemos. Tipo contra a Holanda, em 1974.

Meu pai, por exemplo, vem com aquele tradicional discurso do ressentimento pequeno-burguês toda vez que a seleção vai mal, que é acreditar que se só jogadores que jogam no Brasil fossem convocados o resultado seria outro. De fato, seria: em 2004 Kaká e Adriano não puderam disputar as eliminatórias para as olimpíadas, e, portanto, ficamos de fora com nossos jogadores nacionalíssimos, com atacantes com a vigorosa presença física e senso de área como Robinho, Nilmar e Dagoberto. Ao menos perdemos para ouro e prata daquela olimpíada, se serve de consolação. Digamos que fomos bronze moral em 2004.

Neste sentido, vale a pena examinar os indicadores anteriores da atual seleção:

– mundial sub-17 de 2005: Anderson e turma perderam a final para o México por 3×0. A Argentina, que fora bisonha num sul americano sub-17 em que Kerlon e Anderson fizeram chover, sequer disputou. Na final, Anderson se machucou, e o México de Giovani dos Santos e Carlos Vela bateu o Brasil. Anderson foi o melhor jogador do campeonato e lá estava Marcelo na lateral. A Argentina tem ido meio mal nos mundiais sub 17. Por que? Porque, assim como nós nessa última copa, eles tem posto seus Patos no time sub-20. E que Patos!

– mundial sub-20 de 2005: o Brasil com um time que continha Rafinha e Rafael Sóbis foi eliminado por uma Argentina campeã que continha entre seus membros Ustari, Garay, Gago, Aguero, Zabaleta, Sosa e – melhor jogador do mundial – Messi. O mundial sub-20 de 3 anos atrás teve Argentina e Nigéria na final com o Brasil em terceiro: não é curioso que Argentina e Nigéria farão a final olímpica com o bronze indo para o Brasil no que é, no fundo, um mundial sub-23 em 2008?

– mundial sub-20 de 2007: o pobre Pato e um bando de mascarados foram eliminados na primeira fase do mundial. Lá estava Aguero, brilhando. O torneio classificatório para esse mundial foi o que levou o Brasil a olimpíada.

Tudo isto para dizer que: o time olímpico da Argentina estando inteiro – e sem o jogo passar por Riquelme para ser presa fácil do meio-campo brasileiro – é foda. Porque no momento em que eles abandonaram o jogo cadenciado e partiram como ligeiras formiguinhas tocando a bola para a porta dos fundos de nossos laterais, Aguero, que ao meu ver está para Pato assim como Romário para Careca, chacinou com o Brasil. E esta, meus caros, é a realidade de 2010 e 2014. No papel, claro. Porque, como mostraram as duas últimas copas do mundo e a eurocopa, o papel tem problemas. Mas isso é outra história.

Voltemos a Dunga. Dunga mostrou sucessivas vezes como o Brasil bate o futebol argentino estilo Riquelme. Basta controlar o meio-campo, não dar espaços, e pronto! Claro que para isso,a seleção não pode ter mais que um “craque”. Vá lá, um “craque” e um atacante. Nesse esquema, o Brasil bateu a Argentina, Júlio Baptista e Daniel Alves brilhantes, Wagner Love taticamente perfeito, Robinho, o “craque” desaparecido a maior parte do jogo. Não foi um futebol vistoso e circense, mas foi um futebol exuberante e campeão. Futebol vistoso só é possível, no fundo, contra times medíocres. Como mostrou o Chelsea, se você pode dispor de Joe Cole e Ballack para escoltar Cristiano Ronaldo no segundo tempo, pouco o avatar de Cruyff pode fazer. Mesmo Kaká só conseguiu aniquilar o Liverpool depois que um cartão amarelo motivou a substituição de Mascherano na final da Champions do ano anterior.

Qual seja: ser craque contra timinhos é fácil. Ser nas partidas realmente duras, isso é outra coisa, muito dificil de ser realizada. E, nesse sentido, Pato ainda tem muito a crescer. Pois ele (e, num certo sentido, Sóbis) não conseguiram ser o atacante que Ronaldinho e Diego precisavam. Se Ronaldinho espera por alguém com o senso de colocação, velocidade e finalização de Eto’o e Messi, Diego requer um atacante forte, impositivo, 1,90m de estivador que prenda os beques enquanto ele prepara o bote. Sóbis e Pato não sabem ficar parados, não sabem exigir o devido respeito dos beques, não sabem ser invisíveis. Na verdade, nenhum deles sabe ficar sozinho no ataque – requerem um outro atacante para dialogar – o que vai ser um problema para o Milan, a menos que o Pato aprenda a arte de Pipo Inzaghi.

