Hope and faith – Krugman in Rio

Krugman, muito claro, muito articulado, explicando até alguns conceitos meio elementares de história econômica para um auditório cheio. Crê que a chance de dar merda é de uns 10%, que a ação concertada de Uncle Ben e Uncle Hank conseguirá fazer com que exista só um período de 2-3 anos de estagnação e não uma recessão/depressão (claro, se os monetaristas do Fed não forçarem uma política antiinflacionária). Falou em peak oil, um conceito que alguns de nossos mais renomados banda-cover de Al Gore parecem desconhecer. Falou pouco de Brasil, assunto que diz não entender. Elogiou (com o que concordo) a flutuação da moeda brasileira e a política de nosso Banco Central (embora ele diga não entender porque os juros aqui são tão altos). segundo ele, com isso escapamos da inflação que vai assolar os países de Breton Woods II e do risco de uma solavanco de entrada e saída rápida de capital especulativo esperando uma valorização da moeda no curto prazo.

A platéia faz as perguntas de sempre: alguns declarações de fés antigas (direitos especiais de saque, o esperanto da globalização sessentista; stop-and-go); alguns coisas que o Krugman já discutiu várias vezes em seu blog (o preço do petróleo: demanda ou especulação?); alguns que ainda estão na fase pop “from Milan to Minsky” de pensar a crise. O homem da CPFL põe lá algo entre uma pergunta, uma lamentação, um sabe-se-lá-o-quê… com a temível palavra “regulação”. Não me lembro se foi aí que Krugman citou a notável expressão do Frankel: there are no atheists in foxholes; there are no libertarians in financial crises, mas ele usou a expressão em algum momento da palestra. O homem tem um blog, ao contrário do resto da mesa e do grosso da platéia.

Claro que houve algumas perguntas muito bem construídas, que permitiram/exigiram ao Krugman detalhar melhor os pontos apresentados na palestra. As usual, fiz duas pequenas perguntas, dois pequenos carrinhos bem aplicados, que suscitaram um pequeno gaguejo no início da resposta (sintoma de pergunta inesperada) e umas paradas (sintoma de pergunta que exige reflexão) ao longo do discurso para responder:

– Uno: Krugman foi um grande crítico da política de healthcare de Obama. Será que Obama (Krugman dá Obama por eleito, o que é uma hipótese para lá de razoável pela posição no intrade desse momento em que escrevo, a questão incerta sendo se haverá ou não landslide democrata para o congresso) fará as políticas sociais compensatórias necessárias a amortecer o custo da estaganção pelos próximos 2-3 anos?

Resposta: Obama incorporou algum pessoal de Clinton, mas concretamente, a única coisa que ele pode falar de Obama é “hope“. Para bom entendedor, expectativas baixas de Obama conduzindo qualquer política democrática usual, qualquer grande avanço na questão social etc e tal.

– Dos: como poderiam acontecer os 10%?

Resposta: em duas hipóteses impensáveis segundo ele: uma nova insolvência que o congresso/FED não banque (keynesianos tem uma fé futurista de que the central bank will always get through), ou a hipótese alucinada de que as pessoas comecem a achar que os EUA entrarão em default (totalmente improvável, mas que TED spread los hay, los hay).

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