Being Soros

Tem uns 2 anos que venho acertando o dólar. Não que eu tenha ganho dinheiro com isso: meu investimento imobiliário acabou com qualquer possibilidade de fazê-lo. Mas ganho reputação entre meus amigos e colegas de trabalho. Não que isso sirva de alguma coisa, mas … tergiverso. “Alê ao poã”, diria um ex-amigo.

Segunda-feira peguei carona com um amigo cá do trabalho e expliquei para ele minha visão sobre o dólar. De um modo muito simples:

– de um lado o BACEN, sado-monetaristas, determinado a impedir que a inflação ressuscite, nem que tenha que jogar o bebê pela janela para não esquentar a água de banho.

– de outro o Fed, “agorasomos todos keynesianos” (por favor, follow both links e caiam na gargalhada), determinado a impedir que uma recessão se instale antes da eleição de novembro.

O resultado dessas duas forças, o bushido babaca do bacen com o “segura os ralves” do Fed, vai resultar em mais notícias desse tipo. Pelo menos até novembro, quando os banana republicans uncle Ben e uncle Hank descubrirão subitamente que a inflação existe e que, passadas as eleições americanas e as olimpíadas, os chineses não estarão interessados em ver suas reservas virarem pó…lonetas.

4 Respostas to “Being Soros”

  1. Leonardo Bernardes Says:

    Samurai, camarada, você que é entendido, me explica uma coisa (saindo do tema): isso é real?

    Quer dizer, não há nenhum excesso? A interpretação não é forçada ou coisa do gênero?

  2. samurai Says:

    Leonardo, eu acho que há sim uma distorção de interpretação usual em certos discursos de esquerda, que é ver todo o “mal” se articulando numa coisa só. No caso, o mundo de Cayman/Liechtenstein não tem a haver com o Vietnam, mas com a desregulamentação de Reagan. Não tem a haver com imperialismo, mas sim com formas de se escapar de tributação, formas privadas de apropriação. O escândalo recente do UBS nos EUA, que é ramificação do escândalo desvendado pelo fisco alemão, é exatamente isso: pessoas escapando da mão do estado. Não é contra o terceiro mundo que isso é feito, mas contra os estados dos países desenvolvidos.

    Há um segundo nível de “maracutaias” – que é parte significativa da crise atual – que são os mecanismos para escapar das restrições de capital impostas pelos acordos de Basiléia e pelas regulamentações bancárias. O Citi, por exemplo, teria algo como 1,1 trilhão de obrigações invisíveis, isto é, operações que ele securitizou, vendeu, mas que tem letrinha miúda (mas não contabilizável) dizendo que pode ser exigida recomprar em caso de problemas. Esse é o risco mais grave do momento, penso que mais grave do que a questão das subprimes.

    Em algum momento da semana que vem é possível que eu faça um post sobre esse assunto.

  3. Leonardo Bernardes Says:

    Em todo caso, essas movimentações se articulam sob os olhos coniventes dos grandes Estados, não? Tais centros bancários só são permitidos por que, pro bem ou pro mal, muito dinheiro é investido dessa forma, não? Saindo dessas reservas?

    Caso contrário, não consigo entender como esse tipo de operação nasceu e se institucionalizou — se a tese da Guerra Fria e do Vietnã não são legítimas. Mas aguardo seu post. Abraços

  4. samurai no outono Says:

    Leonardo, esse tipo de operação nasce e se institucionaliza porque para pessoas capazes de pagar muito dinheiro para bons advogados descobrirem e implementarem bons mecanismos de “administração tributária” sempre há formas se conseguir alguma evasão.
    Pense nos Dantas americanos. O que poderiam fazer para impedir que seu dinheiro seja tomado por impostos? Como poderiam lesar seus acionistas ou mascarar eventuais problemas em seus balanços?
    Se há gente nos grandes estados que está preocupada com isso, há também gente cuja perpetuação no poder depende da cegueira em relação a isso.
    Em questões internacionais, quando há dinheiro e eleitores envolvidos, não pense em interesses nacionais. Eles são só uma ficção para justificar interesses pessoais em ganhar eleições e rechear bolsos. Ao fim e ao cabo, os interesses nacionais se traduzem nisso: interesses particulares. O que não os delegitima: as pessoas querem mais dinheiro e/ou poder em suas vidas cotidianas. Faça sempre essa pergunta na hora em que você vir um interesse nacional sendo formulado: quem ganha o quê? Votos, dinheiro? Depois da leitura de Colapso, do Jared Diamond, mesmo fantasmas simbólicos perderam muito do significado explicativo para mim.

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