Taticamente, no entanto, essa seleção foi, imho, quase perfeita. Eu teria posto o Ilsinho no meio-campo junto a Lucas e Anderson, criando uma dobradinha pela direita tal como Daniel Alves e Maicon contra a Argentina e Sagna-Eboe no Arsenal (no fundo o que Cláudio Coutinho tentou fazer com Toninho na ponta direita da seleção de 78, a grande revolução tática do futebol brasileiro que não aconteceu). Mas a disposição da seleção em campo funcionou muito bem, tirando o fato que os atacantes nem sabiam ser invisíveis, nem manter os beques quietos lá atrás. É sintomático, por exemplo, que tenha sido o zagueiro Guaray quem armou Aguero no segundo gol.

A lição que provavelmente não será aprendida é que o Brasil para ter dois meio-campistas ociosos (isto é, que não se preocupam com marcação) tem que ter um atacante fisicamente impositivo. Mais que isso: se prestar-se atenção na era Dunga e nas duas copas do mundo anteriores, é hora de se enterrar qualquer conceito de “quadrado”. Esse é o risco da remoção de Dunga para que se emplaque um técnico que agrade as massas. Futebol não é playstation nem album de figurinhas, mas um arranjo dinâmico em que nem sempre os mais caros ingredientes combinam num bom prato. A noção comida a quilo de craques não faz alta cozinha.

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7 Respostas to “Em defesa de Dunga”

  1. Leonardo Bernardes Says:

    Samurai, o único argumento válido em favor de Dunga é aquele que reparte a responsabilidade dele com os jogadores. Isso, no entanto, não o torna menos incompetente. É verdade, incompetência por não ter conseguido superar uma característica quase atávica, mas mesmo assim incompetência. O Brasil joga, HÁ ANOS, pregado. Não há movimentação alguma, em qualquer um dos segmentos etários. Falta, há anos, no Brasil, um treinador como Telê, que saiba colocar os jogadores para realizar o essencial, o básico, o elementar — é verdade que esse é um problema cultural, que deve ser partilhado pela falta de organização do futebol, sobretudo em termos de seleção. Mas identificar o problema é o primeiro estágio. O Brasil não se movimenta. Aliada a essa disposição estática liga-se uma disposição tática defensiva, e uma postura acanhada fruto do total despreparo psicológico que os jogadores de futebol compartilham com a maioria dos atletas olimpícos.

    Há anos eu vejo argentinos manipulando o emocional do brasileiro, porque contam com essa variável, enquanto que do outro lado nós flutuamos ao sabor dos ventos que eles sopram. É muita contigência para que possamos nos referir à seleção brasileira como grupo “profissional”. Todos sabem que o profissionalismo, em qualquer área, corresponde ao controle das variáveis e redução ao mínimo de fatores de influência. TODAS as recentes vitórias do Brasil (salvo a vitória na Copa das Confederações) foram acidentes.

    Não se trata de especular sobre a possível vitória do Brasil, caso tivéssemos convocado esse ou aquele jogador, nem da dureza de reconhecer a superioridade argentina — ela é inegável. Difícil é aceitar a postura apática não superada, apesar da última Copa. A postura do Brasil depois que tomou o primeiro gol mudou significativamente. Thiago Neves que, não sei porque diabos, não era titular, entrou e o Brasil passou a atuar como SEMPRE deveria atuar, pra frente. Não foi suficiente porque o time é limitado tecnicamente como grupo. Difícil é aceitar que, apesar das limitações, o Brasil não consegue superar seus próprios adversários por falta de profissionalismo dos jogadores e da comissão técnica. Se é que podemos chamar aquele brio com que jogam os argentinos de um aspecto profissional, para mim é algo mais moral — que se representa nas palavras dos próprios argentinos quando comentam que os jogadores brasileiros não honram a camisa amarela (ou a declaração de Maradona)

    É preciso mudar muita coisa, mas primeiro é preciso, sim, corrigir um erro que não deveria ter sido cometido: a concessão a Dunga. Depois a gente vê o resto. Dunga é um ogro, seria incapaz de reconhecer a necessidade de prepação psicológica — se não bastasse nenhuma das outras “qualidades” que ele possui, essa já o desqualificaria para o cargo. Até Luxemburgo sabe dessa necessidade, e esse aspecto foi um dos pontos fortes de Felipão.

