Ontem um show fabuloso de Ná Ozzeti. Meses atrás vi um show de Vânia Bastos, outra ícone da vanguarda paulista dos 80. Aquele um show medíocre, karaoquê de repertório mal escolhido e obviamente executado. Vânia querendo ser Tetê. Ontem, no entanto, um show magnífico, com uma versão de “fé cega faca amolada” tão surpreendente quanto a de “hey joe” do Robert Plant. Repertório fofo, com classe, bem executado, sem cair no excesso de curadoria dos shows da igualmente fabulosa Monica Salmaso. Mesmo o vestido era espetacular.
Situação fantástica: havia um cara na platéia cantando junto com ela, como se fosse um delay desafinado. Em “estopim”, isso ficou muito engraçado, já que a música tem uma melodia, por assim dizer, estranha. Lá pelo meio da música, ela, que estava rindo vez por outra, caiu na gargalhada, interrompeu a execução, e aí cantou de novo sem “delay”.
Hoje, Los Hermanos, Kraftwerk, Radiohead.
Los Hermanos é uma banda interessante, mas como diz um amigo meu, tudo ali é iê-iê-iê. É como se a jovem guarda tivesse ouvido Weezer.
Fui uma das raras pessoas que não gostou do show do Kraftwerk lá no MAM. Não que não tenha sido bom. Mas não surpreendeu. Não correu riscos. Banda cover deles mesmos, o Kraftwerk nem se dá ao trabalho de criar obras medíocres para se justificar como banda em atividade, como os Stones. Repete-se. O problema é que o que foi futuro até meados dos 80 tornou-se ainda mais kitsch.
Radiohead é uma das bandas de minha devoção. Não vou citar nomes aqui, mas estava eu no aniversário de um amigo jornalista, notável jornalista de cultura, dezembro de 96. Churrasco, pessoas conversando, fiz um elogio a escolha de “creep” para o bis do show do Tears for Fears recém-acontecido. Um amigo desse cara, outro jornalista musical de um jornal grande circulação carioca, cacete pela terceira geração, tacou o pau dizendo que er aum absurdo uma banda como o Tears for Fears tocar uma música de uma banda medíocre como o Radiohead. Eu argumentei que “The Bends era o mais interessante album daquela horda do britpop. Uns 3 meses depois, Ok Computer conquistava o mundo. Bem, nem todos os jornalistas de rock tem o cérebro de um Luis Carlos Mansur, de um Dapieve, de um Essinger…
Mas, voltando, o Radiohead se apresenta hoje. Se não são mais o novo novo como foram quando trouxeram elementos do som da Warp e da Mo Wax para o grande público (particularmente, acho o Kid A tão inovador quanto o Achtung Baby! – novos para o rock, óbvios para quem estava imerso em outras pequenas cenas de cada época, e absolutamente belos), são uma banda que consegue criar e executar peças de profunda beleza. Há atividade tectônica ainda.
Até lá.