Inocência

Once upon a time Lúcia Hippólito foi uma cientista. Agora, ela é uma colunista que fica chocada. Talvez influência do chá das quartas, a frieza analítica que a separava do restante de nossos comentaristas de política sumiu.

Veja-se o caso dessa crítica ao processo de criação da Petrobrás Biocombustíveis. Que absurdo: os partidos políticos fizeram as indicações da diretoria! Um burocrata partidário que foi ministro foi posto na diretoria! Partidos indicaram funcionários de carreira!

So what?

Melhor é o quê? Militantes-companheiros que vão para o board de bancos ou para empresas que são concessões públicas? Pau que bate em Pedro… epa! Pedros do tucanato são imunes! Onde ficam os burocratas de um partido que está no poder? No poder, ora! Por vezes, isso acontece de forma regulada, como o caso da proporz austríaca. Por vezes de forma ampla e selvagem, como o k-street project.

A mulher fala de mérito como se isso fosse uma coisa concreta, e não uma realidade política. Talvez um pouco de de Waal fizesse ela ter uma visão de que a política está nos lugares mais inusitados.

Mas vamos aos detalhes dos chiboquetes mais graves:

O que é triste não é constatar que militantes-companheiros como Miguel Rossetto não fiquem desempregados, porque sempre há um cargo para eles.” Melhor é o quê? Serem empregados pelo “mercado” enquanto seus amigos estão no governo? Mas falar mal de “militantes-companheiros” é legal. Afinal “(…) e sindicalistas (olha eles aí de novo!)” é o tipo da coisa que sempre agrada empresários, que é quem compra palestras.

“(…) fundada na mais sólida meritocracia e, por isso, é uma das maiores empresas do mundo, tenha se tornado palco de disputas partidárias e sindicais.” Que escândalo! Nesse clipping da Radiobrás (várias notícias tratam do assunto) pode se ver o que é uma nomeação que não é “palco de disputas partidárias e sindicais”. O leitor que quiser dar uma passeada nesse link poderá sentir a sólida meritocracia na escolha dos presidentes da Petrobras. Ou será militocracia e o copidesque errou?

Não é a meritocracia que tornou a Petrobras uma das maiores empresas do mundo, mas o monopólio na área de petróleo e a decisão do governo brasileiro de realizar investimentos custosos de prospecção que nenhuma empresa com acionistas e dividendos a pagar correria o risco de realizar. Há vizinho de blog dela, gente especializada no assunto (e com o qual não concordo, fique cá bem claro, pá), que não acredita nessa tão propagada eficiência.

Não que a Petrobras não tenha uma cultura de mérito: em nenhum outro lugar na república “janeleiro” é uma acusação tão grave. Mas onde ela vê “mérito”, (uma vez o concursado lá dentro) eu vejo “sponsored mobility“.

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3 Respostas to “Inocência”

  1. Reflexivo Says:

    Samurai, muita vela para pouco defunto…

  2. João da Luz Says:

    Samurai
    A análise que o cara faz é bem rasa.
    Não leva em conta que os serviços subiram muito, por ex.
    Boa parte das despesas da Petrobras são serviços cotados no mercado externo.
    E boa parte da receita vem do combustível vendido no Brasil, que está sem correção há anos. Na verdade o que o cara quer é falar mal, só isto.
    E o cara agora vai ter que reanalisar tudo pois o lucro da Peroba subiu mais de 40% neste semestre. Vai ver passou de uma petroleira mal administrada para uma medianamente administrada.
    Quanto a Lúcia Hipólito: o que se pode esperar dela?
    A Peroba nunca esteve tão bem de material humano e os chefes nunca foram tão bem preparados.
    Quando se compara o pessoal da Peroba com o pessoal das empresas privadas que fazem cursos de formação de gerentes conjuntamente, chega a dar pena. Os gerentes de empresas privadas não conseguem ler e entender um paper. É triste de se ver.

  3. samurai Says:

    O material humano da confluência de Chile com Paraguai não dá prá ser comparado com a média do mercado. Mas isso é outra história, João.

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