    PS. Ronaldinho eu não o teria convocado uma partida sequer depois da Copa. Aliás, ele nunca jogou 20% na seleção — pra ser polêmico. Pato eu só o convocaria após o primeiro corno da Sthefany Brito, ele é um dos jogadores mais mascarados que tenho visto jogar e sua performance decepcionante na seleção só se compara a do próprio Ronaldinho.

  2. Marcos Nowosad Says:

    Resumo da opera: o Dunga e’ inexperiente e incompetente como tecnico e por isso nao deveria ter comecado a carreira no cargo maximo (Selecao Brasileira).

  3. samurai Says:

    Bem, o Dunga é inexperiente como técnico mas já têm na prateleira uma copa américa e uma medalha de bronze olímpica. Já Tele Santana, o grande gênio tático que para se opôr à bola quadrada fez o futebol brasileiro ser jogado em campo oval, ganhou, como técnico de seleção, exatamente o quê? (rosca, zero, nada). Luxemburgo, o homem que substituiria Dunga segundo a imprensa, ganhou o quê na seleção? (uma copa américa, um torneio pré-olímpico e uma viagem Sidnei-São Paulo presenteada pelos camaroneses).

    Quanto a começar por técnico da Seleção, a Alemanha fez isso com Beckenbauer e Klinsmann, que não tinham nenhuma experiência anterior como técnicos. A Holanda fez com Van Basten. E ,ao contrário do que se acha nesta terrinha, o topo da carreira de um treinador não é ser técnico de seleção nacional. Isso é coisa para gente que está começando ou gente que está se aposentando. Assim como para os jogadores, técnico que presta treina um time que jogue as copas européias. Se você não está num deles, você é segunda linha. Neste sentido, Luxemburgo é o Roger Galera dos técnicos brasileiros (sacanagem com o Luxa – vá lá, o Alex).

    Leonardo, eu não sei onde você vê a Argentina manipulando o emocional brasileiro. Se você for no site da CBF:

    http://www.cbf.com.br/confrontos/30002.html

    ver os resultados de nossos confrontos com a Argentina, sinceramente, los hermanos é que tem problemas emocionais. Nos últimos anos, nas tão lamentadas eras Dunga e Parreira, tivemos 3 vitórias consecutivas por 3 gols, as 3 em campo neutro. Nunca na historia desse país (TM) tivemos uma superioridade tão clara. Batemos o que no fundo foi time que viria a ser campeão olímpico de 2004 na Copa América, conseguindo um empate e levando para os penalties uma partida que estava “ganha” pelos argentinos.

    Nada há de acidental nas últimas vitórias do Brasil. A Argentina tornou-se taticamente óbvia nós, mas isso será objeto de um post.

    Quanto a Thiago Neves, ele simplesmente é incapaz de estruturar um meio campo. É muito hábil com a bola nos pés, chuta muito bem, mas não tem visão de jogo para a criação de jogadas, não sabe ler o andamento de uma partida, e, falha principal, não sabe correr para a ponta e cruzar uma bola.

    Concordo com a máscara do Pato, e acrescento: é o pior tipo de mascarado, o mascarado metido a bom moço. Mascarado presepeiro tudo bem, arca com as culpas, mas mascarado bom-moço fica ali, mostrando esforço para Galvão…

    Quanto ao equilíbrio emocional, seleções perdidas por vezes tem jogadores expulsos. Maradona foi expulso em 1982 o Brasil ganhava por 3×0; Luís Pereira em 1974 a Holanda ganhava por 2×0; Ricardo Rocha contra a Argentina em 90 uns cinco minutos depois do gol.

    E fechando, ainda sobre Maradona, o cara é lider de torcida organizada, daquelas que só vai de boca livre:

    http://www.gazetaesportiva.net/copa/copa2006/notas.php?id_nota=8139

  4. Marcos Nowosad Says:

    Samurai, sem querer defender totalmente o Tele^ (que cometeu seus erros na Copa de 82 e Copa de 86), na gestao dele a Selecao nao disputou a Copa America, Copa das Confederacoes ou Torneio Olimpico. Foram 3 competicoes oficiais de peso (Copa de 82, 86 e Mundialito de 1981). Hoje em dia, com Copa America e Copa das Confederacoes a cada 2 anos, fica bem mais facil para um treinador ostentar que ganhou “alguma coisa” com a Selecao Brasileira. Ate’ o Luxemburgo pode se vangloriar da conquista “invicta” da Copa America de 1999.

