O triunfo provisório de Renato

Assisti, junto a um desesperado tricolor, o jogo. Na minha condição de botafoguense fatalista, o triunfo do Fluminense me parecia claro. A escalação era a que eu teria feito, dito na segunda, antes do desesperado tricolor me arrancar o siso (último dente a nascer, primeiro a partir). Claro que não correu taticamente como eu esperava: o viadinho do Tiago Neves deveria ter se atido a ponta-esquerda, ter feito o que Cristiano Ronaldo fez na partida contra o Chelsea, coisa que tratarei em outro post. Ficou pelo meio, embolando, tentando “jogadas de craque”. Se redimiu no corner, mas foi uma liability tática o tempo todo, ao contrário do esforçado e hábil Conca. Tiago Neves tomou um justificado esporro do capitão Luis Alberto, para choque do comentarista Falcão. Falcão, que jogou numa seleção na qual ninguém dava esporro, nunca soube o que era final de copa do mundo. Aliás, ninguém da safra dele soube, mas isso é esquecido pelos que glorificam o “talento” do futebol brasileiro. Já Dunga e Lúcio, para citar dois casos de jogadores que bateram em colegas de seleção em campo, podem exibir uma medalhinha da FIFA. Aliás, Dunga pode exibir duas.

Mas, voltando a Renato, foi perfeito na escalação, perfeito no timing das substituições. Arouca pode ser o mais talentoso do trio do meio-campo, mas era o que menos podia contribuir na necessidade de sobre-esforço e contenção de Adriano. Dodô, que nós botafoguenses conhecemos como ninguém, marcou mais um pequeno gol antológico: casual, quase sem ângulo, por baixo da perna de Rogério Ceni.

Falhas: além da inoperância de Tiago Neves, que se recusa a reconhecer que Washington e Cícero são mortais pelo alto, outro craque ofensivo, Dagoberto, membro da turma que foi eliminada pelos paraguaios no pré-olímpico de 2004, foi de absoluta nulidade. Em qualquer outro lugar do mundo Dagoberto seria relegado à ponta, assim como Tiago Neves, e ensinado a cruzar bolas, aquela coisa que Sávio e Marcelinho Carioca sabiam fazer tão bem – e talvez por isso nunca tiveram uma chance de fato na seleção, lugar de “craques”. A entrada de Aloisio, criando a possibilidade de um diálogo no ataque do São Paulo, permitiu o gol do Adriano. Renato, no entanto, reposicionou o time, neutralizando essa jogada. E não havia mais o que Muricy pudesse fazer, pois o contundido Jorge Wagner é, no fundo, a única possibilidade de criação de jogadas do São Paulo hoje.

Washington fez seu papel, por a bola para dentro do gol. Esse é o papel do artilheiro. Ontem ele se juntou a Cabañas e a Palermo, que foram, junto com o Adriano, os heróis da Libertadores até aqui.

E Renato soma mais uma barriga à sua carreira. Um gênio entre as quatro linhas, um gênio fora delas.

 

Numa nota pessoal, chegando hoje ao trabalho encontrei o seguinte e-mail, de um amigo torcedor do tricolor carioca, enviado após a decisão da Champions:

“Viu a pelada inglesa? O campeão tinha um atacante do Corinthians e outro da Lusa. O cara perdeu o pênalti, mas um cabeça de bagre dublado em inglês acabou perdendo outro pênalti. Justamente para aquele goleiro holandês que não pegou nenhum em 1998…

Agora já sabemos quem vai perder a final em Tóquio para o São Paulo. Depois do Liverpool, chegou a vez do Manchester…

saudações

Nelson Rodrigues”

 

Visionário, rsrs…

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Uma resposta to “O triunfo provisório de Renato”

  1. Reflexivo Says:

    Não falei em vão. Na fase copa Toyota, só uma vez um time inglês venceu. Têm mais vices que o Vasco da Gama.

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