Queimando barcos

Lá no meu amigo Hermê rola uma discussão estéril – como aliás têm sido as discussões sobre esse assunto – a cerca do uso da tortura pelos americanos na “war against terror“. As perguntas estão erradas: se waterboarding é ou não é tortura, se Jack Bauer vai arrancar as informações do terrorista a tempo etc. Cortina de fumaça, anjos na cabeça de alfinete. As coisas são seu propósito, não sua justificativa, sua máscara.

Numa única palavra: Cavallo. Daqui a alguns anos haverá centenas de militares americanos envolvidos em tortura que estarão na lista de procurados de diversas polícias do mundo. Assim como estava, em sua “inocência”, Pinochet quando visitou a Inglaterra. Pois bem: os EUA entregarão esses militares para julgamento? Os EUA deixarão eles serem presos quando de uma visita a Cancun ou Barcelona?

Há um único propósito em Guantanamo: dez andares do prédio da primeira com a quarenta e dois. De agora por mais meio século, um conjunto de militares americanos se tornou um outdoor do isolacionsimo e do excepcionalismo.

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4 Respostas to “Queimando barcos”

  1. Reflexivo Says:

    Como discípulo de Nicolau Maquiavel, esses debates me parecem vagamente cômicos. Que autoridade moral têm governos europeus para prender seja lá quem for? Nenhuma, zero, não conseguem nem pagar a própria defesa, sobrevivendo à sombra da proteção dos marines. Se não fosse pelas FAs dos Estados Unidos, estariam agora participando do shows folclóricos russos ou nazistas. Que importância tem os direitos humanos de terroristas cuja finalidade não é libertar nações, mas instalar governos tirânicos e teocráticos que assassinam gays e matam mulheres a pedradas nas ruas. Nenhuma, zero. São como esses ecologistas anti-progresso: deviam cortar na hora o antibiótico dessa gente. Ai, ai, ai.

  2. Reflexivo Says:

    Nem quero chamar atenção para o fato de que a prisão em Guantánamo representa, na verdade, um ato de misericórdia. Deve-se à conclusão de que, se fossem entregues a autoridades egípcias ou sauditas, aí seriam tratados de uma forma islâmica, como, aliás, todos eles defendem. Eu defendo a tese de que combatentes islâmicos deveriam ser tratados, pelas potências Ocidentais, de acordo com o direito islâmico. Não é isso que pretendem instalar??

  3. samurainoutono Says:

    Nobre Reflexivo, julgar não é uma faculdade de quem tem ascendência moral. Julgar é uma capacidade de quem pode. Se o mundo ocidental, foda-se qual a razão, resolver que aqueles caras são criminosos, ponto final.
    Releia Maquiavel e você verá que esse discurso “DEM” não cola. Você obviamente entende que a Caneta é que é a extensão da Espada, e que o passado, como o nome diz, é passado.
    Guantanamo é uma afronta inútil para qualquer coisa que não seja afrontar.

  4. Reflexivo Says:

    Nesse sentido, eu a considero utilíssima, ainda que prefira, pessoalmente, a transformação daquele prédio mencionado em cassino e a deportação do pessoal diplomático para alimentar famintos na África.

    Reafirmo aqui: JAMAIS um pais europeu julgará um soldado americano. Pode anotar e me cobre.

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