    E, ate’ prova em contrario, o Dunga e’ sim inexperiente (aceitou a “peitada” do Ricardo Teixeira para levar o Ronaldinho Gaucho fora de forma; alguem consegue ver o Felipao aceitando isso??) e incompetente (ultima vitoria da Argentina contra o Brasil por diferenca de 3 gols havia sido em 1963).

  5. samurai Says:

    Marcos,

    prá começar, a CBF não conta o time olímpico nos seus jogos oficiais, no que está correta. Portanto, na era Dunga, não houve até agora derrota para a Argentina. E houve duas vitórias por três gols de diferença com ele no comando. Dunga só conseguiu levar um de seus maiores de 23, que foi fora de série/forma Ronaldinho. A Argentina pode dispor de Riquelme e Mascherano no meio campo.

    Telê, com seus times de super-craques, só conseguiu uma vitória de 3 ou mais gols de diferença contra uma seleção de tradição: sobre a Alemanha, 4×1, no mundialito.

    Quanto a treinador aceitar coisas, ao que me lembre a camisa do Falcão em 82 era a 15. Telê é que levou peitada, no mínimo, da imprensa (para não falar de outras esferas), para manter no time um Falcão que era reserva de Cerezo (que estava suspenso para o primeiro jogo). Com volta de Cerezo, inventou-se um tal de quadrado e o Brasil jogou numa formação que nunca testara antes. Veja as escalações de 81 e 82 e você verá não houve em momento anterior uma partida sequer em que Falcão e Cerezo tivessem sido escalados juntos por Telê e em que Sócrates e Zico tenham se revezado na ponta direita:

    http://www.geocities.com/SunsetStrip/Palms/6237/1981.html
    http://www.geocities.com/SunsetStrip/Palms/6237/1981.html

    Qual seja, Telê levou a mesma peitada “Galvão Bueno” que Parreira levou na última copa: a imprensa clamando pelo craque. Peitada que, no caso de Parreira, o fez sair do seu feio mas funcional 4-2-2-2 com a mais forte (tanto física quanto tecnicamente – se bem que imóvel, é verdade) linha de ataque do torneio, para colocar Juninho Pernambucano no papel de mais um meia omisso no combate e sem capacidade de manter a defesa adversária honesta. Peitada que, no caso de Telê, matou com as jogadas pela ponta direita, matou com o equilíbrio do meio campo, e matou o centro-avante.

    Felipão? Sinceramente, não tenho certeza de quanto da convocação de Ronaldo – sem o qual não teríamos ganho 2002 – tenha sido tão voluntária assim. Aparentemente foi, mas, passada Copa, andaram se estranhando. De qualquer forma, a convocação de um Ronaldinho Gaúcho que apareceu para o Brasil selando com a carreira de Dunga como jogador num grenal de 99 tem sua graça.

  6. Marcos Nowosad Says:

    >> A CBF não conta o time olímpico nos seus jogos oficiais, no que está correta. Portanto, na era Dunga, não houve até agora derrota para a Argentina.”

    Essa e’ uma tecnicalidade de fazer orgulhar um advogado… 🙂 Se o Brasil tivesse vencido, garanto que esse jogo faria parte das estatisticas “oficiais” de confrontos entre Brasil e Argentina na era Dunga…

    >> Felipão? Sinceramente, não tenho certeza de quanto da convocação de Ronaldo

    Mas eu tenho certeza sobre a pressao que ele sofreu para convocar o Romario (inclusive do presidente da CBF, que almocou com o Romario dias antes da convocacao). E que refutou essa pressao. Em termos de personalidade e independencia, o Felipao esta’ uns dez graus acima do Dunga.

    >> Dunga só conseguiu levar um de seus maiores de 23, que foi fora de série/forma Ronaldinho. A Argentina pode dispor de Riquelme e Mascherano no meio campo.

    Ue’, mas eu pensava que voce achava que o Riquelme mais atrapalhava do que ajudava a Argentina… 🙂 Em todo o caso, “vento que venta aqui, venta la'”. Por causa do limite de idade, a Argentina tambem nao estava com o seu grupo principal (faltando gente como o Carlos Tevez e outros).

