traduzindo para o português

Lá no Josias de Souza há as manchetes, lá no Hermenauta um monte de links, mais algumas explicações do impacto no Nassif, mas, em bom português, a manchete deveria ser: “Abertas novas portas de endividamento externo para o Brasil”.

Isso está dito pelo brilhante (e aqui não vai um pingo de ironia) Mendonção, de forma indireta,, lá na Miriam Leitão: “Virá dinheiro novo, que não pode ir para países e papéis que não têm esse grau de investimento“. O ponto não é que o Brasil ficou mais atraente com investment grade. O ponto é que certos fundo não podiam operar com o Brasil se ele não tivesse investment grade, por mais que esses fundos julgassem o Brasil e suas empresas como de risco aceitável e de rentabilidade atraente. Não é o Mercado que foi convencido, mas um obstáculo regulatório que foi vencido.

Nessa altura do campeonato a pergunta é: para que o Brasil precisa desses capitais? Mas os brasileiros que operam em Wall Street e na City of London (e a serviço, em São Paulo e no Leblon) devem estar em estado de graça. Aliás, longe de “de graça”: deles será o mais gordo bônus desse ano, não tenham dúvida.

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9 Respostas to “traduzindo para o português”

  1. Reflexivo Says:

    Que hostilidade contra o capitalismo… Você prefere o acesso preferencial dos burocratas do partido aos bens escassos do socialismo? Os antigos mercados GUM de Moscou?

  2. Reflexivo Says:

    “para que o Brasil precisa desses capitais? ”

    Moreira, eu vou responder a essa pergunta com uma outra, que minha avó Edith me ensinou: “Não gostas de dinheiro??”

  3. Rafael M Says:

    “para que o Brasil precisa desses capitais?”

    Invente alguma coisa para investir, ue. Financie a producao de macaxeira para exportacao. Abra fundos de venture capital para financiar inovacao na cadeia de producao de soja. Aproveite a localizacao do nordeste brasileiro e faca com que a regiao se torne entreposto de reacao rapida para cadeias de producao texteis, da mesma forma que o Egito e para Uniao Europeia e o Mexico para os EUA.

  4. samurai no outono Says:

    José meu caro: li antropologia o bastante para saber que cargo boats são crendice.

    Dívidas existem para serem pagas, meu caro. Há gente nos EUA que acredita que essa máxima lá não vale, excepcionalismo americano etc. Eu sou ortodoxo.

    Eu acredito no acesso não preferencial no dia em que os advogados contratados para uma causa forem sorteados entre os lados. Rawls.

  5. Reflexivo Says:

    Mas meu caro, o grande fator de atraso secular do Brasil, que vitimou seu crescimento ao longo do século XIX, foi justamente a mania de não pagar dívidas. Os escravistas americanos pagavam as suas; aqui… Se o Brasil passar a pagar suas dívidas, o progresso moral e material do país será imenso!!

  6. Reflexivo Says:

    O acesso preferencial é inevitável. O problema é: por que só o do capitalismo é ruim….?

  7. samurai no outono Says:

    “Se o Brasil passar a pagar suas dívidas, o progresso moral e material do país será imenso!!” – concordo!

    Mas sobre o acesso preferêncial: quem disse que eu acho que o acesso preferêncial dos outros é bom? Só não acho é que não dá para um sistema que é no fundo plutocrático discursar como democrático contra as desigualdades dos outros. Se do ponto de vista político o capitalismo é democrático, seu cotidiano contém os mesmos formatos de iniquidade que o socialismo real teve (não que acredite num socialismo sem adjetivos ou num socialismo irreal – aqui uso a categoria nativa). Afinal, se no nosso “A Vida dos Outros” Georg Dreyman é o ministro e Hempf o jornalista, a iniquidade, no fundo, é a mesma.

  8. Reflexivo Says:

    Prezado Samurai,

    vc quer realmente afirmar que as injustiças plutocráticas do capitalismo são equivalentes ao gulag, ao controle estatal da mídia, à condenação do homossexualismo como crime (17 anos na Sibéria), ao tratamento da dissidência política como doença psiquiátrica, etc ???

  9. samurai no outono Says:

    Rafael,

    desculpe a demora em autorizar seu post. Só agora vi que tinha coisa a ser moderada.

    Vamos lá: os três investimentos que você citou tem problemas.

    – Macaxeira já foi um importante produto de exportação, na forma de farinha, durante o Brasil colonial. Eixo Brasil-Angola, “O Trato dos Viventes” apresenta lindamente o assunto. Hoje se aplica? Não sei se a mandioca poderia ser uma alternativa aos grãos, seja como ração animal, sendo como carboidratos alternativo. As pessoas tem fixação com seus carboidratos.

    – Financiar a inovação na cadeia da soja? Acho problemática a questão do venture capital no Brasil. Já há quem cuide disso, pelo menos do ponto de vista tecnológico, a EMBRAPA. Funciona. No iníco dos 90 tinha uma amiga minha que trabalhava na Mars (mars bars) que vinha ao Brasil passar um mês por ano no centro de pesquisas ali na Bahia, vendo coisas de fermentação de cacau. O que falta ao agronegócio brasileiro, imo, é logística. Do ponto de vista da produção, o campo brasileiro é bastante evoluído. Mas mesmo ele tem problemas com um câmbio fora de posição.

    – O Brasil está fora da área têxtil enquanto tiver câmbio flexível e sucesso comercial em outras áreas. Não há como ter preço competitivo. O mito cearense era válido até o real. Após, adeus. Não há como achatar nominalmente os salários de forma com que eles possam ser competitivos em dólar.

    Mas o ponto principal é: por que, se já sobra dinheiro aqui por conta do sucesso empresarial de nossas empresas e do sucesso comercial de nossa economia, precisamos de mais dinheiro externo que só vai causar pressões inflacionárias e exigir que o BCB faça um esforço maior de enxugar esses recursos? Essa é que é a pergunta que me faço, especialmente num momento de pânico no mercado financeiro internacional.

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