    >> Quanto a treinador aceitar coisas, ao que me lembre a camisa do Falcão em 82 era a 15. Telê é que levou peitada, no mínimo, da imprensa (para não falar de outras esferas), para manter no time um Falcão que era reserva de Cerezo (que estava suspenso para o primeiro jogo). ”

    Nao, nao, nao… Nao sei qual e’ a sua idade, Samurai, mas a Copa de 82 foi a Copa que eu mais acompanhei de perto na minha vida. A convocacao de Falcao foi feita contra a vontade de grande parte midia, que via com grande desconfianca ter um jogador que jogava no exterior vestindo a camisa da Selecao. As unicas experiencias anteriores (exemplo: Amarildo na Copa de 1966) haviam sido rotuladas como fracasso. Antes de 1982, a presenca de jogadores brasileiros no exterior era uma coisa ainda muito rara. O fato e’ que o Tele sempre gostou de Falcao (que foi o grande responsavel pela derrota do bom time do Palmeiras que ele montou em 79, nas semifinais do Brasileirao) e ja’ em 1981 havia garantido a sua convocacao (e como titular, tenho a revista original da Placar da epoca) para a Copa de 82, chegando a visita-lo na Italia (em 81) para combinar os seus detalhes. Convocar e escalar o Falcao foi decisao propria do Tele, contra a vontade de grande parte da imprensa. E foi uma aposta que pagou bem, ja’ que Falcao foi o melhor jogador do Brasil naquela Copa. Se a escalacao foi mal feita (para colocar o Falcao no meio-de-campo, eu teria trocado o Cerezzo pelo Batista, retomando o meio-de-campo campeonissimo do Inter) ja’ sao outros quinhentos.

    Alias, o post gastou mais tempo falando mal do Tele^, do que defendendo (com argumentos) o Dunga… Eu ja’ falei que nao sou fa~ incondicional do Tele^ e que tambem acho que ele cometeu erros na Copa de 82 e Copa de 86. Mas, por acaso atacar o Tele^ faz o Dunga parecer menos incompetente???

  7. Leonardo Bernardes Says:

    Samurai, se você escolhe “títulos” como critério de seleção, só reafirma, com isso, o despautério da escolha de Dunga. Há muitas variáveis envolvidas em vitórias e derrotadas de sorte que não há contradição em dizer que um bom time perdeu ou um time ruim ganhou — a menos, é claro, que você faça coincidir os dois termos. Assim, a discussão sobre técnicos nesse patamar, para mim, é inviável. Dunga é inexperiente e isso não é algo que esteja em questão, o caso é saber se se deve aceita a inexperiência no comando da seleção. O que fazem na Holanda e na Alemanha, para mim, pouco importa, essa tradução de um campo em outro para mim não se dá. Se fosse um exemplo da Argentina eu poderia até considerar, já que o perfil deles é mais parecido com o nosso.. já que não se trata só de um técnico, de alguém capaz de pensar estrategicamente, mas sobretudo de considerar estrategicamente certos tipos de jogadores, coisa que os holandeses e alemãs jamais saberão fazer, por falta de material.

    Quanto manipulação emocional dos argentinos, bem, ela não é algo que se realize em qualquer situação. Perdendo, eles não podem se valer disso, posto que a vitória garante uma certa estabilidade. Agora, ganhando ou empatando eles sabem perfeitamente mobilizar esse instrumento de sorte a tornar quase inaviável uma virada. Há uma diferença entre despertar intencionalmente a ira alheia e se desequilibrar. Os argentino introduzem esse elemento como uma variável a mais, enquanto que os brasileiros só podem contar com a sorte quando um argentino se desequilibra. Mas aqui se trata, sobretudo, de saber como lidar com a provocação e lidar com o aspecto psicológico como uma variável do jogo. Isso não se restringe a Argentina. O Brasil é despreparado — e os argentinos não — e isso já os põem em desvantagem.

    Acidental é tudo que não se realiza por planejamento, que não se realiza por um encadeamento claro. A vitória do Brasil na Copa Ámerica é um exemplo de acidente. O gol do Brasil no final do jogo foi mero acidente (bem diferente, por exemplo, da Espanha que na Europa recente, pressionava, pressionava, em alguns jogos, não conseguia marcar, mas tinha paciência e controle para, na hora certa, concluir e decidir o jogo). A vitória veio num acidente, num lance isolado de um jogador. Se o Brasil tivesse estruturado em função desse jogador, eu diria, não foi acidente, mas este não foi o caso.

    Quanto a Thiago Neves, bem, eu nem preciso desfazer do que você disse, de fato eu nem estou tão distante assim da sua opinião, mas a minha posição não se confronta com ela. O que eu disse é, de todos esses aspectos que você mencionou, quem fazia isso melhor do que ele? Anderson? Lucas? Ronaldinho Gaucho? Hernanes? Ou numa escolha entre eles, disputando as vagas, Thiago Neves não figuraria entre os mais capacitados? Não creio!

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